Wi-Fi gratuito em ruas do Rio é lento em muitos pontos, menos na Zona Sul

Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia admite lentidão e informa que pretende reformular edital e abrir nova licitação

Rio – Pela orla da Zona Sul, do Leme ao Leblon, as ondas do mar não deveriam ser as únicas: desde 2009, a região é contemplada pelo Rio Digital, parceira público-privado para fornecimento de internet sem fio gratuita em pontos da cidade. Só que não funciona em plenitude e, por isso, a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia pretende reformular o edital e abrir nova licitação, ainda sem previsão para sair.

O próprio órgão admite que, dos 12 pontos, apenas metade é listado como “ativo”: praias do Leme, Copacabana, Ipanema e Leblon; Lagoa, na altura do Lagoon; entorno do Maracanã; Santa Marta, em Botafogo; e Rua das Pedras, em Búzios. Em outras UPPs, como Cidade de Deus, Batan, Providência e Alemão, o serviço é “parcial” — mas, na prática, haja paciência para acessá-lo.

Wi-Fi gratuito em ruas do Rio é lento em muitos pontos, menos na Zona Sul
O estudante Ledson diz que o Piraí Digital deveria ser chamado de “Digital-Fest”, porque só funciona quando tem evento na cidade
Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia

A ideia é de que a nova versão seja menos abrangente e escolha pontos-chave, como praças e escolas, para facilitar a manutenção. Enquanto o Rio Digital não fica de cara nova, problemas ocorrem na rede invisível. A

equipe do DIA percorreu pontos e tentou usar o benefício, para uso de baixa capacidade; porém, poucas vezes, obteve resultados positivos. Foram dois dias na Princesinha do Mar, onde a rede não está distribuída de forma homogênea: na frente do Copacabana Palace, é possível até enviar uma selfie.

Já perto da estátua do escritor Carlos Drummond de Andrade, próximo ao Forte, resta meditar ao lado do poeta até que o sinal resolva estabilizar. No Arpoador, porém, a banda larga grátis atingiu o máximo nos testes.

Wi-Fi gratuito em ruas do Rio é lento em muitos pontos, menos na Zona Sul
Fernando e Michele no Arpoador, onde a potência da rede é satisfatória: na orla da Zona Sul, outro ponto forte, só em frente ao Copacabana Palace
Foto: Estefan Radovicz / Agência O Dia

O cadastro também é motivo de dor de cabeça. “Desde que mudei de telefone, tento me recadastrar, mas não consigo. A página cai toda hora. Fora que é muito raro detectar o sinal”, contou o zelador Gabriel da Silva, de 28, que fica perto do Posto 6.

Os estudantes Michelle Moraes e Fernando Guimarães, ambos de 17 anos, queixam-se da requisição de dados pessoais. “Pedem identidade e eu não sei de cor. Deveria ser mais simples. Tem gente que evita trazer documento. Passaporte, então, muitos turistas deixam em casa”, opinou a jovem.

Os argentinos Laura Faldani e Juan Gomez, de 37, destacam a falta de praticidade. “Internet sem fio é para acessar rápido. Complicado, assim, faz é desistir”, deduziu o casal, que tentou se cadastrar por três vezes, até conseguir, devido à solicitação de telefone com DDD, fato que impossibilitou o reconhecimento do número argentino, de primeira.

Longe do mar, longe da Internet

Fora do asfalto, no Santa Marta, não foi possível o acesso. “No início era maravilhoso, agora, quando clica, não entra”, lamentou a revendedora Amanda Andrade, de 18.

Em Búzios, o Wi-Fi também decepciona. “Não opera bem e muita gente já desiste no cadastro”, diz o gastrônomo Gustavo Guterman, de 30 anos.

No Maracanã, a internet mostrou-se ruim de jogo. O sinal só aparece bem junto à passarela. Além desses, considerados pelo estado como “amplamente atendidos”(junto com orla e Lagoa), o projeto ainda integra a Baixada (Caxias, Nova Iguaçu e Belford Roxo) com 55% do sistema; Complexo do Alemão, Pavão, Pavãozinho, Cantagalo e Providência, 50%; Batan e Cidade de Deus, ambas na Zona Oeste, 40%.

O foco será ampliar no Grande Rio, com prolongamento da área da Baixada, e adotar medidas de segurança em áreas de risco, com UPP ou não, restringindo a locais estratégicos, onde será possível fazer a manutenção permanente.

Ação pioneira também falha

Propagada aos quatro cantos como a primeira cidade digital do país, Piraí, terra natal do governador Pezão — que inaugurou o Piraí Digital há 11 anos —, é motivo de chacota e críticas por parte de moradores e visitantes.

Na tarde de quinta-feira, a equipe do DIA testou o serviço na Praça da Preguiça, ao lado da prefeitura, e constatou problemas. Por duas horas, entre 14h e 16h, não foi possível acessar a rede.

De acordo com o estudante Ledson Rubens Lécio, 22, o sistema ganhou o apelido de ‘Digital-fest’ ou ‘Digital-Night’. “Porque só funciona bem durante festas no município, para ‘inglês ver’, e à noite. E só na praça central”, atesta.

“Se não funciona bem sequer na praça, imagina nos bairros?”, questionou a estudante Luzianete Pereira, 24. Em nota, a Secretaria de Comunicação de Piraí informou que “excepcionalmente faltou energia num dos links no bairro Cruzeiro” e que por isso o serviço ficou prejudicado.

“Contestamos que o sinal da praça seja ruim. O sinal abrange todas as praças do Centro. O que pode ocorrer é uma redução de velocidade de conexão em horário de pico”, diz um trecho da nota.

Hoje, segundo a assessoria, quase 12 mil pessoas são atendidas no município, com mais de 1,3 mil conexões simultâneas em horários de pico. Nos últimos três anos, o município, alega a prefeitura, dobrou o número de bairros atendidos pelo projeto.

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