Irmão de Perillo orientou grupo de Cachoeira em licitação

Escutas da Polícia Federal mostram que o irmão do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), orientou o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira em como eles deveriam participar de uma licitação do Estado, orçada em cerca de R$ 21 milhões. Os áudios demonstram que, dois dias antes do início da Operação Monte Carlo – na qual Cachoeira foi preso – Antonio Perillo orientou um assessor direto do bicheiro a participar de um lote específico de uma licitação aberta pela Agência de Transporte e Obras Públicas (Agetop). O presidente da agência, Jayme Rincón, é um dos principais auxiliares do governador e também trabalha como seu porta-voz informal. Procurado, ele afirmou, em nota, que “não existe nenhum indício de direcionamento ou de benefício a quem quer que seja”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Segundo os registros, em 27 de fevereiro, Toninho, como é conhecido, ligou para Wladimir Garcez, assessor de Cachoeira, e pediu para que o dono da Construtora Rio Tocantins, Rossine Aires, continuasse da disputa pelo “lote 29”. “Eu conversei aquele negócio do Rossine lá. (…) Fala para ele ficar tranquilo, que nós saímos do lote 29.” Quatro dias depois, a Rio Tocantins apresentou proposta na licitação da Agetop para manutenção de rodovias em todo o Estado. A proposta era voltada para um único lote de um total de 34, o 29. No entanto, após as relações entre Cachoeira e Rossine se tornarem públicas, a construtora foi desclassificada na licitação. O governador informou que o conteúdo das escutas devem ser comentados pelos envolvidos. O jornal afirmou que Toninho Perillo, Rossine Aires e Wladimir Garcez não foram localizados até o fechamento da reportagem.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram diversos contatos entre Cachoeira e o senador Demóstenes Torres (GO), então líder do DEM no Senado. Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais, confirmou amizade com o bicheiro, mas negou conhecimento e envolvimento nos negócios ilegais de Cachoeira. As denúncias levaram o Psol a representar contra Demóstenes no Conselho de Ética e o DEM a abrir processo para expulsar o senador. O goiano se antecipou e pediu desfiliação da legenda.
Com o vazamento de informações do inquérito, as denúncias começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas, o que culminou na abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira. O colegiado ouviu os governadores Agnelo Queiroz (PT), do Distrito Federal, e Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, que negaram envolvimento com o grupo do bicheiro. O governador Sérgio Cabral (PMDB), do Rio de Janeiro, escapou de ser convocado. Ele é amigo do empreiteiro Fernando Cavendish, dono da Delta, apontada como parte do esquema de Cachoeira e maior recebedora de recursos do governo federal nos últimos três anos.
Demóstenes passou por processo de cassação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Casa. Em 11 de julho, o plenário do Senado aprovou, por 56 votos a favor, 19 contra e cinco abstenções, a perda de mandato do goiano. Ele foi o segundo senador cassado pelo voto dos colegas na história do Senado.

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