Rio pode perder 110 agências dos Correios

Agência O Globo
Por Débora Diniz (economia@oglobo.com.br)
 
O Rio de Janeiro pode sofrer um apagão postal. O alerta é da Associação Brasileira de Franquias Postais (Abrapost), que questiona os critérios da licitação aberta pelos Correios no fim do ano passado. O processo tinha o objetivo de adequar pouco mais de 800 agências franqueadas em todo o país – 221 no Rio – a um novo modelo. Mas apenas cerca de metade delas conseguiu atender às exigências do edital. Resultado: no dia 30 de setembro, todas as unidades não enquadradas terão de fechar as portas. Serão pelo menos 80 agências no Rio, número que pode chegar a 110, pelas contas da Abrapost. A estatal confirma o fechamento das franquias desenquadradas (80), mas garante que o atendimento não será prejudicado.
Um plano de contingenciamento está sendo montado para que as áreas atendidas pelas franquias que serão fechadas sejam supridas por agências próprias ou postos de atendimento. A maioria, porém, deve mudar de local, já que os contratos de locação dos espaços atualmente ocupados foram firmados pelos franqueados, não pelos Correios. A estatal afirma que tem estrutura para manter o atendimento, inclusive de pessoal, que poderia ser movimentado de uma agência para outra. Não é o que diz a Abrapost.
– Por melhor que seja o plano de contingência, com certeza haverá queda na qualidade de atendimento à população. Se os Correios tivessem condições de atender todo mundo, não teriam adotado o modelo de franquia – argumenta Chamoun Hanna Joukeh, presidente da entidade.
A grande queixa dos franqueados é que os Correios não teriam levado em conta peculiaridades locais ao estabelecer os critérios dos novos modelos de agências. Unidades localizadas em cidades históricas, por exemplo, que não podem passar por reformas significativas por serem tombadas, terão de fechar. Segundo eles, as agências próprias não seguem as mesmas exigências.
É o que pode explicar o fato de a única agência franqueada de Ouro Preto, em Minas Gerais, estar sendo fechada. A agência está numa região tombada e o imóvel não pode ser reformado para atender às exigências de estacionamento, acesso a cadeirantes, pé-direito alto e colocação de piso porcelanato, por exemplo. Situação semelhante acontece em Ilhéus, na Bahia. O estado, aliás, teve um percentual de licitações fracassadas ainda maior que o do Rio: 34, para um universo de 66 agências franqueadas, superior a 50%, segundo levantamento da Abrapost.
Conhecida pelo tráfego secular dos bondes em suas ruas estreitas e pela arquitetura peculiar dos imóveis, o bairro de Santa Teresa, no Rio, também vai perder sua única agência dos Correios. Sem encontrar imóvel que atendesse às exigências do edital, o franqueado desistiu da licitação e decidiu fechar as portas no próximo dia 30, um mês antes do prazo da estatal.
– Não foi por falta de interesse, simplesmente não consegui achar outra loja aqui. Decidi fechar logo para reduzir o custo operacional – lamenta Hosando Pereira de Sousa, que mantinha a unidade há 18 anos e atendia, em média, 80 pessoas.
Diretor da Abrapost/Rio, Sousa ressalta que a situação vai ficar crítica em algumas regiões do interior. No Vale do Paraíba, diz, das dez franqueadas, apenas uma participou da licitação. Além disso, uma lista preliminar das licitações fracassadas ou desertas, liberada pelos Correios, mostra que alguns bairros vão perder suas únicas agências: Flamengo, Coelho Neto, Higienópolis, Leme, São Conrado, Freguesia (Ilha do Governador), Gávea, Marechal Hermes, Urca e Andaraí, além de Santa Teresa.
Ao todo, existem 1.368 agências franqueadas no país. Em 2009, os Correios fizeram a primeira licitação para enquadrá-las em um modelo padronizado, mas apenas 550 contratos foram fechados. A licitação atual foi aberta no ano passado e pretendia regularizar as outras 818. A estatal afirma que o processo atende a determinação legal – cumprindo a Constituição e a Lei de Licitações – e de governo.
– Nosso objetivo é ajustar os procedimentos e preservar o bem-estar dos clientes, o que o modelo antigo não permitia. Além disso, a licitação possibilitou que um número maior de pessoas pudesse concorrer – justifica Maria da Glória Guimarães dos Santos, vice-presidente de Rede e Relacionamento com os Clientes dos Correios. – O cliente não vai ficar sem atendimento e vai perceber as melhorias.
A Abrapost diz ainda ter esperança de que a estatal reveja os critérios e leve em conta as peculiaridades locais, aumentando o prazo previsto para a entrada em operação do novo modelo. O presidente da entidade afirma que a lei na qual os Correios fundamentaram a licitação determinava a manutenção e a ampliação da rede, o que não estaria sendo respeitado. Outra crítica é direcionada ao pouco tempo para que as agências licitadas operem plenamente no novo padrão (12 meses a partir da assinatura do contrato). A exigência estaria provocando uma corrida a equipamentos, como computadores, balanças e sistema operacional, acima da capacidade dos fornecedores.
– O atendimento próprio dos Correios já é deficiente, imagine sem as franquias. Estamos dando um passo atrás – avalia Joukeh.

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