Múltis voltam atenção para os Correios

Karla Mendes / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

As multinacionais estão de olho no mercado dos Correios. A indefinição sobre a licitação das agências franqueadas da Empresa de Correios e Telégrafos (ECT), com data limite para ocorrer até 10 de novembro, deixa à mercê das empresas estrangeiras que operam no Brasil o mercado milionário dos serviços que a estatal não detém o monopólio, a exemplo do envio de mala direta e de encomendas.

Caso as liminares que suspendem quase 80% das licitações em todo o País estiverem em vigor até novembro, terá de entrar em ação o plano de contingência dos Correios, no valor de R$ 550 milhões, que prevê, entre outros quesitos, a contratação de funcionários terceirizados para reforçar o atendimento das agências próprias, conforme antecipou ontem o Estado. Mas documentos internos da diretoria da estatal mostram que a rede própria não tem condições de atender a demanda.

Levantamento a que o Estado teve acesso revela que, em outubro de 2009, as franquias responderam por 95,5% da receita do serviço de marketing direto (mala direta) dos Correios, ou R$ 6,95 milhões, ao passo que as lojas próprias só representaram 4,5% ou R$ 323,83 mil.

Nos serviços de encomendas, as franquias têm peso de 75,8% (R$ 37,24 milhões) e as próprias 18,4% (R$ 9 milhões). Até mesmo no envio de mensagens (cartas, que são monopólio dos Correios), há um descompasso entre a participação das franquias, com 96,2% (R$ 28,15 milhões) e as lojas próprias, com 3,8% (R$ 1,12 milhão). Os números referem-se à Região Metropolitana de São Paulo, que responde por 50% da carga postal do País.

Segundo a Associação Brasileira de Franquias Postais (Abrapost), apesar de as franquias responderem por 10% a 15% do total de pontos de atendimento da ECT, os franqueados respondem por 40% da receita.

Novo modelo. Os Correios, porém, relativizam os números. Ronaldo Takahashi, diretor comercial da estatal, disse que isso é uma “distorção” provocada por contratos dos franqueados com bancos e empresas de telefonia, que rendem R$ 1,5 bilhão. “Isso será corrigido no novo modelo que vigorará a partir de 10 de novembro, data em que expiram os contratos das franquias atuais.”

Enquanto isso, as multinacionais comemoram os resultados de crescimento no Brasil. A filial brasileira da Deutsche Post DHL, por exemplo, registrou alta de 18% no semestre em relação ao mesmo período do ano passado no volume de remessas expressas internacionais de importação, vindas prioritariamente dos EUA, China e Alemanha. Em São Paulo, a DHL Express registrou aumento de 29% no volume de exportações da capital paulista para os EUA, Argentina e México, no semestre, em relação ao mesmo período de 2009.

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