Serviço funerário vai mudar pouco com licitação.

Das 23 empresas que estão na disputa, 17 já são permissionárias. Sete pertencem a dois grupos familiares e outras sete atuam em conjunto

Publicado em 07/05/2010 | Ari Silveira

O serviço funerário de Curitiba deverá mudar pouco com a licitação aberta pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente para a contratação das 26 empresas que atuarão na cidade nos próximos dez anos. Das 23 funerárias que continuam na concorrência e que terão as propostas de preços abertas hoje pela comissão de licitação, 17 já atuam na cidade como permissionárias. Além disso, das 23 empresas, sete pertencem a duas famílias e outras sete atuam em conjunto na Central de Luto, que funciona na frente do Serviço Funerário Municipal, no bairro São Francisco. O edital da licitação veda a participação de empresas de um mesmo proprietário ou com os mesmos sócios, mas não impede que funerárias registradas no nome de parentes disputem as 26 vagas.

A família Cooper tem ligação com quatro funerárias que ainda continuam na disputa: Vaticano, Santa Paula, Medianeira e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Outra empresa do grupo, a Memorial, foi desclassificada. A família Sysocki tem ligação com a administração de três empresas: Magnem, A América e Funerária da Luz, de Colombo, na região metropolitana. A Funerária São Fran­cisco, principal e mais tradicional empresa do grupo, foi eliminada. Outra família, a Cubas, tinha duas funerárias inscritas, mas uma delas, a Pires, foi desclassificada.

Outras sete empresas que continuam na disputa atuam em conjunto na Central de Luto: Stephan, Hescke, Nossa Senhora Aparecida, Santa Felicidade, São Lucas, Bonfim e Cecília. Elas funcionam no mesmo endereço, no número 480 da Rua João Manoel, no bairro São Francisco. Segundo o advogado Geraldo Mocellin, que defende a Associação das Funerárias da Região Metropolitana de Curitiba, a Central de Luto é coordenada por Nílson Zancan, Célia Zancan e Cassiano Dalebone Zancan. A família também tem uma funerária, que foi eliminada da concorrência.

Representação

A concentração de empresas pertencentes a pessoas com um mesmo sobrenome levou o advogado Geraldo Mocellin a entrar com uma representação no Ministério Público do Paraná contra a presidente da comissão de licitação, Patrícia Brenner Lopes, e o diretor de Serviços Especiais da Secretaria do Meio Ambiente, Augusto Canto Neto, a quem está subordinado o Serviço Funerário Municipal. Ele alega que há direcionamento da licitação. A representação foi feita quando ainda havia 27 funerárias na concorrência. Segundo Mocellin, 18 delas pertenciam a grupos econômicos. No início do mês, a comissão de licitação eliminou outras quatro empresas, reduzindo o número de concorrentes para 23. Foram excluídas as funerárias Zancan, São Francisco, Memorial e Pi­­res, pois a comissão chegou à conclusão de que haveria ligações de seus sócios com outras empresas.

Concentração

Para Mocellin, a Central de Luto é um exemplo de concentração. “Todas apresentaram como endereço a Rua João Manoel, 480, no bairro São Francisco, onde atuam por meio de uma empresa denominada Central de Luto, onde os sócios e integrantes da família Zancan coordenam todas as empresas, especificamente nas pessoas de Nílson Zancan, Célia Zancan e Cassiano Dalebone Zancan”, afirma Mocellin. A licitação, no entanto, não impede que as empresas atuem em um mesmo endereço.

Liderado pela Funerária Vaticano, cujas sócias são Mírian Brunor Cooper e Mylena Brunor Coo­per, o grupo Cooper é coordenado por Édson Luiz Cooper, sócio de Edimar Mattos na Funerária Memorial, segundo Mocellin. Também fazem parte as funerárias Santa Paula, de Neu­­sa Aparecida Viviurka Cooper e Ezequiel José Cooper, Medianeira, pertencente a Reinaldo Marcelo Cooper e Gabriela Bueno Cooper, e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que tem como sócios Édson Luiz Mattos (cunhado de Édson Luiz Cooper) e Eloíse Cristina Mattos.

Mylena Cooper nega que as funerárias da família constituam um grupo econômico. “Nossa família atua na área há quase um século, e é normal que funerárias sejam empresas familiares”, diz. Segundo ela, não há vínculo entre as empresas. “É uma acusação improcedente, que já foi reprovada pela presidente da comissão.”

O Ministério Público do Paraná informou, por meio da sua assessoria de imprensa, que recebeu a representação na segunda-feira e já solicitou informações da prefeitura. Segundo a assessoria, estão sendo feitas diligências para se conhecer os atos constitutivos de diversas empresas que participam da concorrência. Só depois de obter essas informações será estudada a providência a ser tomada.

Augusto Canto Neto foi procurado ontem pela reportagem, mas seu celular estava desligado até o fechamento desta edição. Ontem à tarde, ele se reuniu com o secretário municipal do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto.

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