Uma semana após enchente, Franco da Rocha tem lama e desabrigados

Cidade ficou alagada depois de temporal e abertura de comporta de represa.
Água invadiu avenidas, casas e prédios públicos; 1 pessoa morreu afogada.

Uma semana após enchente, Franco da Rocha tem lama e desabrigados

Após uma semana de enchentes, a cidade de Franco da Rocha ainda tem famílias em abrigos e lama por várias ruas. Os alagamentos começaram na madrugada do dia 11 de março, durante um temporal que atingiu a Grande São Paulo, e se agravou com a abertura da Represa Paiva Castro, no começo da manhã.

Á agua invadiu avenidas, casas e vários prédios públicos. Uma pessoa morreu na cidade por afogamento, e até a manhã desta sexta-feira (18), 11 famílias continuavam nos abrigos municipais. O número de desalojados em Franco da Rocha chegou a 210 famílias e a maioria delas está instalada em casas de amigos e parentes. A Prefeitura ainda está recebendo doações.

Em algumas escolas, as aulas já voltaram, mas o estrago nas escolas foi grande. O Fórum de Franco da Rocha também ficou alagado e ficará sem atendimento ao público até a próxima segunda-feira (21). Na Prefeitura, funcionários espalharam documentos e processos na calçada da entrada para secarem ao sol.

Além do Paço Municipal, estão sem atendimento ao público a Secretaria de Infraestrutura, Cartório Eleitoral, Casa de Cultura, Biblioteca Municipal, Ginásio de Esportes, Centro Cultural, Farmácia Popular, as escolas municipais Antonio Faria e Roberto Meconi e as escolas estaduais Befama, Cambiaghi e Azevedo.

Surpresa
A abertura das comportas da Represa Paiva Castro pegou os moradores de surpresa no início da manhã do dia 11 de março. Eles contam que só receberam equipes da Defesa Civil Municipal a partir da tarde, quando o “estrago já estava feito” e o nível da água já tinha subido mais de um metro dentro das casas.  Ao todo, 25 pessoas morreram no estado de São Paulo por causa das chuvas.

A Prefeitura disse que teve tempo de avisar moradores do bairro Vila Nossa Senhora Aparecida, alertando de porta em porta as famílias e usando sirenes em veículos da corporação, antes da abertura das comportas, feita às 6h30 pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O bairro é o mais afetado por estar bem próximo do Rio Juqueri, que recebe as águas da Represa Paiva Castro.

A Defesa Civil Estadual disse que a represa fica a 5 km de Franco da Rocha e que a descarga de água leva cerca de duas horas para atingir a cidade. Os moradores, porém, negam que tenham recebido qualquer aviso da Defesa Civil Municipal antes do transbordamento do rio.

A moradora Telma Martins, de 57 anos, disse ao G1 que um representante da Defesa Civil só chegou ao local de barco na tarde de sexta-feira para avisar sobre a abertura das comportas. A água começou a entrar na casa dela, porém, na noite de quinta-feira, quando uma tempestade atingia a região.

“A água começou a entrar cada vez mais rápido e a gente se tocou que era da represa. Logo a geladeira tombou e abriu. Também perdi cama, estante e sofá. Sobrou um colchão”, conta. Ela lamentou o fato de não ter podido se preparar melhor para a enchente.

Uma semana após enchente, Franco da Rocha tem lama e desabrigados
Salão da cabeleireira Elvira foi destruído pela enchente em Franco da Rocha (Foto: Marcio Pinho/G1)

O mesmo afirmou a cabeleireira Elvira Costa, de 65 anos, que disse que teria deixado sua casa juntamente com o marido e teria rumado para a casa de parentes, se fosse avisada com antecedência. Ela conta só ter visto um agente da Defesa Civil por volta das 20h de sexta-feira e lamenta que seu salão de cabeleireira acabou destruído.

“É o meu ganha-pão. Vou ter que recomeçar e contar com a ajuda dos outros”, disse. Ela diz ser agradecida, porém, ao auxílio dado pela Prefeitura de Franco da Rocha quanto ao fornecimento de água, alimentos e produtos de limpeza.

No mesmo bairro ficam os principais prédios públicos do município. A Prefeitura disse que avisou os responsáveis pelos edifícios para uma rápida retirada de documentos e equipamentos. Mesmo assim, a água entrou na Câmara de Vereadores, em uma delegacia de polícia e na própria Prefeitura.

Uma semana após enchente, Franco da Rocha tem lama e desabrigados
Hugo Gabriel desmonta o carro depois da enchente em Franco da Rocha (Foto: Márcio Pinho/G1)

Outro morador da região, Hugo Gabriel, de 26 anos, só conseguiu salvar um quadro e uma pequena banheira usada por sua filha. Ele paga R$ 750 de aluguel e está procurando emprego em sua função, de refrigerista, e afirmou que agora a vida vai ficar mais difícil. “Perdemos muita coisa. Ainda estou pagando uma cama box que perdi. Não sei o que vamos fazer”, lamentou.

Ele relata que a comunicação da Defesa Civil sobre a abertura das comportas da represa chegou pelo aplicativo de celular Whatsapp por volta das 12h de sexta-feira. No momento da abertura das comportas, Franco da Rocha já estava com alagamentos, mas segundo a Prefeitura, a descarga de até 50 mil litros por segundo no Rio Juqueri, que passa na região central do município, agravou a situação de enchentes.

Prefeitura
O G1 procurou a Prefeitura para comentar a demora no aviso aos moradores da Vila Nossa Senhora Aparecida sobre o risco de alagamentos, mas até esta publicação, não houve retorno. Disse que, apenas em um dos dias logo após o desastre, a Defesa Civil realizou mais de 50 vistorias em áreas de risco.

Após o alagamento, a Prefeitura disse que reivindicava a liberação de recursos para a construção de dois novos piscinões, na região do Jardim União, cujas áreas a Prefeitura já desapropriou, e para a construção de moradias para as pessoas que perderam suas casas.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tinha prometido a construção de quatropiscinões na região após a enchente que também inundou a cidade em 2011. Os piscinões, porém, não foram construídos.

Na quinta-feira (17), após reunião com o prefeito Kiko Celeguim, o Alckmin confirmou liberação R$ 8 milhões em recursos para a construção de um piscinão do Ribeirão Água Vermelha, na região do Jardim União.  A obra será realizada pelo DAEE e a licitação será aberta em caráter emergencial. O governo também vai liberar R$ 2,8 milhões em emendas parlamentares para obras de infraestrutura, segundo a Prefeitura.

As famílias desalojadas vão receber auxílio aluguel e o Fundo Metropolitano de Investimentos vai liberar recursos a Franco da Rocha. A Câmara Municipal também aprovou para reajuste do valor da locação social, que será destinado a famílias que tiveram suas casas interditadas pela Defesa Civil.

Permanecem fechados para atendimento ao público a Prefeitura Municipal, Secretaria de Infraestrutura, Cartório Eleitoral, Casa de Cultura, Biblioteca Municipal, CSU, Ginásio de Esportes Paulo Rogério, Centro Cultural, Farmácia Popular, as EMEBs Antonio Faria e Roberto Meconi e as escolas estaduais Befama, Cambiaghi e Azevedo.

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