Ressaca nesta quinta destruiu trecho do calçadão de praia em Niterói

Dois quiosques foram interditados por segurança em Piratininga

Ressaca nesta quinta destruiu trecho do calçadão de praia em Niterói
Calçadão da Praia de Piratininga desaba durante ressaca – Paulo Oberlander / Divulgação

NITERÓI — Uma semana após a promessa da prefeitura de reformar o calçadão de Piratininga, na Região Oceânica, o local voltou a ser danificado por fortes ondas, que atingiram a estrutura na madrugada de ontem. Um trecho de aproximadamente 50 metros foi destruído pela ressaca. O local foi isolado pela Defesa Civil de Niterói. Não houve vítimas, mas dois quiosques tiveram a estrutura danificada e foram interditados, e os acessos a outros três foram bloqueados.

‘O prejuízo é grande. Eu fiquei sem o meu trabalho, a minha renda. A parte da frente da calçada foi toda destruída’
MANOEL FRANCISCO DA SILVA, COMERCIANTE
lamentando a interdição do seu quiosque em Piratininga

Na última sexta-feira, O GLOBO-Niterói antecipou que o município pretende construir um muro de contenção em formato de arquibancada. O objetivo, com a nova estrutura, é revitalizar a orla e impedir outros desabamentos provocados pelo impacto das ondas. O trabalho, com duração de oito meses, está planejado para começar em setembro.

O desmoronamento ocorreu por volta das 3h, segundo moradores. O vice-prefeito, Axel Grael, que esteve no local pela manhã, informou que os escombros não serão retirados agora. A ideia é que o material seja aproveitado na construção do muro, que contará, ainda, com pedras retiradas da escavação do túnel Charitas-Cafubá, obra da Transoceânica. Segundo ele, a retirada do material poderia expor ainda mais o calçadão à força das ondas. De acordo com a prefeitura, o incidente não afetará o cronograma do novo muro de contenção.

DONO DE QUIOSQUE INTERDITADO LAMENTA PREJUÍZO

Morador de Piratininga, Manoel Francisco da Silva, conhecido como Maçarico, é dono de um dos quiosques interditados. O comerciante, que chega a faturar cerca de R$ 3 mil em um dia de sol no fim de semana, diz que está preocupado com o futuro:

— O prejuízo é grande. Eu fiquei sem o meu trabalho, a minha renda. A parte da frente da calçada foi toda destruída. Uma parte do calçadão foi derrubada. (O quiosque) está todo rachado. Não desabou ainda, mas uma parte já cedeu.

Ele acrescenta que já pediu à prefeitura uma alternativa:

— Pedi autorização para ver se eles me dão a oportunidade de montar um outro quiosque, provisório. Essa é a fonte de renda da minha família e dos meus funcionários. Dependendo do dia, trabalhamos eu, meu filho, minha mulher, minha e mais cinco pessoas.

Em nota, a prefeitura informou que “os donos dos estabelecimentos devem procurar a Secretaria Municipal de Ordem Pública para solicitar uma autorização provisória de trabalho em outro local da orla”. Além disso, o órgão afirmou que o Centro de Referência em Assistência Social (CRAS) do Badu “também foi acionado para auxiliar os proprietários dos quiosques afetados. Técnicos do CRAS iniciaram o acompanhamento familiar e estão fazendo o levantamento socioeconômico dos comerciantes. Após o parecer social, eles serão inscritos no cadastro no CadUnico (Cadastro Único para Programas Sociais) do município”.

CONSELHO COMUNITÁRIO CRITICA PROJETO

 ‘O projeto apresentado dificilmente dará certo. Não faz sentido avançar ainda mais o calçadão. Entendemos que o necessário é recuar o atual paredão’
Gonzalo Peres, presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica
criticando o projeto de reforma do calçadão
O projeto do novo muro de contenção foi elaborado pela Empresa Municipal de Moradia, Urbanização e Saneamento (Emusa) e prevê a construção da estrutura ao longo de 1,6 quilômetro, com cinco rampas de acesso à praia. O início será no canto esquerdo da praia, na altura do antigo toboágua, e compreenderá cinco quarteirões da orla. O muro de concreto é em forma de escada, com cinco ou seis degraus de 80 centímetros de altura cada. A solução resolverá o problema crônico, garante a prefeitura.
De acordo com a prefeitura, “serão feitos estudos sobre as correntes marítimas, o impacto do mar e a ocupação urbana na praia de Piratininga” para a realização do projeto. O edital de licitação será publicado em maio. Orçada em R$ 9 milhões, a reconstrução da orla está prevista para começar em setembro deste ano e deve ser concluída em oito meses.
O presidente do Conselho Comunitário da Região Oceânica (Ccron), Gonzalo Peres, critica a iniciativa:
— O projeto apresentado dificilmente dará certo. Não faz sentido avançar ainda mais o calçadão. Entendemos que o necessário é recuar o atual paredão.
Até o momento, a prefeitura não comentou a crítica de Peres.

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