“Não tenho preconceito contra PPP”, afirma Nelsinho Metalúrgico

Político canoense afirma que, em certos casos, recursos da iniciativa privada são bem-vindos.
Adair Santos/Da redação

Novo Hamburgo – A defesa pelas causas de interesse do trabalhador, não apenas do setor metal-mecânico, mas dos mais variados segmentos, é a principal bandeira do dirigente sindical de Canoas Nelson Luiz da Silva, 50 anos, o Nelsinho Metalúrgico. Casado e pai de três filhos, o operário troca o plenário da Câmara de Vereadores de Canoas pelo da Assembleia Legislativa. Ele, que atualmente também é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, defende ser possível que o Rio Grande do Sul tenha uma oposição propositiva. Além disso, se mostra flexível quanto à necessidade do uso de Parcerias Público-Privadas.

O senhor, que é deputado de primeira viagem, encontrou a Assembleia Legislativa que estava esperando?
Nelsinho – Encontrei movimentos muito fortes de que esta legislatura possa colocar a Assembleia no centro dos debates políticos do Estado no que diz respeito aos seus grandes temas: desenvolvimento, combate à exclusão social, reforma dos serviços públicos, garantindo o atendimento universal, e o Estado como indutor de políticas públicas. É um cenário que me deixa muito otimista.

A que o senhor atribui a conquista do primeiro mandato na Assembleia?
Nelsinho – Primeiro, Canoas vive um momento de reafirmação da sua política após passar por um momento muito conturbado, com muitas denúncias. A cidade dá uma guinada. Além disso, o município, que é o segundo em arrecadação e o quarto em população, estava há 16 anos sem representação na Assembleia. Este movimento novo de reconstrução da representação política possibilitou que nossa mensagem de buscar esta representação tivesse a aderência junto aos canoenses, que me deram praticamente 25 mil votos.

O apoio do prefeito de Canoas, Jairo Jorge, foi decisivo?
Nelsinho – O trabalho que realizamos a partir do prefeito Jairo foi de fundamental importância, foi fundamental este apoio.

Quais as ações que o senhor pretende realizar para justificar o seu nome de guerra, Nelsinho Metalúrgico?
Nelsinho – Eu sou dirigente sindical do setor metal-mecânico, presidente, até 31 de agosto, do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, e pretendo na Assembleia defender os assuntos do mundo do trabalho, mais particularmente com foco na defesa da saúde dos trabalhadores, procurando fortalecer o centro de referência de saúde do trabalhador, valorização do salário mínimo regional, inclusão a partir da qualificação profissional, preparar nossa mão-de-obra para as necessidades que já temos, promover a expansão do ensino técnico, para que mais e mais jovens possam acessar essas oportunidades de trabalho e, também, os assuntos relacionados à nossa região, particularmente no que diz respeito à mobilidade urbana.

O que fazer para minimizar os congestionamentos na região metropolitana?
Nelsinho – Temos que trabalhar para que a BR-448 seja concluída nos prazos, dentro do cronograma previsto, e para que a RS-010 possa, de fato, se transformar em uma estrada que ligue toda esta nossa região, de Sapiranga a Porto Alegre. É preciso negociar com o Estado para que este se disponha a captar os recursos necessários para a construção dessa estrada. Caso contrário, temos que construir uma PPP para garantir que a estrada saia do papel.

Canoas, o município onde o senhor foi vereador, é uma cidade amplamente ocupada por invasões, assim como outros municípios da região metropolitana. Já que uma de suas bandeiras é a regularização fundiária, como o senhor pretende atuar diante desse problema?
Nelsinho – Não é nada simples e precisa de financiamentos. Temos áreas na região que ainda não foram repassadas. Áreas que hoje são bairros, são vilas já consolidadas e que pertencem ao Estado. Essas áreas têm que ser repassadas ao município para que possam efetivamente concluir o processo de regularização fundiária.

O que o senhor pretende fazer quanto a isso?
Nelsinho – Vou trabalhar isso junto à Secretaria Estadual da Habitação para que se dê a transferência dessas áreas na região. Em torno de 45% da cidade de Canoas se constitui, ao longo da história, fruto de ocupações. Há moradores que ainda não têm seu título de posse.

Que posição o senhor tem em relação às Parcerias Público-Privadas, as PPPs, especialmente no que diz respeito ao presídio de Canoas e à construção da RS-010?
Nelsinho – Sou a favor de que o Estado construa presídios. Agora, tenho também a percepção de que, neste momento, para as necessidades que nós temos, para ampliar a rede prisional e construir o trecho de uma estrada tão complexa como a RS-010, o tesouro do Estado teria muitas dificuldades de financiar essas obras, mesmo captando recursos internacionais. Nesses casos, não tenho preconceito nenhum de que possa efetivamente ser negociada uma parceria público-privada, uma PPP, onde o Estado remunere o capital investido, como remuneraria caso tomasse um empréstimo no Banco Mundial para construir e pagar este empréstimo.

O senhor está preparado para entrar no jogo político, onde muitos interesses da bancada eventualmente irão se sobrepor às suas convicções pessoais?
Nelsinho – Eu acredito que no jogo democrático você tem que compor posições. Não existe aquele comportamento do ‘só eu que sou correto’. Tem que saber ouvir, tem que saber ponderar. A nossa bancada tem este perfil e eventuais recuos de posicionamento fazem parte da vida política.

No momento, a oposição ao governo Tarso Genro (PT) parece ainda buscar uma articulação. De que forma o senhor imagina que a bancada governista – à qual o senhor pertence – poderá tirar proveito disso?
Nelsinho – Não se trata de tirar proveito da desorganização da oposição, mas de apresentar bons projetos para o Estado, projetos que coloquem o Rio Grande do Sul na vanguarda da política nacional, na inovação do trato da coisa pública e que garantam um desenvolvimento sustentável regionalmente, diminuindo nossos índices de pobreza. É do jogo político a existência da oposição e da situação. E a oposição vai ter que exercer seu papel de fiscalizadora, questionadora, e também propositiva. A política do Estado mínimo, que abdicava de uma intervenção mais forte, esta foi derrotada nas eleições.

Na legislatura anterior, a bancada que apoia o governo era de oposição. E foi acusada de adotar postura raivosa em relação ao governo Yeda. A partir de agora, como se portar, na medida que, ocasionalmente, vocês deverão tentar buscar o diálogo com a nova oposição?
Nelsinho – É uma nova partida, a bola está no meio de campo. Eventuais queixas de questões são passadas. Já fui vereador de oposição em Canoas e fui acusado de fazer uma oposição rigorosa, mas tenho minha consciência tranquila, pois, quando fiz denúncias, como o superfaturamento da terceirização da merenda escolar e da compra de computadores, eu estava certo. A investigação do Ministério Público comprovou minha tese.

É possível, então, que haja uma oposição mais propositiva, diferentemente dos embates que existiam, por exemplo, na fase dos governos Antonio Britto (PMDB) e Olívio Dutra (PT)?
Nelsinho – Não se trata de colocarmos os políticos todos no mesmo saco. Há divergências políticas em relação ao papel do Estado na administração: alguns propõem um Estado mínimo, outros, interventor. Nós propomos um Estado indutor. É legítimo este embate político na sociedade, desde que se respeite o resultado das urnas e se reconheça a legitimidade do governador de propor as políticas que foram aprovadas no seu programa de governo através da eleição e caberá à oposição fiscalizar, questionar e, eventualmente, criticar, pois ninguém é infalível.

Em que pontos o governo Tarso deve copiar o de Olívio e em que pontos deve ser diferente, corrigindo erros que tenham sido cometidos?
Nelsinho – O governo Tarso deve levar em consideração aquela ideia de que o desenvolvimento do Estado deva ser espraiado. Que possamos desenvolver todas as regiões, garantir que o interior possa receber investimentos, escolas técnicas e que os hospitais regionais sejam fortalecidos para que a população mais distante da Capital também possa ter esta oportunidade de desenvolvimento e crescimento.

Mas o que deve ser copiado do governo Olívio?
Nelsinho – Temos que combater a pobreza em todos os cantos do Estado. Isso tem que copiar porque era um pouco da síntese do governo de Olívio Dutra. Que isso seja motivador. Em relação ao governo Olívio, de maneira nenhuma devemos fechar as portas para que o diálogo possa acontecer de maneira tranquila, democrática, ouvindo a todos, reconhecendo a legitimidade de todas as forças políticas de terem opiniões, pontos de vista, e defendê-los publicamente.

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