Ministro da Saúde decide que hospitais federais do Rio não vão mais comandar licitação e compras de remédios serão centralizadas

Jailton de Carvalho

BRASÍLIA – O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, deverá aprovar nos próximos dias proposta de criação de uma central de compras para os hospitais federais do Rio de Janeiro. A central deverá ter sede em Brasília. O assunto foi um principais temas da reunião que Padilha teve com o diretor do Departamento de Gestão Hospitalar do Rio, Oscar Berro. Com a criação da central, o governo espera ganhar descontos especiais nas compras em escala e, também, diminuir os riscos de corrupção.

A mudança, que vinha sendo preparada desde o ano passado, pode atiçar ainda mais a disputa entre o PMDB e o PT por cargos do segundo e terceiro escalão do governo federal. Oscar Berro foi indicado para o cargo pelo PMDB. Mas, com a criação da central de compras em Brasília, o Departamento de Gestão Hospitalar perderia um grande filão: o poder de fazer compras milionárias e, com isso, atrair o interesse dos fornecedores da rede federal de hospitais no Rio. A briga pelo controle da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) foi um dos primeiros conflitos explícitos dos dois maiores partidos da base governista.

Para auxiliares de Padilha, que estão acompanhando de perto as discussões sobre o assunto, a criação da central facilitaria a fiscalização. Fiscais poderiam acompanhar mais de perto os pregões do ministério. A proposta de centralizar as compras em Brasília surgiu ano passado, depois que o Instituto de Desenvolvimento Gerencial, ligado ao grupo Gerdau, detectou diferenças de preços de até R$ 20 milhões em compras dos mesmos produtos feitas por hospitais federais do Rio. Os gestores dos contratos teriam tido dificuldades para explicar as razões das acentuadas discrepâncias dos gastos.

Investigações do Ministério Público Federal também apontaram sobrepreço numa compra que estava sendo preparada pelo Hospital do Andaraí, em 2009. Os investigadores fizeram advertência sobre o problema, e a diretoria do hospital corrigiu as falhas. Mas, com o aprofundamento da apuração do caso, como O GLOBO noticiou no último domingo, o Ministério Público descobriu indícios de irregularidades sistemáticas em compras dos hospitais federais. Surgiu, então, a proposta de criar a central e transferir o comando das compras para Brasília.

Técnicos do ministério sustentam que, ao realizar as compras para todos os hospitais ao mesmo tempo, o governo teria mais oportunidade de negociar redução de preços.

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