Porto de Aratu e potencial turístico da Baía de Todos os Santos podem retomar crescimento econômico

A Baía de Todos os Santos (BTS) é a “joia da coroa” da logística brasileira. Isso porque, segundo o diretor executivo da Associação de Usuários de Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa, ela reúne todos os requisitos necessários à adequada localização de portos e terminais o que possibilita serviços logísticos eficientes. “A Baía de Todos os Santos é o melhor sítio de todo o Atlântico Sul para desenvolvimento da atividade naval e portuária”, afirma Villa.

É pela área de influência da BTS que passa 70% do PIB (Produto Interno Bruto) do estado e é nela que estão as principais portas de entrada e saída das riquezas baianas: os portos de Salvador e Aratu. Isso sem falar no potencial para o turismo náutico, sem perder o foco no desenvolvimento sustentável, visando à retomada do crescimento econômico do estado.

Algumas características fazem da Baía de Todos os Santos ideal para a maior eficiência e competitividade dos portos instalados. Entre elas, a fácil acessibilidade, sua amplidão, clima favorável para operações durante todo o ano e boa profundidade para a circulação de grandes embarcações.

Perda de competitividadeApesar das condições favoráveis, o potencial da baía para a atividade portuária não vem sendo totalmente explorado. A movimentação de cargas no porto de Aratu, responsável por 60% de toda a carga operada por modal marítimo na Bahia, também reflete a incapacidade baiana de atender a uma demanda crescente.

Entre 1996 e 2004, o volume de cargas movimentadas em Aratu cresceu 11,8% ao ano, segundo estudo do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), em parceria com a Usuport. Em 2004, o complexo de terminais públicos movimentou 6,6 milhões de toneladas. Em 2015, foram 6,1 milhões de toneladas – uma queda de 7,5% para o período.

Além disso, o tempo médio de espera para cada uma das 562 embarcações que atracaram no porto em 2015 foi de 58 horas – que somadas dão um total de 1.352 dias perdidos, o que aumenta os custos para as empresas. “Este índice de sobrestadia acima do padrão revela que o porto está com nível de atendimento abaixo do esperado. Porto não é para ter espera”, explica o coordenador do Conselho de Portos da Fieb (Federação das Indústrias da Bahia), Sérgio Faria. De acordo com ele, a ineficiência portuária é uma barreira para que o produto baiano seja mais competitivo.

Segundo o vice-presidente da Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem, Marcelo Cerqueira, as instalações portuárias situadas na Baía de Todos os Santos são vitais para o abastecimento de petroquímicos e combustíveis da Bahia e para a economia do Estado. “O movimento crescente do volume escoado e a ocupação dos seus píeres demonstram a necessidade de novos investimentos em infraestrutura, em especial no Porto Industrial de Aratu. Sem esses investimentos, não há como promover a retomada do crescimento econômico”, afirma Cerqueira.

Apesar das críticas, o presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), José Muniz Rebouças, acredita que o maior gargalo do desenvolvimento econômico do estado é a falta de logística como um todo. “A grande questão portuária baiana não está nos portos, mas na inexistência de uma logística adequada. Aratu, por suas características, necessita de um modal ferroviário eficiente, que faça a interligação com as demais regiões do estado e além da Bahia”.

Ainda segundo Rebouças, o modal adequado permitiria à indústria baiana ser mais competitiva, com escoamento mais eficiente e substancial redução de custos para a indústria.

O impacto da Baía de Todos os Santos na retomada da economia da Bahia foi um dos temas debatidos no Conselho do Agenda Bahia, que se propõe em 2016 ser um fórum permanente. A realização do evento é do CORREIO e da rádio CBN, em parceria com a Braskem, a Coelba e a Fieb.

Investimento em infraestrutura para aumentar competitividade
O porto de Aratu opera atualmente com uma ocupação dos píeres superior a 90%. De acordo com o coordenador do Conselho de Portos da Fieb (Federação das Indústrias da Bahia), Sérgio Faria, a ocupação acima de 70% já é um sinal de alerta. “É um sinal de que deve se pensar em alternativas para se reduzir a espera”, afirma.

Faria ressalta a necessidade de investimentos emergenciais para garantir a modernização do porto. “Aratu é um porto estratégico, planejado, muito bem pensado, mas está há mais de 20 anos sem receber investimentos, precisa de melhoria tecnológica e de infraestrutura, recuperação da estrutura desgastada pelo tempo”, destaca o coordenador. Segundo Sergio Faria, um dos terminais está para ser arrendado há mais de quatro anos e não teve o edital publicado ainda. “É um processo fundamental para a economia da Bahia”, completa.

Para o superintendente geral do Comitê de Fomento Industrial de Camaçari (Cofic), Mauro Pereira, para atrair investimentos é necessário oferecer segurança jurídica. “Hoje o governo federal está paralisado nas grandes decisões e são essas decisões que estão travando o desenvolvimento do país. Precisamos de segurança jurídica para atrair investidores”, analisa.

Para as empresas que já são usuárias do Porto de Aratu, as melhorias e ampliação da infraestrutura são urgentes.

A Braskem, empresa âncora do Polo Industrial de Camaçari, se prepara para investir R$ 600 milhões na construção de um novo píer no local, em complemento ao terminal de matérias-primas já existente, e evitar o colapso logístico. É o que afirma o vice-presidente da Unidade de Petroquímicos Básicos da Braskem, Marcelo Cerqueira.

“O novo píer poderá movimentar mais de 3 milhões de toneladas de produtos petroquímicos e será decisivo para a sobrevivência do Polo Industrial de Camaçari e o desenvolvimento da economia baiana, tendo como consequência a melhoria da infraestrutura e da competitividade no Porto de Aratu”, aponta.

O projeto, que está em fase de obtenção das licenças, tem previsão para entrar em operação no final de 2017. Entre os benefícios para a competitividade da indústria baiana, segundo Marcelo Cerqueira, está o aumento da eficiência do porto ao permitir o tráfego de navios de maior porte, resultando em economia de frete e maior número de atracações; a redução direta dos custos com sobrestadia e do risco de parada do polo petroquímico; e a melhoria da infraestrutura que, de forma geral, abre a possibilidade de viabilizar novas empresas na região.

O diretor executivo da Associação de Usuários de Portos da Bahia (Usuport), Paulo Villa, estima a necessidade de R$ 2,5 milhões em investimentos como ação emergencial para os portos de Salvador e Aratu. “Sem estes investimentos, não temos como voltar a crescer. Todos os portos públicos do Brasil cresceram. Os da Bahia não”.

Desenvolvimento pelo turismo
A segunda maior baía do mundo, centro do litoral brasileiro e coração da chamada Amazônia Azul é também um dos cartões postais mais belos do Brasil – requisito para ser um grande atrativo aos visitantes nacionais e estrangeiros, que ajudam a movimentar a indústria do turismo. O secretário municipal de Cultura e Turismo de Salvador, Érico Mendonça, ressalta que a capital tem um papel de protagonismo por ser o município que tem a maior parte da área molhada da Baía de Todos os Santos (BTS). “Ela é um ativo importante para o desenvolvimento do turismo náutico, que é um segmento considerado relevante para a atividade turística da cidade, aliada ao turismo cultural. A BTS tem um papel preponderante para que essa atividade possa se desenvolver da melhor forma”, ressalta.

Para qualificar o turismo náutico na BTS, o governo do estado anunciou um investimento de US$ 84,7 milhões em intervenções e estudos, por meio do Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo – Prodetur Bahia, em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Segundo o secretário estadual de Turismo, Nelson Pelegrino, o banco vai conceder um empréstimo de US$ 50 milhões. Os outros US$ 34,7 milhões serão contrapartida do governo estadual. “Agregado ao turismo náutico temos um grande potencial cultural”, afirma o secretário. Ainda de acordo com ele, o projeto abrange toda a BTS e mais o estuário do Rio Paraguaçu, totalizando a área de 18 municípios – Salvador e outros 17.

Entre as intervenções previstas estão a construção de infraestrutura náutica, recuperação de píers e atracadouros que já existem e construção de nove bases náuticas e/ou pontos de apoio para embarcações na baía. “Estão sendo feitos estudos para analisar a melhor localização e a quantidade ideal tanto das bases quanto dos pontos de apoio”, esclareceu o secretário. A ideia é que as bases náuticas ofereçam estrutura como bomba de combustível para abastecer as embarcações, lanchonetes e restaurantes para os turistas, internet e aluguel de equipamentos para prática de esportes náuticos. O projeto prevê ainda a adequação da sinalização para o transporte náutico conforme os padrões internacionais. “O balizamento que existe é para navios cargueiros. Então, é necessária uma sinalização para embarcações de turismo”, explicou Pelegrino. O projeto aguarda o lançamento da licitação, previsto para amanhã, para contratação da empresa que vai realizar o estudo de demandas.

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