Ranking dos profissionais da maracutaia.

A ONG Transparência Internacional anunciou seu mais recente levantamento sobre a percepção de corrupção em 178 países. Para elaborar a relação, a entidade questiona o setor privado sobre a frequência com que é obrigado a pagar propinas ao governo, corromper funcionários estatais ou contribuir para desviar dinheiro público. A metodologia serve como um termômetro que revela onde os políticos mais abusam no trato do patrimônio público, utilizando-o como se fosse um bem particular, pertencente a um partido, a um grupo de pessoas ou a um segmento empresarial. Revela onde eles mais se alvoroçam no sentido de tornar o Estado refém de interesses privados.

Como campeões da honestidade aparecem a Dinamarca, Nova Zelândia e Cingapura. Já o Brasil continua numa posição vexatória, ocupando a 69ª lugar, pior que a Arábia Saudita, Turquia, África do Sul, Tunísia, Botsuana, Gana e Ruanda. Isso mesmo, em países africanos e do Oriente Médio, onde a ilicitude nas relações público-privada é, historicamente, vista como um fenômeno endêmico, a corrupção é menos perceptível que na sociedade brasileira.

Se a posição brasileira no ranking permanece incômoda com a situação divulgada em 2010, ela fica mais dramática quando se observa que oito anos atrás o País ocupava a 45ª colocação na lista. Ou seja, no período em questão houve uma clara degradação ética no Brasil e ela ocorreu justamente na gestão de um partido que chegou ao poder empunhando a bandeira da transparência e da lisura no trato das questões públicas.

Casos emblemáticos de corrupção como a compra de votos no Congresso através do “mensalão”, o desvio de dinheiro na saúde pública praticado pelos “sanguessugas” e o tráfico de influência praticado pelo filho da ex-ministra da Casa Civil são alguns dos exemplos mais famosos que envergonharam o País no cenário mundial. Muito se roubou do cidadão que, a cada ano, tem que trabalhar cada vez mais para abastecer o saco sem fundo das contas públicas, e de onde recursos evaporam para abastecer os esquemas de desvio de dinheiro.

O levantamento da Transparência Internacional serve para reforçar a necessidade de uma reforma política no País. Ela é uma demanda fundamental para moralizar a administração pública brasileira e combater a corrupção. É uma ação que deve ser capaz de “desprofissionalizar” a política e desmantelar as organizações criminosas incrustadas no governo.

A reforma política deve remodelar os parâmetros comportamentais dos homens públicos brasileiros e uma de suas diretrizes deveria ser o combate aos políticos de carreira. Um cidadão que tenha perdido sua condição de sustentação no setor privado, que se afastou de sua profissão e que passe a depender da política para sua manutenção, torna-se capaz de tudo e de qualquer coisa para sobreviver. A profissionalização na política é um dos fatores que alimentam a vergonhosa corrupção que impera no Brasil.

Marcos Cintra

mcintra@marcoscintra.org

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