Taboão está atrás de PPP para construir escola

são paulo – Com estreita margem de investimento, dentro de um Orçamento de R$ 420 milhões, o município de Taboão da Serra – a quinze quilômetros da Praça da Sé, marco zero da capital paulista – procura uma solução alternativa para expandir o ensino público: as parcerias público-privadas (PPPs), como afirmou ao DCI o prefeito do município, o ex-deputado federal Evilásio Cavalcante Faria (PSB).

Apesar de todas as crianças com idade superior a quatro anos terem acesso a educação, segundo o prefeito Faria, vai se buscar diminuir a falta de vagas (com construção de dez novos colégios municipais em um ano) e a quantidade de turnos escolares “de preferência para um turno só”.

Na entrevista publicada abaixo, Evilásio Cavalcante fala sobre as condições econômicas da cidade, o equilíbrio entre os setores comercial, industrial e de serviços em Taboão da Serra e os desafios para a educação.

DCI: Qual é o motor econômico de Taboão da Serra?

Evilásio Cavalcante: Em uma pesquisa que houve no ano passado, Taboão aparece entre os vinte municípios de São Paulo que mais geraram empregos em 2010. É importante frisar que muita gente da cidade se emprega fora dela, nas imediações e principalmente na capital. Através da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da prefeitura, quatro mil pessoas obtiveram empregos regulares no ano passado. Para se ter uma ideia, a maior empresa do município tem dois mil empregados. O que a prefeitura fez equivale a ter aberto duas vezes a maior empresa daqui. Quando uma empresa vem se instalar na cidade, nós treinamos o pessoal com habilidades para aquela atividade. A prefeitura toma a iniciativa, a empresa vem e pode até usar Orçamento Público para fazer o processo de seleção. Isso tem gerado muita empregabilidade em Taboão.

DCI: E quais são os segmentos que mais geram empregos?

Evilásio Cavalcante: Taboão da Serra tem uma planta industrial muito boa. Destacam-se aqui as fábricas de cosméticos, plástico (injetoras) e de autopeças. A cidade cresceu muito no ramo de serviços. Hoje, os serviços correspondem a grande parte da receita da cidade. E também se expandiu o setor de comércio. Todas as grandes redes varejistas nacionais tem lojas em Taboão da Serra, grandes supermercados e magazines. Uma curiosidade: o shopping center de Taboão é um dos de maior movimento no Brasil. O município tem aproximadamente 250 mil habitantes, o shopping atrai mensalmente 1,5 milhão de frequentadores. 500 mil automóveis, por mês, passam pelo estacionamento que dá acesso ao shopping.

DCI: Mas a indústria ainda é o setor mais forte?

Evilásio Cavalcante: Eu diria que está mais ou menos equilibrado, porque cresceu muito o comércio e o setor de serviços. Agora, Taboão é um dos polos de maior investimento em empreendimentos imobiliários, por conta da diminuição da violência, da mobilidade e a facilidade de acesso à cidade, que é 100% urbanizada, sem mananciais ou áreas rurais, e por conta da implantação de muitos equipamentos públicos. Hoje, um dos polos da construção civil é Taboão da Serra.

DCI: Que medidas a prefeitura toma para atrair empresas?

Evilásio Cavalcante: Olha, hoje, felizmente, não existe mais aquela guerra fiscal entre municípios e estados. A prefeitura por si só já é um grande atrativo. Estamos a 15 quilômetros da Praça da Sé; a população é 100% atendida por água e 92% são atendidos por rede de esgoto; a infraestrutura é boa, com quase 96% da malha viária com asfalto; veja que dez estradas ligam a capital com o Brasil e a América do Sul, estando nessas rodovias chega-se até as marginais, e da Marginal do Pinheiros, que é continuação da Marginal do Tietê, há várias vias de acesso para Taboão: Avenida Politécnica, Rodovia Raposo Tavares, avenidas Eliseu de Almeida, Francisco Morato, Giovanni Gronchi, estradas de Campo Limpo e Itapecirica e o Rodoanel. É um valor muito grande para o que é mais difícil na região metropolitana: a mobilidade. Como é que se chega a Ferraz de Vasconcelos ou São Caetano? Há muitas dificuldades. Em Taboão é fácil, o que não deixa de ser um prêmio para a cidade. Outro atrativo é a questão do preparo, da formação da população para o mercado de trabalho, e daqui para frente mais ainda, com equipamentos mais qualificados.

DCI: Quais são as principais áreas de investimento do poder público?

Evilásio Cavalcante: Os três maiores e principais afluentes do Pirajussara, bacia que está dentro de Taboão da Serra, vão ser canalizados. Vamos gastar aproximadamente R$ 120 milhões na canalização. Há dois já em curso e o outro já está em licitação. Até o fim do ano que vem, todos esses afluentes estarão canalizados. É um investimento importante que irá melhorar nossa cidade, diminuindo a questão das enchentes. Nós temos um investimento também, na monta de R$ 200 milhões, para a urbanização de favelas. Taboão da Serra tem 54 áreas de ocupação informal e a meta é tentar urbanizar todas elas em até dois anos – levando água, tratamento de esgoto etc.

DCI: E em educação?

Evilásio Cavalcante: Em educação, nós estamos esculpindo a possibilidade de uma parceria público-privada (PPP), e estamos atrás de investidores que possam construir dez novas escolas de Ensino Fundamental, porque o município não vai ter Orçamento para construir. Através de uma PPP, talvez nós possamos construir dez escolas no intervalo de um ano. Com isso, vamos trabalhar para que a maioria das crianças tenham dois ou um turno nas escolas municipais. Essa é a nossa meta. Quando assumimos a cidade, havia escolas com três ou quatro turnos, inclusive o “turno da fome”. Queremos que, no ano que vem, todas as crianças tenham acesso a escolas com menos turnos, e de preferência com um turno só. Para isso, estamos buscando o formato novo, a possibilidade de uma PPP, com investidores. Nós abrimos 18 creches em cinco anos. Temos, hoje, de quatro anos de idade em diante, todas as crianças na escola. De zero a três anos, 70% estão na creche, mas 30% estão fora. Essa média é muito acima do Brasil, onde 80% das crianças de zero a três anos estão fora das creches. Atingimos a meta porque fomos buscar parcerias. Das 18 creches de Taboão, 17 vieram de parceiros. Nós não temos mais capacidade de investir, então estamos buscando parcerias para ampliar o nosso pátio de escolas e creches.

DCI: Qual foi o valor do Orçamento municipal em 2010? E o deste ano?

Evilásio Cavalcante: No ano passado foi de R$ 360 milhões. É apertado, mas considerando o ano de 2005, o valor mais que dobrou. Para 2011, estamos com expectativa de alcançar R$ 420 milhões. Em 2009, infelizmente o nosso orçamento caiu, foi 15% abaixo do que nós esperávamos, em função da crise financeira internacional.

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