Viu o edital, achou bom e fez o produto.

Fábio Linjardi
linjardi@odiariomaringa.com.br

O empresário Henrique Feitoza da Silva acreditou que daria o grande salto de sua vida: faturaria R$ 788,5 mil em uma única venda para a prefeitura. Nunca entrou tanto dinheiro em sua empresa, a Sabor e Vida, instalada em uma sala comercial alugada na Vila Morangueira.

Silva foi o vencedor da segunda tomada de preços para a venda do arroz desidratado dos tipos carreteiro e galinhada. O edital previa preço máximo de R$ 18. Ele ofereceu R$ 15,77, disposto a brigar para baixar até a casa dos R$ 13. E se surpreendeu com a desistência do concorrente, e as consequências que a sua vitória trouxe.

Silva viu o edital da primeira tomada de preços do arroz carreteiro, em agosto do ano passado, fez os cálculos e se entusiasmou com a lucratividade do negócio.

“Dava uma margem ótima de lucro”, diz. Procurou fornecedores e montou uma mistura que atendia às poucas exigências do edital. Quando foi realizada a segunda tomada de preços, em dezembro, só concorreram ao arroz ele e o representante da empresa de Campo Grande (MS), que havia vencido o levantamento anterior.

“Dei meu preço, já esperando uma briga difícil. O concorrente não disse nada, só falou que não ia fazer nenhuma oferta. Achei estranho. Outros empresários que acompanhavam a sessão disseram que tinha algo errado e que eu não levaria essa”, diz.

O coordenador do Observatório Social, Fernando Otero, também estava na Sala de Licitações da prefeitura e estranhou a falta de um segundo lance. “Eu e todo
mundo achamos estranho. O cidadão vem do Mato Grosso e não dá um lance”, diz.

Duas semanas após vencer a licitação, Silva recebeu a visita de fiscais da Vigilância Sanitária, que o proibiram de vender o produto. “Eles chegaram já perguntando pelo arroz carreteiro. Mostrei os pacotes e disseram que eu não tinha licença para produzir. Fiquei indignado”, diz.

Por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, a Vigilância Sanitária alega que inspeções são frequentes em empresas que vencem licitação para o fornecimento de alimentos. Dias depois, Silva conseguiu a licença junto à Vigilância para produzir a mistura que seria vendida à prefeitura, mas já era tarde: a administração revogou a compra.

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