Negócios de TI crescem 40% em Santos

Fernanda Pires | De Santos (SP)

Se o mercado brasileiro de tecnologia da informação é considerado promissor, em Santos, no litoral paulista, o solo parece ainda mais fértil. A expansão do maior porto da América Latina, a atração de empresas da cadeia de óleo e gás e uma população universitária que fica em quarto lugar no Estado fazem da cidade uma incubadora de empresas.

De 2007 para 2010, o número de empresas abertas cresceu quase 40%, para 1.110 operações de todos os portes – já descontadas as que fecharam as portas no período. Mas entre as micro e pequenas empresas da Baixada Santista, o comércio e serviços de TI são os que mais avançam, segundo o Sebrae, agência que dá apoio a esses pequenos negócios. Nesse bloco estão desde lojas de venda de cartuchos até de desenvolvimento de softwares.

“Agora chegou uma oportunidade gigante, que é a cadeia de petróleo e gás. Só nessa área existe muito trabalho de tecnologia a ser feito”, afirma o consultor Santiago Carballo. Ele esteve à frente da Incubadora de Empresas de Santos, entre 2002 e 2007, e lembra que o setor era relativamente pequeno, apesar de ter iniciado a ascensão, na época. “Posso citar ao menos dez empresas que mudaram de sede porque cresceram, contrataram o dobro de funcionários e hoje faturam milhões”, diz Carballo.

A diretora da MKT Virtual, Ludmilla Rossi, abandonou a faculdade de publicidade aos 19 anos para fundar a agência de serviços para internet com o namorado Mauricio Matias, numa sala de 16 metros quadrados. Neste mês, a MKT completa dez anos em uma sede de 450 metros quadrados. Em 2010, a MKT faturou R$ 1,2 milhão, 3.900% a mais que em 2001, quando o mercado de internet ainda engatinhava. Atualmente, a carteira da agência reúne clientes como Avon, Poko Pano, Buriti Filmes e a banda de rock Charlie Brown Jr.

“A maioria dos nossos clientes já teve alguma experiência com site e está em busca de algo mais avançado, como aplicativos para iPhone, iPad e games”, afirma Ludmilla. “Mudamos para a nova sede para nos preparar, antevendo que tem mercado para fazer muita coisa legal.” Matias, por sua vez, diz que o foco da MKT é na ampliação do desenvolvimento de aplicativos em plataformas Apple e Android.

O Censo 2010 do IBGE aponta que Santos conta com 419.757 habitantes e, pelos últimos dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), a população universitária da cidade era de 36.451 estudantes em 2007. “Todas as universidades e faculdades têm algum curso ligado à área de TI. Santos é um nicho porque há demanda”, afirma Carballo.

Da compra de dispositivos como telefones inteligentes, os smartphones, até companhias que utilizam tecnologia para melhorar a gestão e reduzir custos, a TI hoje está aplicada no DNA do usuário final como no do mundo corporativo, diz o gerente do Sebrae Santos, Paulo Sergio Franzosi: “Não é segredo que em países onde há grande concentração de prestadores de serviços, como a mão de obra de tecnologia da informação, é onde existem os maiores salários e uma rotatividade de pessoas muito grande. Isso aumenta o poder de compra, gerando desenvolvimento na região.”

Fundada há 20 anos, a ConsulData é hoje uma das maiores integradoras de sistemas de comunicação de dados da Baixada Santista. Da carteira de clientes, 80% é formada por companhias do Porto de Santos. Para um desses clientes foi feita a integração do escritório situado à margem do Porto de Santos com o terminal que fica na margem localizada no Guarujá. Para isso, são usados sistemas de circuito fechado de TV (CFTV), além de ligação de rádio.

A ConsulData tem 60 funcionários. Seus contratos são cobertos por garantia de nível de serviço (SLA), com uma tolerância de tempo para a empresa sanar problemas que possam surgir. Mas o intervalo necessário para sanar as ocorrências tem caído com o passar dos anos, afirma o presidente da ConsulData, Luis Carlos Tenório, sem revelar detalhes.

Em 2010, a empresa faturou R$ 5 milhões, com crescimento de 20% em relação ao ano anterior. O executivo destaca como um dos principais ganhos ter vencido a licitação para fornecer serviços, por meio de fibras ópticas, para o terminal de Suape (PE), da Petrobras. Foram necessários dez meses de preparação para conseguir o Certificado de Registro e Classificação Cadastral (CRCC) da petrolífera, documento exigido pela estatal, afirma Tenório.

A Prefeitura de Santos já anunciou também que pretende destinar uma área de 6 quilômetros quadrados para abrigar, na área continental da cidade, o segundo núcleo do Parque Tecnológico de Santos. O local escolhido fica no bairro de Guarapá, a cerca de 33 quilômetros do centro de Santos, vizinho ao futuro porto Barnabé Bagres. A caracterização do terreno o torna apto a receber atividade de tecnologia e inovação, disse o secretário de Desenvolvimento e Assuntos Estratégicos do município, Márcio Antonio Lara.

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