Universalização é prioridade na Sabesp

Roberto Rockmanns

Com uma população atendida superior a 25 milhões de pessoas, espalhadas por 365 municípios do Estado de São Paulo, a Sabesp gerencia uma das maiores redes de saneamento do mundo. Depois de ter investido mais de R$ 6 bilhões nos últimos quatro anos, a empresa irá manter o maior programa de investimentos do setor no Brasil, com a previsão de aplicação de R$ 5,2 bilhões em recursos de 2011 e 2013.
A maior parte do desembolso, cerca de R$ 2,5 bilhões, refere-se a projetos na área de tratamento e coleta de esgoto. “O desafio da Sabesp é ser reconhecida em 2018 como a empresa que universalizou os serviços de saneamento na sua área de atuação”, afirma a presidente da empresa, Dilma Pena. Atualmente, 125 dos municípios atendidos contam os serviços de água, coleta e tratamento de esgoto.

Um dos maiores investimentos em execução é a terceira etapa do Projeto Tietê, iniciada em 2009, com previsão para ser concluída em 2015 e investimentos estimados em US$ 1,05 bilhão. A iniciativa irá ampliar o índice de coleta de esgoto na região metropolitana de São Paulo de 84% para 87%, e o de tratamento de dejetos, dos atuais 72% para 84%. “Além de estarmos trabalhando nessa terceira fase, cujas obras vão até 2014, já começamos a analisar opções de financiamento para a quarta etapa, que contemplaria US$ 1,9 bilhão em investimentos”, diz Dilma.

A ideia no governo Alckmin é encerrar a etapa 3 do projeto nesse mandato e ter o pacote financeiro da quarta etapa pronto até o fim do atual mandato. Negociações com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e com a Caixa, que gerencia o FGTS, já foram iniciadas.

Outro foco da atuação da Sabesp é o controle de perdas na rede. Atualmente, o índice de perdas da empresa está em 26%, bem abaixo da média de 40% verificada no Brasil. Mesmo assim, a intenção é reduzir o indicador para 13% até 2019. Podem ser investidos R$ 3 bilhões até o fim desta década na iniciativa, segundo Dilma. Uma das frentes do programa é um acordo de cooperação técnica com o Japão, em que 50 engenheiros da Sabesp já foram enviados ao país asiático para conhecer as técnicas usadas em Tóquio, cujo índice de perdas é de 4%, referência mundial.

Engenheiros japoneses também têm vindo para São Paulo para troca de experiências.

Além de buscar a universalização dos serviços de água e esgoto, a Sabesp tem outras duas prioridades. Uma é apoiar cidades paulistas que não são atendidas pela empresa para avançar nos seus sistemas de saneamento, seja com apoio técnico, seja como contratada para o serviço. “Não queremos a concessão total dos serviços, mas podemos apoiar os municípios para que eles melhorem esses índices”, afirma Dilma. Grandes cidades paulistas, como Guarulhos, Bauru e Marília, não são atendidas pela concessionária. A terceira prioridade é dar apoio a Estados que queiram melhorar a eficiência de sua gestão.

Ano passado, nesse contexto, a Sabesp fechou acordo inovador com a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal).

A parceria tem a intenção de implementar uma série de ações com o objetivo de reduzir o índice de perdas em Maceió. No início de 2010, dois engenheiros da Sabesp visitaram a capital alagoana para analisar as medidas que poderiam ser tomadas. O índice de desperdício de água da Casal, que estava em 60% antes do acordo, caiu para perto de 55% no fim de 2010.

Em 2011, a expectativa é de que ele chegue a 45%.

Os investimentos das empresas não estão concentrados apenas na região Sudeste. A Embasa, concessionária que atua em 356 dos 417 municípios da Bahia, tem aplicado recursos em diversas iniciativas, entre elas no programa Água para Todos, que entre 2097 e 2010 beneficiou quase duas milhões de pessoas, que passaram a ser atendidas pela rede básica. Nesses quatro anos, os investimentos no setor atingiram a marca de R$ 2,7 bilhões em obras já concluídas ou em andamento em todas as regiões da Bahia. Em paralelo, tem-se buscado ampliar a rede de coleta e tratamento de esgoto. Em 2007, Salvador coletava 67% do esgoto, percentual que já pulou para 83%. “Uma das principais obras é a construção de um segundo emissário submarino, construído por uma PPP, pioneira no setor de saneamento básico”, diz o presidente da empresa, Abelardo de Oliveira Filho. Com o emissário e outras obras na região metropolitana, o índice de coleta e tratamento de esgoto na capital baiana deverá chegar a 92% em 2012.

A empresa também está investindo em tecnologia para melhorar sua eficiência. Serão investidos cerca de R$ 100 milhões obtidos em lançamento de debêntures dentro de um programa do BNDES para melhorar a gestão operacional das empresas do setor. Cerca de R$ 60 milhões serão aplicados na aquisição e instalação de hidrômetros, R$ 30 milhões na implementação de um sistema de gestão que irá integrar todos os setores da companhia e R$ 10 milhões na aquisição de equipamentos de última geração. Com isso, a empresa terá custos operacionais mais baixos e um controle mais eficiente de toda a operação.

“Somos a terceira empresa do Brasil a adotar esse sistema integrado e a primeira da região Nordeste”, afirma Oliveira Filho. Com a maior eficiência, a empresa buscará trabalhar para atingir uma meta ousada: reduzir de 30% para 25% o índice de perdas até 2015. Em 2007, o indicador estava em 37%. “O sistema de gestão está com 64% de seu processo de instalação feito, e a expectativa é de que em setembro possa estar rodando”, diz o executivo da Embasa.

No Ceará, a previsão de investimentos é de R$ 380 milhões, bem acima dos R$ 230 milhões aplicados em 2010. Um dos principais projetos é a estação de tratamento de Água Oeste, que receberá R$ 57,2 milhões em 2011 e tem a finalidade de melhorar o abastecimento de água na região de Fortaleza. A obra deverá levar água diretamente a 650 mil pessoas, ao final das duas etapas de construção. Na primeira etapa, executada pela Secretaria de Recursos Hídricos e finalizada no final de 2010, a estrutura construída é capaz de produzir 1,5 m³ por segundo de água tratada. Quando concluída a segunda etapa da obra, a ser executada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), a estação irá reforçar o abastecimento de água para a sede de Caucaia e alguns distritos, além de parte da região Oeste de Fortaleza.

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