Sem radares e lombadas, estradas têm mais mortes.

Menino que pedia doce e presentes morre atropelado em acostamento da BR-116. No Rio, acidentes em vias federais aumentam 13,5%

POR MAHOMED SAIGG, RIO DE JANEIRO

Rio – Viajar pelas rodovias federais que cortam o País nunca foi tão perigoso. Com todos os 321 radares que fiscalizam o excesso de velocidade nas estradas desligados desde outubro de 2007, os motoristas estão pisando fundo e atropelando as leis de trânsito. A imprudência ao volante já provocou a morte de 5.051 pessoas nas estradas federais este ano. Só nos trechos que cortam o estado do Rio, foi registrada pelo menos uma morte a cada dia de janeiro a setembro. Ontem, uma criança morreu atropelada no acostamento da BR-116 (Rio-Teresópolis).

Ariel Souza Ramos, 11 anos, foi atingido quando pedia doces na rodovia federal no sentido Rio. A tragédia aconteceu às 10h45, na altura de Saracuruna, em Duque de Caxias. Segundo a Concessionária Rio-Teresópolis, foi a primeira vez, em 13 anos, que ocorre um atropelamento nessas circunstâncias. A prática de distribuição de presentes em datas como o Dia das Crianças tem aumentado, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A aglomeração de adultos e crianças nos acostamentos foi notada também na Rodovia Washington Luiz. Motoristas que param para fazer doações na beira de estradas podem ser punidos.

12,8% DE FERIDOS A MAIS

De acordo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a violência no trânsito no Rio, que vinha caindo desde 2000, quando os primeiros radares foram instalados, voltaram a subir. Ano passado, foram 481 mortos, contra 470 em 2007. Este ano, foram 329 só até setembro. O número de vítimas feridas subiu 12,8% no estado.

O estudo da economista Daniela Ornelas comparou a violência no trânsito nas vias federais de 1999 — quando ainda não havia nenhum radar instalado — a 2005. Em 2004, os radares evitaram 1.061 mortes e 12.370 acidentes. Considerando que, na época, havia 321 aparelhos instalados, cada um evitou a morte de três pessoas e outros 38 acidentes. A pesquisa foi apresentada no 17° Congresso Brasileiro de Transporte e Trânsito, realizado no início do mês em Curitiba (PR).

“O não funcionamento desses equipamentos está diretamente ligado ao aumento do número de mortes nas rodovias. E precisa ser resolvido com urgência, para que vidas sejam salvas”, cobra Nazareno Affonso, do Comitê Nacional de Mobilização pela Saúde, Segurança e Paz no Trânsito.

Em Campos, carro cai sobre casa

O fim de semana foi de violência no trânsito do Rio. Em Itereré, em Campos, André Ribeiro Marchioi, 23 anos, perdeu o controle de seu Toyota Corolla ELK 7790/SP , caiu numa ribanceira e atingiu duas residências. Apesar de o imóvel e o carro ficarem destruídos, a família que vivia ali só se feriu levemente. O acidente aconteceu na madrugada de domingo. De uma das casas, só sobrou uma parede.

Ontem, foram enterradas cinco pessoas de duas famílias mortas em acidente de carro na Av. Brasil, em Santíssimo. “Esses buracos na Av. Brasil estão matando as famílias. É mais uma que se vai e ninguém faz nada”, desabafou Irinéia de Souza, mãe de Marinalva de Souza, 36, morta no acidente com a filha de dois anos, o marido, e um casal de amigos. Um das hipóteses para o acidente é que o motorista, Ricardo de Almeida Lopes, 33, tenha perdido a direção ao passar num buraco com a pista molhada. Irinéia precisou ser amparada durante o sepultamento, em Campo Grande. Único sobrevivente da tragédia, Marco Antônio de Souza, 6, filho de Marinalva, continua em estado grave no Hospital Rocha Faria. Também foi sepultada ontem Monique Evelin, morta em acidente em Niterói na madrugada de sábado.

Fiscalização eletrônica de volta só em março de 2010

A estrada será longa até a reativação dos radares. O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (DNIT) estima que só em março conseguirá reativar a vigilância eletrônica nas vias federais.

A demora se deve ao cancelamento de dois editais. As propostas para o terceiro já foram entregues, mas o resultado só será conhecido daqui a três meses. E serão necessários mais dois meses para colocar os aparelhos para funcionar. A licitação prevê a ampliação do sistema. Ao todo, serão 2.696 radares, lombadas eletrônicas e aparelhos que flagram avanços de sinal vermelho. O Rio, que contava com 25 equipamentos até o desligamento, receberá 39 lombadas e 38 radares. Ao todo serão investidos R$ 1,4 bilhão nessa compra.

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