NE continua a impulsionar o consumo de cimento em 2010.

Boom da construção, alta do poder de compra da baixa renda, obras públicas e Copa vão man- ter elevada a demanda

Já aquecido no ano passado, o consumo de cimento no Nordeste deve ser ainda maior em 2010. O boom da construção civil – impulsionada pelo Minha Casa, Minha Vida e pela facilidade de crédito imobiliário privado para a classe média -, o aumento do poder de compra da população de baixa renda, a concretização de obras públicas – algumas contidas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) – e o início de projetos para a Copa do Mundo manterão elevada a demanda pelo insumo, segundo avaliam os representantes do setor de construção civil no Estado.

“Apenas para construir 52 mil unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida no Ceará, vamos consumir sete milhões de sacas de cimento em dois anos”, comenta André Montenegro, vice-presidente do Sindicato das Indústrias de Construção Civil do Estado (Sinduscon-CE). A execução do programa federal de habitação no Estado demandará, ainda, 140 milhões de tijolos. “Fora isto, há o consumo da população, chamado formiguinha”, diz.

Embora seja abastecido por três cimenteiras, o mercado nordestino cresce, em alguns estados, de forma mais intensa e mais rápida do que a capacidade das indústrias. “Encerramos 2009 com crescimento superior a 6% no Nordeste, o que representa a comercialização de quatro milhões de toneladas de cimento na região”, afirma Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim – uma das dez maiores empresas mundiais de cimento, concreto e agregados.

Abastecimento

De acordo com Otacílio Valente, presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), o mercado cearense está com problemas pontuais no abastecimento de cimento. Além de 3.800 obras do governo estadual em andamento, há a perspectiva de que comecem este ano os projetos para a Copa do Mundo, como a reforma do Estádio Plácido Castelo (Castelão), cujo edital de licitação deve sair esta semana, marcando a primeira parceria público privada do Estado.

A situação se repete no Rio Grande do Norte e em Pernambuco, onde o boom da construção de parques eólicos e de empreendimentos privados, respectivamente, deve se manter por todo este ano – destaca Ricardo Nóbrega Teixeira, do Sinduscon-CE. “O leilão exclusivo de energia eólica deve ampliar essa demanda”, diz.

“Hoje, a gente está com problema para atender a tempo e a hora. Mais por falta de transporte do que dos nossos produtos”, contrapõe Francisco Carlos da Silveira, gerente institucional da Votorantim para o Nordeste.

Para Chamma, o setor de construção civil nordestino não deve se preocupar com problemas de abastecimento de longo prazo. “As indústrias têm como se organizar para atender esta demanda crescente, como nós da Votorantim fizemos desde 2007, com nosso plano de expansão, que prevê mais duas unidades de produção até 2011. O problema é o salto no curto prazo. Janeiro, por exemplo, é um mês que nos preocupa”, diz.

O diretor comercial da Votorantim acrescenta que a empresa está conversando com os Sinduscons da região para tentar soluções específicas a cada estado. “Temos 21 fábricas espalhadas pelo Brasil. Podemos fazer operações-ponte de uma para a outra e até importar cimento, se a construção civil nos informar as suas necessidades com antecedência”, argumenta.

Demanda

7 mi de sacas de cimento serão consumidos em dois anos para construir as 52 mil unidades habitacionais do programa federal Minha Casa, Minha Vida

DA UNIÃO

Habitação social pode receber recursos fixos

Tramita no Congresso a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 285/08, que garante o direcionamento fixo de recursos do orçamento da União para habitação de interesse social. A PEC da Moradia Digna prevê recursos permanentes até que se acabe o déficit habitacional, prazo estimado pela proposta em 30 anos. “Na prática, significa estender o alcance hoje estimado pelo Minha Casa, Minha Vida”, frisa André Montenegro, vice-presidente do Sinduscon.

De acordo com dados da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria de Construção), faltam hoje cerca de oito milhões de moradias no País.

Nos próximos 15 anos, o crescimento vegetativo levará a uma demanda de 23 milhões de novas casas. Apoiada por parlamentares, representantes de movimentos sociais, secretários de Habitação e empresários do setor, a PEC propõe a vinculação aos Fundos de Habitação de Interesse Social de 2% das receitas da União, e de 1% das receitas dos estados, Distrito Federal e municípios.

Para o diretor comercial da Votorantim, Marcelo Chamma, o setor cimenteiro tem condições de atender à demanda da construção civil que pode ser ocasionada pela aprovação da PEC 285. “Nosso problema não é longo prazo. A Votorantim vai suportar a demanda dos projetos para Copa e Olimpíadas já em 2011, com a inauguração da unidade de Baraúnas (RN) e o pleno funcionamento da fábrica de Xambioá (TO). (SC)

“FORMIGUINHA”

Baixa renda puxa vendas no Ceará

Aumento do salário mínimo e programas de transferência de renda influenciaram o consumo da população

O crescimento de 6% da Votorantim Cimentos no Nordeste foi impulsionado pelos estados do Ceará, Maranhão e Piauí. “O consumo regional é fortemente influenciado pela demanda da população de baixa renda, que compra o produto direto dos depósitos”, reforça o diretor Marcelo Chamma. Desta forma, fatores como o aumento do salário mínimo e os programas sociais de transferência de renda acabam influenciando o chamado consumo formiguinha.

Na região Sudeste, a empresa registrou queda de 3% em 2009. De acordo com o executivo, o mercado cearense tem uma peculiaridade: enquanto a média nacional de compra de cimento direto pelas construtoras é de 10%, aqui chega a 12%. O consumo local chega a 150 mil toneladas/mês.

A Votorantim Cimentos conta com duas unidades no Ceará. Uma em Sobral, com capacidade de produzir 1,5 milhão de toneladas/ano (ou 30 milhões de sacos de 50Kg/ano) e uma no Pecém, para moagem de 300 mil toneladas/ano.

A Cearense, unidade de Sobral, abastece os mercados do Ceará, Piauí, Maranhão e sul do Pará. Com mais de 550 funcionários diretos e indiretos, está entre as mais modernas da companhia, operando com tecnologia de ponta e sistemas inteligentes de produção de dois tipos de cimento, o CP II Z 32 e o CP II F.

A unidade do Pecém iniciou as operações no fim de 2008 e gera 300 postos diretos e indiretos. Faz parte do plano de expansão da capacidade produtiva que a companhia realizará até 2011, com investimentos superiores a R$ 2 bilhões. Deste montante, R$ 400 milhões corresponderam às unidades do Pecém (CE) e Aratu (BA) – já inauguradas -, além da de Baraúnas, no Rio Grande do Norte, que deverá produzir mais de 500 mil toneladas de cimento e argamassas em 2011. (SC)

Fique por dentro

Consumo per capita

Apesar da recuperação recente da indústria cimenteira nacional, o consumo per capita do insumo no Brasil ainda é baixo em relação a outros países. Não passa de 272kg por habitante, o mesmo número que os Estados Unidos consumiam na década de 20, de acordo com informações do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC).

Um dos maiores entraves do setor é a deficiência no transporte rodoviário, em decorrência da situação das estradas. Conforme o SNIC, também se trata de um setor que utiliza muito energia elétrica e petróleo.

Ainda de acordo com a entidade, estima-se que o setor de agregados (areia, cascalho, brita etc) cresça por ano entre 4% e 4,5% entre 2011 e 2014. A demanda deve ser puxada pelos projetos para a Copa, as Olimpíadas, o PAC e a continuidade dos programas habitacionais.

FALTA QUALIFICAÇÃO

Setor teme ´apagão´ da mão-de-obra

A expansão do setor de construção civil em todo o Brasil pode esbarrar no apagão da mão-de-obra. De acordo com representantes do Sinduscon-CE e da Coopercon-CE, faltam profissionais qualificados no mercado regional. “O problema do crescimento não será a falta de materiais e sim de trabalhadores, o que já estamos sentindo”, afirma André Montenegro, vice-presidente do Sinduscon-CE.

De acordo com Marcelo Chamma, diretor comercial da Votorantim, o déficit de mão-de-obra ocorre porque a construção civil é a porta de entrada do trabalhador menos qualificado ao mercado. “Quando consegue aprender as técnicas de construção, o profissional migra para outra atividade”, diz.

Disputa por profissionais

Chamma acrescenta que há uma verdadeira disputa por profissionais entre os estados do Norte e Nordeste. “Você vê uma forte migração dos trabalhadores de uma região para a outra e o que isso acarreta é um aumento no custo da mão de obra porque uma empresa contrata um profissional de outra pagando mais “, comenta.

A conclusão, de acordo com o diretor da Votorantim, é que o item mão-de-obra é um dos que mais pesam no custo da construção civil. Soma-se à escassez de profissionais os encargos trabalhistas, considerados elevados pelos representantes do patronato. “O grande gargalo do volume de metro quadrado a ser construído no Brasil vai esbarrar na falta de mão-de-obra”, frisa Chamma.

Vantagem

Otacílio Valente, presidente da Coopercon-CE, acrescenta que, sem mão de obra, o setor não consegue evoluir tecnologicamente. “Se a pessoa não sabe bem o básico, não dá para inovar no canteiro de obras. A vantagem do Ceará é que o trabalhador aqui é muito qualificado. Exportamos pessoal para outros estados”, pontua. Hoje, no Ceará cerca de 29 mil pessoas trabalham no setor.

Para tentar solucionar o gargalo e com vistas aos novos projetos em curso no País, a Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), juntamente com os Sinduscons, apresentou à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), um programa que prevê qualificar cinco milhões de pessoas. “O problema é que se sabe se dará tempo”, frisa Chamma. (SC)

SAMIRA DE CASTRO
REPÓRTER

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