Nova dragagem do Porto de Santos deve começar no começo de 2015

Afirmação partiu do secretário de Infraestrutura Portuária da SEP. Profundidade deve ficar entre 15,4 e 15,7 metros após o serviço.

Mariane Rossi

Dragagem do canal do Porto de Santos deve começar em 2015 (Foto: Ivair Vieira Jr/G1)
Dragagem do canal do Porto de Santos deve começar em 2015 (Foto: Ivair Vieira Jr/G1)

O novo contrato para a realização da dragagem do Porto de Santos, no litoral de São Paulo, deve ser assinado até o fim deste ano. Foi isso que garantiu nesta quarta-feira (13) Tiago de Barros Correia, secretário de Infraestrutura Portuária da Secretaria Especial de Portos (SEP), durante o Santos Export, em Guaurjá, também no litoral paulista.
O primeiro painel do dia, “Desafios e Soluções Operacionais do Porto de Santos”, começou às 9h40, com a presença de Paulino Moreira Vicente, diretor de Infraestrutura da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp); Cláudio Loureiro de Souza, diretor-executivo do Centronave; Matheus Miller, secretário-executivo da Abtrapaulo; Sérgio Barbosa, presidente da Praticagem do Estado de São Paulo; além de Tiago de Barros Correia.
Correia disse que foram recebidas propostas de empresas interessadas em realizar a dragagem do Porto de Santos, mas o orçamento de todas ficou acima do esperado. “Ao caminhar para um contrato de longo prazo, surgem alguns riscos, como o câmbio e a inflação, o que gera um impasse muito grande”, afirma.
No entando, segundo o secretário, a SEP preferiu seguir com o contrato a longo prazo. Mesmo com uma nova licitação, os preços vieram acima do valor orçado. Foi feita uma negociação com a empresa, mas não chegou-se a um consenso. O segundo colocado na licitação foi chamado e tem até 19 de agosto para apresentar a proposta. “Se não houver êxito, convocaremos o terceiro colocado”, afirma. De acordo com Campos, se essa licitação não der certo, há duas opções. A primeira seria fazer uma nova licitação, com um prazo mais curto, para reduzir o risco de câmbio. A segunda alternativa seria uma negociação com as empresas que não participaram da primeira licitação.
Correia afirmou que o compromisso da SEP, da Codesp e do Governo Federal é manter o calado de Santos e não retroceder na profundidade. “Para manter a meta de 15 metros, nós estamos solicitando que a profundidade fique em uma faixa entre 15,4 e 15,7 metros”, explica. Ele garantiu que não faltam recursos para a SEP realizar a dragagem do Porto de Santos. “Eu acredito que neste semestre a gente assine o contrato e inicie os estudos para a elaboração do projeto executivo, e comece a dragar no começo de 2015 ou esse ano ainda”, afirma.
Paulino Moreira Vicente, diretor da Codesp, disse que a dragagem de manutenção já está sendo realizada em alguns pontos, para manter o calado e obter ganhos. “Temos contratos em vigência para o desassoreamento. Nos próximos 90 dias, vamos ter 13,2 metros ao longo dos 22 quilômetros do canal”, ressalta.
Para Sérgio Barbosa, presidente da Praticagem do Estado, o importante não é somente a profundidade, mas o gerenciamento do canal. “Dentro da limitação de profundidade que nós temos, conseguimos extrair o máximo de benefícios. O deal seria de 18,5 metros”, diz. Mas, segundo ele, isso é complicado nos dias atuais.
No entanto, Paulino acredita que não é necessário atingir essa profundidade, já que a escavação seria muito maior e se tornaria necessário seguir um novo regime hidrodinâmico. “A gente não identifica essa necessidade, e mesmo que ela houvesse, os cais existentes não estão preparados para receber um aprofundamento com essa ordem de grandeza”, explica.
Cláudio Loureiro de Souza, diretor-executivo do Centronave; e Matheus Miller, secretário-executivo da Abtrapaulo, deram algumas sugestões para que as licitações e, consequentemente, a dragagem do Porto de Santos comecem assim que possível. Segundo eles, o interesse dos empresários é receber navios de maior calado.
1º dia do evento
A 12ª edição do Santos Export – Fórum Internacional para a Expansão do Porto de Santos começou nesta terça-feira (12) e contou com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer, do Ministro dos Portos, Cesar Borges, do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, além de prefeitos e autoridades da região. O evento reúne até quarta-feira (13) os maiores especialistas do setor portuário para debater as principais questões da área no Hotel Sofitel Jequitimar, em Guarujá.
O primeiro painel de debate, “Tribuna do Porto”, teve a participação do ministro dos Portos, Cesar Borges, que ocupa o cargo há 47 dias. Ele disse que é preciso firmar, cada vez mais, parcerias entre os setores público e privado, para o desenvolvimento dos portos. Segundo Borges, é preciso também uma interação entre os modais ferroviário, aeroviário e portuário, para uma maior eficiência no transporte de cargas no Brasil.
O ministro também citou todas as questões nas quais está trabalhando para o melhor desenvolvimento dos portos, como o arrendamento de áreas concedidas antes da lei de 1993, os terminais de uso privativo, a renovação dos contratos de adesão, os investimentos nos portos públicos, além da prorrogação antecipada de contratos que se encontram no Ministério dos Portos. Ele disse que o primeiro contrato deve ser assinado em 15 dias. O ministro também afirmou que é preciso manter o calado do porto santista. “Não retroceder jamais, aprofundar sempre que puder os calados. Queremos atuar tranquilamente com os navios. O que temos em vista é manter o calado de Santos operando com 15 metros”, diz.
Já o presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Angelito Caputo, que também participou do painel, anunciou a assinatura de um contrato que garantirá a dragagem dos trechos 2, 3 e 4, complementando o trecho 1, por pelo menos quatro meses, para que o calado no Porto de Santos não seja perdido.
Na cerimônia de abertura, o destaque foi o vice-presidente da República, Michel Temer, que falou sobre a importância do Porto de Santos para o desenvolvimento do País e da região da Baixada Santista e sobre a contribuição da iniciativa privada. Ele ainda afirmou que o Porto de Santos poderá ser comparado, no futuro, ao Porto de Roterdã, na Holanda, um dos mais eficientes do mundo. “O Porto de Santos estará compatível com os investimentos futuros previstos pelo Governo”, conclui.
Já o governador Geraldo Alckmin enfatizou as obras que estão sendo feitas na Baixada Santista, que trarão melhorias para o transporte de cargas na região, como a o “trevão” da Anchieta com a Cônego, novas faixas da Cônego Domênico Rangoni, o Viaduto Rubens Paiva, a Ponte dos Barreiros e novos viadutos em Praia Grande, São Vicente e Santos. “São quase R$ 300 milhões em investimentos”, diz.
No final da cerimônia, houve uma apresentação do quinteto de cordas da Orquestra do Porto de Santos. O vice-presidente Michel Temer ganhou a camisa do Santos Futebol Clube da organização.
Evento
Um dos principais objetivos do evento é discutir a eficiência e competitividade do Porto de Santos, responsável por atender o maior polo econômico do País e parte importante na balança comercial brasileira. Autoridades empresariais e especialistas do setor irão debater diversas questões relacionadas ao desenvolvimento do cais santista.
Além disso, temas como a nova Lei dos Portos (nº 12.815/2013), as mudanças planejadas pelo Governo Federal para o segmento, os arrendamentos de áreas na região, a competição entre terminais públicos e privados, bem como projetos de novos acessos à Baixada Santista serão discutidos pelos participantes do encontro.
As obras de dragagem do canal do Porto e os grandes desafios do setor também serão analisados pelos especialistas durante os dois dias de evento.
Edição 2013
No ano passado, o Santos Export discutiu diferentes melhorias para o setor, incluindo a maior utilização de ferrovias e a realocação portuária; e também apresentou sugestões de âmbito nacional, como a desconcentração de cargas, o direcionamento de material para outros portos. Os congestionamentos na área portuária e nas rodovias também foram alvo de debate.
No segundo e último dia de evento, foram discutidos os acessos futuros ao Porto de Santos. Na ocasião, também foram apresentados os problemas logisticos do cais santista e possíveis soluções a curto, médio e longo prazo.
Santos Export reúne autoridades para debater questões portuárias (Foto: Ivair Vieira Jr/G1)
Santos Export reúne autoridades para debater questões portuárias (Foto: Ivair Vieira Jr/G1)

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