Usina termelétrica de lixo deve custar R$ 150 milhões

Edmundo Pacheco

A empresa Foxx Participações, de São Paulo, fez ontem na Prefeitura de Maringá a apresentação do que pode vir a ser a usina termelétrica movida a lixo que o prefeito Silvio Barros (PP) sonha instalar na cidade. O investimento, segundo o diretor de Desenvolvimento de Projetos da empresa, Alexandre Citvaras, é de R$ 150 milhões.

A usina, a partir da licitação, vai demorar dois anos para ser implantada e terá capacidade para queimar até 500 toneladas diárias de lixo, o dobro da quantidade de lixo doméstico produzido por Maringá (260 toneladas diárias). O sistema é modular e pode ser ampliado, caso cidades da região tragam seu lixo para Maringá.

A apresentação é parte do processo iniciado no ano passado pela prefeitura para resolver o problema da destinação final do lixo doméstico produzido na cidade. A Foxx foi a única que apresentou proposta para explorar o serviço.

Para o secretário municipal de Saneamento, Leopoldo Fiewski, o mais interessante no projeto apresentado pela Foxx é que o município resolve o problema do lixo de forma definitiva e sem investir nada. “Pelo projeto apresentado, e não quer dizer que vá ser este o escolhido, a empresa faz os investimentos e recebe em troca a concessão por pelo menos 30 anos, como permite a lei. O município vai continuar pagando, como já faz hoje, para a destinação final do lixo”.

O estudo inicial, segundo Fiewski, indica que o custo será de cerca de R$ 81 a tonelada. “É cerca de R$ 10 a mais do que pagamos hoje, mas esse é um estudo preliminar apresentado pela empresa. Acredito que dê para baixar, até porque vai ser feita uma concorrência”.

Ele também disse que, caso a usina seja instalada, pretende discutir participação nos resultados da venda de energia elétrica. “Seria mais uma forma de baixarmos esse custo”.

O secretário explicou que depois desta primeira fase serão feitos estudos de viabilidade e várias etapas de discussão com a comunidade, antes de definir pelo projeto mais viável para a cidade.

Maringá abriu um edital para receber projetos para a implantação de uma termelétrica movida a lixo no final do ano passado. Durante o processo, onze empresas retiraram o edital, mas apenas a Foxx concluiu a etapa, apresentando o projeto.

Vitrine

A empresa paulista, que é sócia do grupo multinacional francês ‘Tiru’ (que opera 20 usinas termelétricas semelhantes na Europa e no Canadá), trabalha com coleta e destinação final de lixo em cinco cidades cidades do interior paulista e uma de Santa Catarina, mas não tem nenhuma usina em funcionamento.

Alexandre Citvaras contou que está há dois anos trabalhando no desenvolvimento de projetos de usinas movidas a lixo, mas ainda não fechou nenhum contrato no Brasil e nem em países vizinhos.

O projeto de Maringá, caso seja aprovado e implantado, vai servir como uma vitrine tanto para a empresa paulista como para a sócia francesa, que se interessa em se implantar no Brasil, com os olhos voltados para os países da América do Sul.

“O projeto que estamos apresentando prevê a implantação da usina, num terreno próximo do atual aterro, já que aquela já é uma área contaminada e longe da população. O investimento é todo do grupo Foxx e a usina, uma vez implantada passa a pertencer ao município. Terminado o contrato de 30 anos, o patrimônio é revertido para o município que poderá licitar para um terceiro, ou operar”, explicou Citvaras.

A usina vai queimar apenas lixo doméstico e materiais inertes. O município ficará encarregado de implantar um sistema de coleta seletiva e uma central de triagem, enviando para a usina, apenas o material para ser queimado. Resíduos de construção não poderão ser recebidos pela usina.

O lixo hospitalar também terá que ser esterilizado antes de ser enviado para a usina ou ter outra destinação. Do total queimado, a previsão é de reste entre 5% e 10% de volume em cinzas que poderão ser utilizadas na pavimentação de ruas.

Números
6 megawatts é a quantidade de energia que pode ser produzida com 260 toneladas de lixo/dia.
27 mil residências ou 120 mil habitantes podem ser abastecidos com essa energia.

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