Prefeitura de São Paulo quer privatizar o carnaval

sonia.racy@grupoestado.com.br

À frente dos tempos, a Prefeitura de São Paulo se organiza para privatizar o carnaval da cidade. “Este é o caminho natural, desejado pelo prefeito Kassab”, conta Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris, que lança, também, este ano, uma novidade ambiental: vai medir a emissão de carbono durante as festas e exigir uma contrapartida na plantação de árvores.

Aqui vão trechos da sua entrevista a esta coluna:

Qual o futuro do carnaval no mundo globalizado? Ele pode ser comercializado nestes tempos de tecnologia múltipla?

Como tudo, o carnaval também se adaptará às novas demandas de mídia, de comunicação. Mas sempre terá preservado o fato de que, mesmo com toda a tecnologia, só viverá mesmo o evento quem está no sambódromo, vibrando, sentindo o empenho dos ritmistas e o bater do coração na passagem da bateria de cada escola. No caso da comercialização do espetáculo, de suas imagens e transmissão, não vejo como algo muito diferente dos grandes shows, das turnês. O mundo globalizado coloca o Brasil mais próximo da demanda e isso influenciará beneficamente o carnaval.

O carnaval sai caro para as prefeituras. Como o senhor vê a possibilidade de se privatizar o carnaval paulista? Ou, ainda, montar uma PPP?

Com bons olhos, sem dúvida. E este é o caminho natural desejado pelo prefeito Kassab. Não foi neste ano, mas poderá ser no próximo, o início das grandes PPPs. Já estamos trabalhando com as escolas de samba no sentido de se auto-sustentarem e dependerem cada vez menos de investimento público. Neste ano, empresas de peso começaram a se interessar por esse enorme negócio que, só com receitas no sambódromo, gera mais de R$ 30 milhões de lucro. A Prefeitura tem todo o interesse, até por ser um caminho natural: você fomenta, encuba e depois deixa o negócio andar com as próprias pernas.

Quais as vantagens e desvantagens?

Não vejo desvantagens. As escolas poderão se programar sem a pressão de não saberem quanto e quando vão receber da Prefeitura ou qual o orçamento aprovado pela Câmara. Poderão desenvolver parcerias, permitindo mais investimentos no crescimento do carnaval como um todo. Muitas escolas, de fato, já fazem isso. Escola de samba do Grupo Especial, que investe apenas o que recebe da Prefeitura, não consegue se manter nesse grupo dois anos seguidos. Há vantagens para a Prefeitura também, que poderá concentrar os investimentos em infra-estrutura, segurança, conforto. A verdade é que só agora o setor privado começa a entender o grande negócio que é o carnaval de São Paulo. E sei que o Nizan Guanaes, homem de visão, está interessado em ajudar nosso carnaval, por apostar no seu valor .

É verdade que São Paulo está aderindo ao movimento de preservação ambiental neste carnaval? Como se dará isso?

É verdade. Em 2007, São Paulo, novamente na vanguarda, entra para a história como realizadora do primeiro carnaval neutrocarbonizado do mundo. Por uma parceria da São Paulo Turismo, Secretaria do Verde e do Meio Ambiente e Fundação SOS Mata Atlântica, estaremos medindo a emissão de carbono resultante do evento no sambódromo. E, para compensar essa emissão, serão plantadas e monitoradas pela SOS Mata Atlântica mais de 2 mil árvores. É um fato inédito, de impacto midiático mundial, alinhado com o trabalho que já vem sendo feito pela Prefeitura. Além disso, as escolas de samba vêm há muito chamando a atenção para questões ambientais: um terço dos enredos que será apresentado no sambódromo este ano tem alguma relação com tema ambiental. Vai Vai e Rosas de Ouro são exemplos. Sem falar nos blocos. O Unidos de Vila Carmosina e Progresso, que desfilará na Vila Maria, terá como enredo “Pet e Arte”, sobre as garrafas pet. Já a escola Estrela do Terceiro Milênio vai lembrar dos 100 anos da Represa de Guarapiranga e seus problemas ambientais.

Quanto a Prefeitura de São Paulo vai gastar neste carnaval?

Uma lei municipal obriga a Prefeitura a organizar o carnaval. Em 2007, investimos R$ 17,5 milhões, repassados às dezenas de entidades e pagamentos com gastos em infra-estrutura. Isto é menos que os R$ 18 milhões que se gastaram em 2004, antes de assumirmos a Prefeitura.

Para onde foram estes recursos, mais especificamente?

São Paulo tem 14 escolas de samba no Grupo Especial, 10 no Grupo de Acesso e 72 escolas ou blocos nas categorias de base, 2 afoxés que fazem a abertura nos desfiles no sambódromo, 10 bandas e 12 grupos pré-carnavalescos. Ou seja: são 120 agremiações financiadas em parte por este investimento direto da Prefeitura. Elas reúnem mais de 200 mil pessoas que, durante o ano inteiro, vivem do carnaval, desenvolvendo trabalhos sociais notáveis de inclusão social e gerando milhares de empregos formais e informais. No quesito infra-estrutura, entram obras, som, iluminação, contratação de seguranças e de mais de 2 mil ônibus da São Paulo Turismo, para os cinco bairros onde são realizados os desfiles oficiais gratuitos, além do sambódromo.

Que tipo de parcerias foram feitas e quanto arrecadou-se?

Os investidores em 2007 são Brahma, Nossa Caixa e Casas Bahia. O investimento é de cerca de R$ 4 milhões.

A Liga das Escolas recebe quanto?

Por estar inadimplente em algumas obrigações, a Liga Independente das Escola de Samba de São Paulo não recebe nada. Com isso, fizemos a contratação direta das escolas, representadas pelo Comitê Gestor do Carnaval. Elas receberam investimento direto de R$ 10 milhões, dos R$ 17,5 milhões, e prestarão contas individualmente, o que é visto como um avanço pelos órgãos de controle.

E os direitos de transmissão?

O chamado direito de arena é das escolas de samba, negociado diretamente com a Rede Globo. A Prefeitura não recebe nada do ponto de vista financeiro, mas aufere o lucro de ter um espetáculo da cidade transmitido para vários pontos do mundo. Por sinal, a audiência da Globo nas transmissões do carnaval de São Paulo é maior que na transmissão do evento carioca.

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