Licitação prevê gasto de R$ 636 mil com fósforos

Dinheiro daria para comprar 160 milhões de palitos, o suficiente para atender a demanda de 400 anos da Prefeitura; Educação alega erro e Gestão Pública vai analisar o edital

Stella Meneghel

Um novo edital da Prefeitura de Londrina para estruturar a merenda escolar, no valor total de R$ 1 milhão, prevê o gasto de R$ 636 mil apenas com a compra de fósforo para o ano que vem. Pelo pregão presencial 145/09, o valor refere-se à compra de 400 mil maços do produto, o que dá 160 milhões de palitos de fósforo. No entanto, conforme a Secretaria Municipal de Educação, o correto seria 400 mil palitos, o que representa um custo de R$ 1.590. A diferença na quantidade prevista é suficiente para atender a demanda municipal por mais 399 anos.

O edital da licitação está no site da Prefeitura e é assinado pelo então secretário de Gestão Pública, José do Carmo Garcia, que respondia interinamente pela pasta. O aviso da concorrência pública foi publicado no Jornal Oficial do Município no último dia 8. O documento trata da compra de vários equipamentos para as escolas. Na relação de itens estão panelas, talheres, pratos, copos e guardanapos, entre outros utensílios de cozinha.

Mas o que chama a atenção é o gasto com fósforo. São R$ 636 mil, o que corresponde a 60,1% do total do edital, que é de R$ 1.058.581,40. A compra faz parte do lote 8 e prevê a compra de 400 mil maços de fósforo, sendo cada maço com 10 caixas do produto e cada caixa com, no mínimo, 40 palitos. Cada maço tem preço máximo de R$ 1,59.

O material é para ser distribuído durante o ano de 2010 em 68 escolas municipais urbanas, 12 rurais e 11 creches municipais, totalizando 91 unidades. A quantidade prevista significa que cada unidade usará, em média, 4.817 palitos de fósforo por dia.

Pedido

Questionada sobre a quantidade, a gerente de Merenda Escolar da Secretaria de Educação, Cristina Yoshida, afirmou que o correto é o pedido de 400 mil palitos de fósforo e não 400 mil maços. Essa previsão equivale a 10 mil caixas ou a mil maços de fósforo – o que corresponde a um gasto de R$ 1.590. “O nosso pedido é para 400 mil palitos, não maços. Acho que houve um equívoco no edital”, afirmou. Segundo ela, o pedido foi encaminhado para o setor de Compras da Secretaria Municipal de Gestão Pública, responsável pela elaboração do edital.

Procurado pela reportagem, o novo secretário de Gestão Pública, Marco Cito, concordou que pode ter havido um equívoco. “Suspeito que essa compra esteja superestimada. Porém, não foi a gente que errou. O edital foi elaborado conforme o pedido encaminhado pela Secretaria de Educação, que é de 400 mil maços”, afirmou. Ele disse que ontem, no final da tarde, não conseguiu localizar ninguém da Educação para discutir a questão, devido ao fim do expediente do dia. Isso será verificado hoje. “Se o erro confirmar, podemos suspender o edital.”

Cito observou que, se a distorção for comprovada, não significa que o Município iria comprar os 159,9 milhões de palitos de fósforo a mais, pois o edital é para registro de preço. “A compra é feita conforme a demanda. O que consta no edital é uma estimativa que pode até não acontecer.”

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