Rodoanel terá a outorga depositada, garante Contern

Josette Goulart | De São Paulo

Em menos de um ano, a pequena e pouco conhecida construtora do grupo Bertin, de nome Contern, despontou no cenário nacional com duas grandes obras e muita polêmica, em meio aos questionamentos sobre a capacidade do grupo de bancar os R$ 15 bilhões em investimentos em energia e infraestrutura que se comprometeu a fazer em pouco tempo. Presidente da construtura, egresso do grupo Camargo Corrêa, onde comandava a área internacional do Cone Sul, e atual vice-presidente do Conselho de Administração da concessionária Norte Energia (dona de Belo Monte), Antônio Kelson Elias Filho garante que as polêmicas somente se sustentam porque a construtora tem mostrado que a busca por dois dígitos de retorno na construção pesada não se sustenta mais nesse país. “Nós estamos democratizando o setor de construção pesada”, diz Kelson.

Observando os preços vencedores para os pedágios do Rodoanel, em São Paulo, é possível constatar que a construtora de fato não busca retornos muito altos. Com deságio de 63% nas tarifas, outorga de R$ 370 milhões e investimento de R$ 4 bilhões para o trecho leste do Rodoanel, a Contern junto com a Cibe (empresa do grupo) venceu a licitação do trechos Sul e Leste. “Garanto que no dia 04 de março estaremos depositando os R$ 370 milhões da outorga ao governo do Estado”, afirma Kelson. “E dia 09, estaremos assinando o contrato.”

O presidente da Contern explica que a prorrogação de 30 dias pedida pela empresa para fazer o depósito estava prevista em edital e se deveu basicamente ao fato de que o trecho Sul da rodovia já está pronto e é preciso fazer uma série de vistorias para verificar se as condições do edital se confirmam. Ele garante que toda a equação financeira do empreendimento está resolvida e que em no máximo em seis meses, o trecho Sul já estará gerando receita para o grupo. “O vencedor do trecho Oeste (que a exemplo do trecho Sul, já estava pronto) também deu um deságio de 60% e ainda pagou uma outorga cinco vezes maior”, afirma. “Nossa agressividade se justifica”.

Mas ele não revela os bancos que estão financiando o grupo. A ideia da Bertin é ainda vender parte da sociedade e tem negociado com diversos grupos estrangeiros, segundo o Kelson. Além disso, na parte de construção, a empresa deve subcontratar empreiteiras.

No ano passado, a construtora faturou R$ 740 milhões. Para 2011, a previsão é de que fature pelo menos 30% a mais em função dos novos contratos. Seu portfólio de contratos chega a R$ 4,3 bilhões, e quase um terço disso é de receita prevista com a construção de Belo Monte. Para o empreendimento, dez construtoras formaram um consórcio e juntas vão receber R$ 13,8 bilhões, por oito anos, e todas se responsabilizam uma pelas outras. A Contern terá 10%. Participação relevante se equiparada a grandes construtoras que fazem parte do consórcio, que é liderado pela Andrade Gutierrez e que tem ainda a Odebrecht, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Galvão Engenharia, OAS, J. Malucelli, Cetenco, Serveng-Civilsan.

“Fomos nós que mostramos ao governo que era possível fazer Belo Monte com orçamento menor do que aqueles R$ 30 bilhões que se dizia”, diz Kelson. O diretor de engenharia da Eletrobras, Walter Cardeal, diz, entretanto, que o Bertin não teve nenhuma influência isolada ou que tenha sido decisiva. De fato, foi um grupo de pequenas construtoras que chegou a Belo Monte para formar um consórcio e se contrapor às grandes construtoras. De qualquer forma, é o presidente da Contern que hoje está sentado ao lado de Cardeal no conselho de administração do Norte Energia, como vice-presidente, representando as pequenas construtoras que juntas tem 12,5% do consórcio investidor da usina.

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