São Bernardo tem data para reabrir teatros.

Thiago Mariano

É difícil imaginar uma grande cidade com os teatros vazios. Mas é esta a situação vivida hoje por São Bernardo, com três de seus quatro teatros fechados para manutenção. Desde janeiro, a programação teatral da cidade é praticamente nula – as exceções são algumas peças infantis no Teatro Elis Regina. Segundo a prefeitura, dois espaços voltarão a funcionar até agosto.

Os teatros Cacilda Becker, Lauro Gomes e Abílio Pereira de Almeida estão fechados. “Basicamente, o motivo do fechamento foram as chuvas e a necessidade de manutenção”, explica o secretário de Cultura, Leopoldo Nunes.

Com o volume excessivo das chuvas em dezembro e janeiro, o Cacilda Becker entrou em colapso. “A água chegou praticamente até as últimas fileiras de poltronas”, diz.

Situação parecida viveu o Lauro Gomes. “O que era goteira, virou enxurrada. Daí veio o mofo, o apodrecimento”, acrescenta. As águas acabaram revelando outros problemas. “Havia uma ‘barriga” na plateia. Quem estava no meio não conseguia enxergar nada no palco. Além disso, a parte elétrica não tinha proteção adequada e acabava oferecendo riscos.”

Em obras, estão o Lauro Gomes e o Abílio. A situação do Cacilda envolve outras questões. “O problema é o Paço como um todo, que está em uma região que é encontro de dois rios. A solução para esse espaço está sendo discutida e eu creio que até o fim do ano tenha solução”, afirma o secretário.

A Secretaria de Obras informa que até agosto os dois teatros em reforma serão entregues. O que deve mudar, principalmente, é a qualidade dos serviços que eles vão oferecer. “Queremos trocar o mecânico pelo eletrônico e melhorar a qualidade dos equipamentos de som e luz”, adianta Nunes.

Outra mudança é que, a partir de agora, a programação será definida por meio de editais para atividades culturais, cujas inscrições a prefeitura encerrou na sexta-feira. “Antes, a ocupação destes espaços era basicamente formada por propostas comerciais ou programações institucionais. Com os editais, pretendemos utilizar o espaço com lógica pública, dando espaço tanto para empresas como para artistas e educadores culturais”, explica o secretário.

Centros livres são promessa
São Bernardo, culturalmente, parece estar tomando ‘fôlego para o mergulho”. Outra de suas propostas, a criação de Centros Livres de Arte, caminha para se tornar realidade. Mas, sem prazos definidos, o salto aguarda seu momento.

Serão cinco centros livres: música (em local ainda indefinido), artes visuais (na Pinacoteca Municipal), literatura (na Câmara de Cultura Antonino Assumpção e nas bibliotecas municipais), artes cênicas (no Teatro Abílio Pereira de Almeida) e audiovisual (projetada para o grande centro cultural a ser instalado no espaço dos antigos estúdios Vera Cruz, mas que por enquanto ficará no Espaço Henfil).

Essas ações estão atreladas à criação da Fundação Pierino Massenzi, que será gestora das atividades. Mas, como o projeto da Fundação ainda engatinha, os centros livres devem sair antes do papel.

“Iniciamos as atividades por contratos temporários, o que podemos fazer até por 11 meses”, diz o secretário de Cultura, Leopoldo Nunes.

A proposta é formar artistas e encaminhá-los na profissão. “Haverá política de bolsas não só para iniciantes, mas também para estágio e especialização. Você não pode chegar para uma criança, oferecer o horizonte e depois interromper sua ascensão”, entende Nunes.

Por enquanto, o projeto dos centros livres conta com parceria de uma fundação paulistana, que batalha para captar recursos via Lei Rouanet e dar início ao ambicioso projeto de formação cultural na cidade.

Mais projetos: Fundação e teatro com 800 lugares
“Uma fundação não é algo que se cria num átimo. Mas o legado que fica perdurará por muito tempo”, afirma Leopoldo Nunes, secretário de Cultura de São Bernardo, sobre a minuciosidade no processo de criação da Fundação Pierino Massenzi.

Os estudos sobre seu funcionamento ainda estão acontecendo. Em seguida, segue para o Legislativo, para aprovação, para depois começar a funcionar e gerir toda a parte cultural do município.

“A gente tem problemas, limitações de ordens jurídicas e administrativas. Por exemplo, hoje, já não é mais aceitável o corpo artístico como funcionário público. Poderíamos trabalhar como OS (Organização Social), Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) ou autarquia, mas a fundação é o instrumento mais transparente que você tem para trabalhar com políticas culturais”, diz.

Fundação geralmente funciona como pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos, formada a partir de um patrimônio para servir um objetivo específico de interesse público. A de São Bernardo está em fase de formatação em relação ao seu funcionamento.

Ela irá gerenciar o futuro centro de cultura, que funcionará no espaço dos estúdios Vera Cruz, que, segundo o secretário, está em vias de entrar em licitação e começar a funcionar até o fim do primeiro semestre de 2011.

“O centro cultural é um espaço de ocupação pública. Terá teatro com 800 lugares, cinema, espaço de convivência, os memoriais em homenagem à Vera Cruz, Pierino Massenzi e Walter Hugo Khouri, que foi o cara que trouxe a memória dos estúdios até hoje.”

Os estúdios de produção de cinema formam a parte mais ambiciosa do projeto. “A área de audiviosual será uma cadeia completa, inclusive econômica, de formação e produção cinematográfica. É um setor de alta empregabilidade e faturamento. O fordismo (modelo de produção em massa com linha de montagem automatizada) está acabando. A era digital está transformando os modelos de negócio. Já podemos visualizar esses novos tempos através da indústria fonográfica e literária. E temos toda a juventude para trabalhar e aprender como criar e escoar através desse novo modelo”.

Para Nunes, cinema não é brincadeira: “A proposta da Fundação é tratar a sétima arte não apenas como uma atividade meramente lúdica, mas como uma indústria que atenda ao cinema, televisão, publicidade e outras mídias”.

Maestro Júlio Medaglia já trabalha na Orquestra
A criação da Orquestra Sinfônica de São Bernardo caminha para a concretização. “No aniversário da cidade (20 de agosto), teremos algumas surpresas nesse quesito”, adianta o secretário de Cultura, Leopoldo Nunes.

O maestro Júlio Medaglia, que coordenará os projetos na área musical, está com a mão na massa. “Ele já está praticamente trabalhando conosco todos os dias.” Outros departamentos do Centro Livre de Música, além da orquestra, são as bandas Mirim e Jovem.

A Orquestra Filarmônica de São Bernardo – que de 2000 a 2009 viveu por meio de convênio com a ONG Amigos da Arte, que recebia repasse da administração de R$ 1,5 milhão ao ano – esteve na iminência de acabar. Agora, gerida pela futura Fundação Pierino Massenzi, que pretende captar recursos junto ao governo federal, ganhará a alcunha de Sinfônica e aumento no número de integrantes.

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