Transposição deve demorar ainda três anos para ser concluída

A transposição do rio São Francisco vai demorar. Ainda mais. O Ministério da Integração Nacional prefere não falar qual será o impacto das paralisações que envolvem as obras, mas admite que seu cronograma atrasou mais uma vez. Em agosto, quando espera ter destravado seus contratos com as empreiteiras, o governo quer anunciar os “novos marcos de entrega da conclusão das obras físicas do projeto”.

Calcula-se que serão necessários pelo menos mais três anos para a conclusão total da obra. Isso significa que a presidente Dilma Rousseff, que estará em seu último ano de mandato, poderá inaugurar as obras que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostaria de ter entregado em dezembro de 2010, quando deixou o Palácio da Alvorada.

Pelos dados oficiais, as obras – que foram iniciadas em 2007 – alcançaram 45% de execução no eixo norte e de 70% no eixo leste. Ocorre que, como admite o próprio secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração, Augusto Wagner Padilha Martins, até o ano passado optou-se por trabalhar nas etapas menos complexas da obra, deixando o trabalho pesado – como a construção de subestações de energia e de estações de bombeamento de água – para segundo plano.

O ritmo da obra também não ajuda. Atualmente, há 4,4 mil pessoas trabalhando na transposição, mas esse contingente já chegou a ter 9,8 mil funcionários até outubro do ano passado, portanto, até a realização das eleições presidenciais.

Dado o seu estágio atual, a transposição deveria estar no pico de obra neste momento. Martins acredita que, resolvida a situação dos contratos e aditivos, a obra voltará a ter 10 mil pessoas. “A questão dos aditivos era um passivo que estava se acumulando. Tínhamos que vencer essa etapa para nos situarmos sobre a obra”, diz ele.

As novas licitações formadas por remanescentes de lotes de obras trarão, segundo o secretário, exigências para serviços de manutenção nos canais de transporte de água que já foram entregues. Afinal já há estruturas da obra que precisam de reforma, mesmo sem nunca terem sido utilizadas. “Os canais já têm que ter manutenção, por isso esses serviços serão incluídos nesses novos editais”, comentou Martins.

Com todas as características de terem sido executadas a toque de caixa até o ano passado, as obras da transposição exigem casos curiosos, como a construção de uma estação de bombeamento em um terreno que não é o mesmo daquele especificado na licitação. “Isso aconteceu. O consórcio então identificou que se trata de um terreno geologicamente mais complexo, que vai exigir fundações diferentes”, comenta o secretário de infraestrutura. “Infelizmente esses defeitos de projeto atrasam, dificultam, complicam os processos e demandam por aditivos e novas licitações”, diz.

A complexidade da transposição envolve, além das estações energia e de bombeamento de água, a construção de 36 barragens, 17 aquedutos, sete túneis, 63 pontes, 35 passarelas e 165 tomadas de água. Tal é a extensão do projeto que, quando o eixo norte começar a verter água a partir de Cabrobó, no agreste pernambucano, levará 11 meses até encher seus reservatórios e chegar ao último município de destino, a 402 quilômetros. (AB)

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