Nova licitação para construção de estação brasileira na Antártica pode chegar a R$ 245,6 milhões

Primeiro projeto, orçado em R$ 147,7 milhões, não teve nenhum interessado

Para realizar adequações no projeto de engenharia e permitir que empresas estrangeiras se habilitem a realizar a obra, a reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, destruída por um incêndio em 2012, ficou mais cara.
Depois de lançar uma primeira licitação apenas para companhias brasileiras, que terminou sem interessados em fevereiro, a Marinha abre na próxima quarta-feira uma concorrência pública internacional com custo de US$ 110,5 milhões, cerca de R$ 245,6 milhões. O valor anterior era de R$ 147,7 milhões — uma diferença de 66%.
As cifras são consideradas o teto previsto para o empreendimento, pois a licitação terá como vencedor quem apresentar o menor preço. A Marinha justificou o aumento em virtude de ajustes no projeto da base. Após realizar no último verão um estudo de solo na região de Ferraz, na Ilha Rei George, constatou-se a necessidade de mudanças nas fundações da futura estação.
— Usaríamos microestacas a cerca de 15 metros de profundidade, mas o estudo só encontrou rocha a 70 metros. Tivemos de trocar as estacas por fundações diretas, que são blocos de concreto — explicou o capitão de mar e guerra Geraldo Gondim Juaçaba Filho, responsável pela reconstrução.
Outro fator que auxiliou a elevar o preço foi a abertura da concorrência pública para empresas estrangeiras. Assim, valores de logística, mão de obra e seguro tiveram de ser orçados em dólar e com patamares de preços internacionais.
— O custo de um engenheiro fora do país é maior. Quando não tivemos interessados na licitação anterior, consultamos algumas empresas, que pediram para que os valores ficassem em dólar para evitar variações cambiais — afirmou o contra-almirante Marcos Silva Rodrigues, secretário da comissão que responde pelo Programa Antártico Brasileiro (Proantar).
Companhias da China, Alemanha, Reino Unido, Coréia do Sul e um consórcio multinacional demonstraram interesse na nova Ferraz. São empresas que possuem expertise para construir em locais inóspitos e frios — temperatura média na Ilha Rei George fica em -10ºC no inverno e em 0ºC no verão, e os ventos podem chegar a 200 km/h.
Ao lançar a nova licitação, a Marinha abre prazo de 45 dias para abertura dos envelopes de qualificação dos inscritos. A expectativa é assinar o contrato em outubro, com começo da reconstrução no próximo verão antártico, entre novembro de 2014 e março de 2015. O prazo de inauguração foi mantido para março de 2016, mas não se descarta adiamentos.
— Na Antártica, um local inóspito e instável, tudo é previsão. O importante é ter uma estação de primeira linha para a ciência brasileira — diz Silva Rodrigues, que assegura que a obra não terá interferência na produção dos pesquisadores na região.
Moderna, dotada de 18 laboratórios e outros espaços como biblioteca, sala de convivência e centro cirúrgico, a nova Ferraz terá 4,5 mil m², apta a acomodar mais de 64 pessoas no verão e 34 no inverno. A estrutura terá sistemas inteligentes de energia e prevenção de incêndio. O prédio será erguido no mesmo local da base destruída pelo fogo, que foi inaugurada em 1984 na Península Keller, Ilha Rei George, na região peninsular da Antártica.

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