Viaduto da Comendador está licitado

Elevado que irá transpor a linha férrea demandará aterramento de parte da avenida; projeto gera polêmica entre a prefeitura e a União

Fotos aéreas da avenida Comendador José da Silva MarthaO viaduto que irá transpor a linha férrea que passa pela avenida Comendador José da Silva Martha finalmente foi licitado, mas, antes das obras começarem, já é alvo de polêmica envolvendo a prefeitura e a União. A construção, assim como outro elevado que também será erguido sobre os trilhos que passam pela na rua Waldemar Pereira da Silveira, estão orçados em R$ 11.443.384,67 e serão custeados pela superintendência de São Paulo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), vinculado ao Ministério dos Transportes.
E, por ser integralmente custeado pela União, o município pouco pôde acompanhar e opinar sobre o desenvolvimento do projeto. Quando ele ficou pronto, soube-se que o viaduto seria construído em terra armada.
Isso implica que dois grandes muros paralelos sejam erguidos sobre a Comendador e que o vão entre eles seja aterrado, isolando o acesso direto da avenida José Vicente Aiello ao Jardim Terra Branca. A única passagem possível servirá à ferrovia e outra, menor, somente para garantir o fluxo na região do Córrego Água da Ressaca.
Embora seja necessário para dar maior fluidez ao trânsito naquele trecho, o elevado se transformará em um grande obstáculo, principalmente para pedestres que precisam se deslocar de um lado para outro. Todo o fluxo será deslocado para uma rotatória a ser construída a mais de 100 metros de distância. O prefeito Rodrigo Agostinho classificou a obra de “horrorosa” e a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag), de “monstrengo”.
Segundo o Dnit, a empresa vencedora da licitação foi a Contersolo Construtora de Obras Ltda. Ainda não há data definida para que a construção seja iniciada, algo que depende da contratação da supervisão da obra, que está em processo licitatório. O prazo previsto em contrato para conclusão dos dois elevados é de 18 meses após o início dos trabalhos.
Desapropriações
De acordo com o secretário municipal de Planejamento, Paulo Ferrari, o decreto de utilidade pública da área já foi publicado no Diário Oficial da União e a Contersolo aguarda o empenho de verbas e a emissão da ordem de serviço. “Acredito que, em 30 dias, já poderemos ter alguma novidade”, cogita.
Ainda há, no entanto, uma discordância em relação à responsabilidade sobre as desapropriações necessárias para abrigar toda a obra, que contará com uma nova rotatória que será construída na altura da rua Fortunato Rodrigues de Moraes, a mais de 100 metros de distância da que existe atualmente. Conforme o Dnit, o pagamento de todas as indenizações será responsabilidade do município, informação rejeitada por Rodrigo Agostinho.
Segundo ele, a prefeitura irá desapropriar apenas as áreas necessárias para receber o novo trajeto da avenida José Vicente Aiello e da rua Benevenuto Tiritan, que desembocarão na rotatória a ser construída na Comendador. “Essas interligações não fazem parte da obra e foi isso que foi combinado em reunião com o Dnit. Na segunda-feira, entrarei em contato com o órgão para discutir sobre isso”, adianta, informando que providenciará as desapropriações previamente combinadas assim que a ordem de serviço da obra for emitida.
De acordo com o departamento, na Comendador há necessidade de desapropriar 6,181 mil metros quadrados em quatro propriedades e, na rua Waldemar Pereira da Silveira, que receberá o segundo viaduto, 2,199 mil metros quadrados de duas áreas.
Outro viaduto
Além do viaduto que irá transpor a linha férrea sobre a avenida Comendador, o Dnit irá construir um elevado sobre os trilhos que passam pela rua Waldemar Pereira da Silva, próximo à ponte Ayrton Senna. A extensão total da obra é de cerca de 300 metros e deverá consumir um quarto do custo de R$ 11.443.384,67 previsto para as duas obras. Segundo a Secretaria Municipal de Planjeamento, o viaduto da Comendador até o final da rotatória que será construída somará 520 metros de extensão.
Impacto
A construção dos dois viadutos se faz necessária porque, daqui a três ou quatro anos, a previsão é de que o tráfego de trens em Bauru cresça 2.700% para garantir o escoamento fruto da possível exploração do minério de ferro em Corumbá (MS) até o Porto de Santos, no litoral de São Paulo.
Atualmente, passam pela cidade 1 milhão de toneladas do material ao ano. Esse número deve chegar a 27 milhões de toneladas. Com o maior fluxo, os veículos teriam de esperar o tráfego ferroviário com maior frequência, além de haver maiores chances de acidentes entre carros e locomotivas.
Por conta disso, a América Latina Logística (ALL), concessionária da via, chegou a contratar estudo de viabilidade para a construção de um anel ferroviário, que tiraria o tráfego das locomotivas da área urbana. A obra, no entanto, custaria mais de R$ 1 bilhão. O Dnit, então, realizou estudos que demonstraram a viabilidade do empreendimento.
‘Vai ficar horroroso’, diz prefeito
O prefeito Rodrigo Agostinho demonstrou insatisfação com o modelo de viaduto escolhido pelo Dnit para transpor a linha férrea sobre a avenida Comendador José da Silva Martha e a rua Waldemar Pereira da Silveira. Segundo ele, os muros que serão erguidos com placas de concreto causarão muitos transtornos à população, ao bloquear o acesso direto da avenida José Vicente Aiello ao Jardim Terra Branca.
“Poderia ser uma obra muito mais limpa se fossem utilizadas estruturas de concreto pré-moldado, por exemplo. Mas eles optaram por uma estrutura de terra armada para baratear o custo da obra. Vai ficar horroroso”, lamenta.
Ainda de acordo com ele, com o viaduto da Comendador sendo feito de acordo com o previsto, cai por terra qualquer projeto de estender a avenida José Vicente Aiello até a avenida Sorocabana, para interligar aquela região à avenida Duque de Caxias ou até ao viaduto inacabado. Há, ainda, uma preocupação em relação aos estabelecimentos comerciais existentes às margens da Comendador, que poderão ficar sem acesso à avenida ou mesmo ser desapropriados.
Presidente da Assenag, o engenheiro Eduardo Gomes Pegoraro alerta ainda que, quando o elevado estiver pronto, todo o fluxo de veículos será direcionado à nova rotatória, mudança que, segundo ele, tornará o tráfego ainda mais estrangulado do que, por exemplo, já é o da praça Primaz Chujiro Otake, conhecida como praça do relógio.
“Quem chega dos condomínios Tivoli, Villa-Lobos, adjacências do Cemitério Jardim do Ipê e até do condomínio Lago Sul será obrigatoriamente direcionado para a rotatória, independentemente da direção que venha a seguir. O mesmo vale para quem vai da praça Portugal em direção ao Recinto Mello Moraes”, esclarece.
Embora concorde com a importância da obra como solução para os frequentes acidentes entre composições e carros que atravessam os trilhos, Pegoraro classifica o viaduto como “monstrengo” e “agressão visual”. “Conclamamos nossos representantes para uma avaliação sobre o recebimento deste ‘presente’ da União. Mas temos de agir rápido para viabilizar uma substituição por outra opção mais viável”, conclui.

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