SP Turismo busca sócios para o Anhembi

Roberta Campassi

Com um histórico de prejuízos e sem recursos para aplicar em infra-estrutura, a São Paulo Turismo busca investidores para transformar o Parque Anhembi num centro de eventos completo, apto a abrigar feiras internacionais e fazer jus ao volume de negócios que acontecem na capital paulista. O projeto seria viabilizado por uma parceria público-privada (PPP), por meio da qual empresas privadas assumiriam tanto os investimentos como a gestão do complexo.

A SP Turismo e a Prefeitura de São Paulo, maior acionista da empresa, planejam ampliar a área do Parque Anhembi por meio da incorporação de um terreno pertencente ao aeroporto Campo de Marte, na zona norte da cidade. No local seriam construídos um centro de convenções, uma arena para shows e um estacionamento. O pavilhão de exposições, que hoje ocupa 70 mil m, também cresceria. Para que possa sediar feiras internacionais, deverá ter pelo menos 130 mil m . O Parque Anhembi inclui ainda o Sambódromo.

Por trás do projeto está a constatação de que a prefeitura e a SP Turismo – até 2005, chamava-se Anhembi Turismo – não têm os recursos para recuperar as instalações obsoletas do Parque, erguidas nos anos 70, nem a especialização para comercializar os espaços da forma mais eficiente. Como forma de obter referências para o Anhembi, o prefeito da cidade, Gilberto Kassab (PFL), viajou no fim de março para Milão (Itália) para conhecer o Fiera Milano, complexo de pavilhões aberto há um ano. É um dos mais modernos e também o maior da Europa, com 500 mil m. Custou, ao todo, 750 milhões de euros (cerca de R$ 2 bilhões).

Segundo Domério Nassar de Oliveira, diretor financeiro e de relações com investidores da SP Turismo, os investimentos no Anhembi também seriam “bilionários, mas ainda não há uma estimativa definitiva sobre o valor”.

O projeto não deve ser concretizado tão cedo. “Não há nenhum prazo estabelecido, pois dependemos de muitos fatores”, diz Oliveira. Uma das principais dificuldades para a expansão do Anhembi é a incorporação do terreno do Campo de Marte, a ser negociada com o governo federal. Essa negociação não deve avançar, diz Oliveira, enquanto não existir um plano definitivo para a organização do tráfego aéreo em São Paulo, visto que o aeroporto de Congonhas opera acima de sua capacidade.

Outra barreira é o fato de que o projeto de lei que regula as PPPs na cidade de São Paulo, de autoria do poder executivo, ainda tramita na Câmara Municipal. Embora seja possível viabilizar o projeto com base nas leis federal e estadual, Oliveira afirma que dificilmente esta alternativa será escolhida.

Quanto aos investidores, o diretor afirma que a SP Turismo já foi procurada por empresas interessadas no projeto do Anhembi. “Além disso, desde que assumimos, em 2005, estamos prospectando investidores. Mas muitos se desanimam quando conhecem as dificuldades operacionais”, diz.

Enquanto o projeto não sai do papel, a SP Turismo segue registrando perda de receita e seu prejuízo acumulado já chega a R$ 186,7 milhões, conforme mostra o balanço de 2006 publicado na quinta-feira. No ano passado a empresa teve resultado negativo de R$ 24 milhões, o maior desde 2001. Em 2005, as perdas foram de R$ 18,8 milhões. A receita líquida em 2006, de R$ 70,1 milhões, foi a menor registrada em dez anos, em termos reais. Em 2005, havia sido de R$ 70,7 milhões.

A queda no faturamento pode ser explicada pelo fato de que a Prefeitura de São Paulo, um dos maiores clientes da SP Turismo, diminuiu consideravelmente os gastos com eventos nos últimos anos. Em 2003, por exemplo, o governo municipal pagou à empresa um total de R$ 37,9 milhões pela organização de vários eventos e do Carnaval. Em 2005, esse montante foi de R$ 22,9 milhões e no ano passado caiu para R$ 14,6 milhões. A exceção foi o ano de 2004, quando a prefeitura pagou R$ 80,2 milhões à SP Turismo, por causa das comemorações dos 450 anos da cidade e da realização da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês). Naquele ano, a empresa obteve receita recorde de R$ 118,6 milhões. Desde 2005, a SP Turismo também administra o Autódromo de Interlagos.

Embora a receita, as despesas gerais e administrativas da SP Turismo aumentaram em 15%, para R$ 77,5 milhões, contribuindo para alargar o prejuízo. As despesas financeiras, embora menores do que em 2005, representaram um valor elevado, de R$ 11 milhões – incluem o pagamento de parcelas de uma dívida acumulada desde a década de 1990, referente ao não-pagamento de impostos como IPTU e ISS. Ao final de 2004, a dívida com a própria prefeitura chegava a R$ 74 milhões e foi refinanciada pela administração atual. O presidente atual da SP Turismo é Caio Luiz de Carvalho, ex-ministro de Esportes e Turismo e ex-presidente da Embratur no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

    Pesquise as licitações no seu segmento agora

    Preencha seus dados para concluir a pesquisa

    Confira quantas oportunidades de venda existem no momento.
    Digite nome, e-mail e telefone para ver os resultados.





    Oportunidades de negócio esperando por você

    Aproveite o nosso período de teste gratuito e tenha sucesso no mercado de licitações.

    Licitações e dispensas