José Luiz esclarece sobre obras de instalação de interceptores e emissários que começam amanhã.

Além de ser comemorado amanhã o Dia Internacional da Água, a Prefeitura e o Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau) darão o pontapé inicial para mais uma atividade do Programa Água Viva. As ações agora incluem o início das obras dos Interceptores de Esgotos, que integram o projeto nas avenidas centrais de Uberaba. O Programa Água Viva, que surgiu em 2002, tem o objetivo de sanar o problema das enchentes, abastecimento de água, saneamento, entre outras complicações. Para realização da obra é necessária uma verba de R$ 213.488.885,20, sendo que 60% virão do Banco Mundial e 40% em contrapartida pela Prefeitura Municipal de Uberaba (Codau). Este valor está dividido em quatro tópicos de, aproximadamente, R$ 76 milhões (Abastecimento de Água), R$ 68 milhões (Esgotamento Sanitário), R$ 59 milhões (Drenagem Urbana) e R$ 7 milhões (Recuperação Ambiental). A implantação dos interceptores, que começa nesta segunda-feira, terá a função de separar os esgotos das águas de chuva que hoje são lançados nos canais pluviais localizados no centro da cidade. Logo após começam as obras de mircro e macrodrenagem, que são o alargamento dos canais pluviais, cujo objetivo é sanar o problema das enchentes. Para esclarecer a população sobre estas obras, o presidente do Codau, José Luiz Alves, conversou com a equipe de reportagem do JORNAL DE UBERABA.

Jornal de Uberaba – O que já foi feito até o momento dentro Programa Água Viva?
José Luiz Alves – Faz parte do conjunto de obras do Programa Água Viva a construção da Estação de Tratamento de Esgoto e nos já fizemos o emissário rio Uberaba, já fizemos a ETE-Rio Uberaba, que há está em operação. Também estamos substituindo as adutoras deterioradas, são três importantes adutoras do Codau, que se encontravam extremamente deterioradas, que nos impunham um gasto de manutenção muito alto e já estamos concluindo a substituição. Além disso, estamos concluindo também o Parque da Cidade e a construção do Centro de Educação Ambiental, tudo isso está dentro do Programa Água Viva. Agora nós estamos em um processo de intensificação dessas obras, pois quando nós fechamos o contrato com o Banco Mundial, sendo o primeiro contrato que fechou recursos, com vistas para este conjunto de obras, a partir daí fizemos as contratações dos projetos executivos e estes projetos foram estudados e elaborados. Agora depois deles prontos fizemos a licitação de obras. Os gastos até o momento foram de R$ 47.818.826,04, os financiamentos e recursos já conseguidos foram de R$ 155.182.529,98, oriundos do Bird, Caixa Econômica Federal, Fhidro e do PAC. Falta para finalizar o projeto em obras o valor de R$ 10.487.529,18.

JU – Portanto, quais são as ações dentro do programa que vão começar na próxima semana?
José Luiz – O que irá começar agora são as obras que preocupam toda a cidade, que preocupam a administração, porque elas interferem de forma mais direta na comunidade, uma vez que elas acontecerão nas principais vias da cidade, nas principais avenidas da cidade. As obras serão realizadas nas avenidas Leopoldino de Oliveira, Santos Dumond, Guilherme Ferreira, Santa Beatriz, enfim, as principais artérias da cidade sofrerão intervenções com vistas à implantação dos interceptores centrais. Os interceptores são tubulações que serão instaladas às margens das avenidas, na lateral dos passeios, que terão por finalidade captar todo o esgoto que hoje o Codau coleta, sendo que tem um índice de coleta muito alto, mas todos estes esgotos são lançados nos canais junto às águas da chuva. Tal situação acaba por diluir este esgoto, aumentando em muito o seu volume, a sua quantidade, o que acaba por não permitir que as estações tenham a sua eficiência completa.

JU – Surgiu uma discussão na cidade de que ETE não estava funcionando adequadamente; diante do que acabou de falar, este assunto tem fundamento?
José Luiz – Foi comentado mesmo na cidade sobre a eficiência da ETE, mas o que não condiz com a verdade. A ETE está funcionando em sua plena carga, ela foi uma estação projetada para atender uma população de 254 mil habitantes, que corresponde a 74% da população de Uberaba, o que nos remete a uma vazão média de 255 litros por segundo. Isso tudo foi pensado e projetado com um horizonte de 20 anos. O que está acontecendo hoje é que, como os esgotos são lançados nos canais, eles se misturam às águas de chuva e nesse período chuvoso há um aumento considerado nas águas de esgoto com essa adesão. Como a estação é projetada para tratar 466 litros, em média, por segundo, ela trata e trabalha na sua capacidade total e todo esse volume que excede passa naturalmente, porque a estação não tem capacidade para tratar um volume e nem teria por que ter. Na verdade, o que precisamos é construir estas tubulações, captar apenas o esgoto para permitir que ele não seja lançado junto com as águas de chuva. Desta forma nós teremos tudo que foi construído na estação, com a capacidade adequada para tratar todo volume de esgoto e os interceptores faz exatamente este trabalho.

JU – Quais serão então os benefícios à comunidade na implantação dos interceptores?
José Luiz – Temos primeiro a vantagem de separar os esgotos das águas de chuva, nas águas que escoam nos canais, e permitir que as estações tenham a eficiência plena de tratar todo o esgoto de Uberaba. Segundo, terá uma outra função importante, todos nós convivemos com este odor forte que exala das “bocas de lobo” no período de seca, por que formam “bolsões” dentro dos canais e aquilo acaba gerando gás que nos impõe este odor forte, principalmente no período de seca. Tal situação também iremos eliminar, melhorando a qualidade ambiental da cidade e por certo também irá melhorar a qualidade de vida do uberabense.

JU – Além dos interceptores, quais serão as próximas ações do projeto?
José Luiz – Além dessa construção dos interceptores, que começa agora, nesta próxima segunda-feira [amanhã], nós estamos concluindo um processo de captação de recursos junto ao Governo Federal no âmbito do PAC, que irá nos permitir a construção de 6,9km de novos canais, de forma a resolver o problema das enchentes que tanto atormenta o uberabense. Haverá um alargamento dos canais existentes, uma ampliação desses canais de forma a poder escoar as águas de chuva. Este projeto é chamado de macrodrenagem e vem acompanhado de um projeto de microdrenagem que irá resolver alguns problemas pontuais na cidade, como é a canalização a céu aberto do córrego dos Carneiros, do córrego Manteiga; do Uirapuru até o trevo da Pedro Salomão com rua Maranhão; na avenida Guilherme Ferreira, na canalização a céu aberto do córrego Barro Preto. Enfim, são problemas de drenagem que temos na cidade e que precisam ser combatidos de forma a dar solução no problema das enchentes.

JU – Quando irão acontecer as atividades de micro e macrodrenagem?
José Luiz – Nós concluímos o projeto executivo – já está pronto, totalmente e apto a ser licitado. Nós fechamos com o Governo Federal o processo de negociação para a disponibilisação dos recursos que irá nos permitir implantar essas obras. Agora estamos concluindo a parte de formalização legal, temos alguns trâmites legais que devem ser concluídos, portanto estamos na última fase, que é o momento de buscar a autorização do tesouro nacional, para que nós possamos celebrar este convênio de empréstimo com o Governo Federal, através da Caixa Econômica Federal. Feito isso, nós estaremos assinando o contrato com a Caixa e de imediato lançando o edital de contratação para estas obras de duplicação de ampliação dos canais de drenagem das águas de chuva. Este processo de negociação com o tesouro nacional, provavelmente, será concluído até o final deste mês de março. Portanto, no início de abril estaríamos já assinando contrato com a Caixa e em paralelo a isso colocando a licitação em curso. A nossa expectativa é que a licitação corra normalmente, sem que haja nenhum questionamento na Justiça e que possa contratar essa obra ainda neste primeiro semestre. Até porque nós vamos fazer as obras dos interceptores e iremos priorizar as margens, onde não acontecerá a duplicidade do canal, porque não seria conveniente que nós abríssemos as avenidas agora para fazer os interceptores, fechássemos a avenida e depois voltássemos para abrir e fazer o canal. Então estamos priorizando a construção dos interceptores onde não terá a implantação de canais, para que possamos esperar a questão da licitação dos canais de forma a desenvolver estas obras concomitantemente.

JU – Estas obras podem gerar incômodo à comunidade; será feito algum trabalho para minimizar estes reflexos?
José Luiz – Acho que tocamos em um ponto importante. Primeiro comentamos que as enchentes são o que mais incomoda a população uberabense; é importante lembrar que todos, moradores no centro da cidade ou não, moradores nas avenidas ou não, transitam nas principais avenidas, porque é onde está o sistema bancário, as principais casas comerciais da cidade. Contudo, todos, sem exceção, acabamos vivendo o incômodo, o inconveniente de ter de conviver com as enchentes. É óbvio que as obras trazem transtornos, não tem jeito de você fazer omelete sem quebrar os ovos, então estamos planejando fazer as obras com um programa de ação que possa causar o menor transtorno possível para a cidade de Uberaba. Porém, algum transtorno, obviamente, irá causar, estamos programando fazer quarteirão por quarteirão, terá um amplo programa estudado de desvio de trânsito, iremos fechar um quarteirão, faremos a implantação, depois de terminar aquele quarteirão passa para o outro. Mas é obvio que isso irá causar desvio no trânsito, transtorno àquele morador, de ter de ficar por alguns dias sem poder entrar e sair com seu carro. Então quero desde já fazer com que as pessoas lembrem que transtorno maior é o incômodo de ter de conviver com as enchentes. Nós estaremos implantando um conjunto de obras que visa melhorar a infraestrutura da cidade, que visa melhorar a qualidade de vida dos uberabenses, e para isso avisamos, desde já, nós clamamos pela paciência, pela colaboração de todos, que por certo terão de conviver com este transtorno.

JU – Com tudo isso, o que será gasto em verbas nestas obras, tanto dos interceptores, quanto no projeto de mircro e macrodrenagem?
José Luiz – São obras de responsabilidade direta do Codau, no que tange ao abastecimento público, e da mesma forma o esgotamento de tratamento sanitário; estão sendo investidos R$ 144 milhões. Portanto, somam-se a isso as obras de drenagem urbana e embora tenha uma participação gerencial do Codau, uma vez que o projeto Água Viva está acontecendo em uma interação da equipe do Codau, mas são responsabilidades diretas da Prefeitura. Nós temos outros R$ 66 milhões, o que nos leva, aliás, até um pouco mais, mas vamos chegar a um custo de R$ 221 milhões entre as intervenções de responsabilidade da Prefeitura e do Codau. Portanto, o custo dos interceptores é de R$ 23 milhões. As galerias de água pluvial no centro (Macrodrenagem) serão financiadas com recurso do Bird e do PAC, sendo R$ 20 milhões. Já quanto à microdrenagem nos bairros, o custo será de R$ 8 milhões. Isso efetivamente nos leva ao maior conjunto de obras da cidade. Além disso, acabamos de liberar a ordem de serviço para dar início às obras da construção do emissário Conquistinha e da ETE-Conquistinha, que é a segunda grande estação da cidade, isso irá nos permitir – quando esta estação, esses emissários todos, estes interceptores tiverem prontos, em funcionamento – que atinjamos o índice de 98% dos esgotos tratados em Uberaba. O município deixa então de ser uma cidade poluidora para se tornar um local com um dos mais altos e eficientes índices de tratamentos de esgoto, não só no Brasil, mas comparáveis a cidades de países de primeiro mundo. Então, eu particularmente estou deixando o Codau com um sentimento de dever cumprido, com todo esforço que nós realizamos, com esses recursos que nós captamos, o conjunto de obras que nós estamos perseguindo, algumas já realizadas, outras estamos contratando. Mas, enfim, vamos deixar tudo encaminhado, contratado para que Uberaba possa ter esse grande salto na sua qualidade, deixando de ser uma cidade poluidora para ser uma cidade de referência ambiental.

Geórgia Santos

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