Invepar planeja entrar no trem-bala

Vera Saavedra Durão | Do Rio

A Invepar (Investimentos e Participações em Infraestrutura S.A.), empresa controlada pelos fundos de pensão Previ, Funcef e Petros e com participação minoritária da empreiteira OAS, tem no projeto do trem-bala um dos grandes fotos para este ano. Além de buscar novos negócios em concessões rodoviárias, transporte urbano e aeroportos. A Invepar, que é dona do Metrô do Rio, faturou R$ 900 milhões em 2010, estima faturar mais 15% a 20% em 2011 e abrir capital na Bovespa entre 2012 e 2013.

Segundo Gustavo Rocha, presidente executivo da companhia, a licitação do trem-bala tem grandes chances de acontecer em abril. A data foi remarcada pela ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres, que lançou o edital. “O projeto está sendo visto e analisado para tomarmos a decisão no momento adequado. Mas a ideia é os fundos de pensão e a OAS entrarem no negócio através da Invepar. O direcionamento (dos acionistas) é que a Invepar entre no empreendimento depois de licitado, aderindo ao consórcio vencedor. O edital permite isto, desde que a empresa não tenha participado de outro grupo na concorrência.”

O ano passado foi um ano de estruturação e consolidação da Invepar, que investiu R$ 900 milhões nas seis empresas operacionais sob seu guarda-chuva: Linha Amarela, Raposo Tavares, Metrô Rio, 25% da CRT, Bahia Norte e Litoral Norte. A Invepar tem estrutura de holding. “2010 foi o primeiro ano de operação da Raposo Tavares com as praças (de pedágio) funcionando. Também fizemos mudanças operacionais no Metrô Rio com aumento de capacidade de 560 mil para 660 mil passageiros/dia. Além disso, conseguimos colocar mais duas empresas para dentro da holding. Ganhamos a concorrência da Bahia Norte e pusemos para dentro os 25% da CRT, que pertenciam antes a OAS”.

Para 2011, o investimento programado é de R$ 600 milhões. Só no metrô serão R$ 250 milhões. No fim do ano começarão a chegar os 114 vagões encomendados da China. Atualmente o metrô carioca tem 182 carros. Com os vagões chineses a frota vai aumentar em 63% em 2012. A Linha Amarela vai levar R$ 100 milhões, R$ 200 milhões irão para a Raposo Tavares e entre R$ 100 a R$ 150 milhões serão gastos na Bahia-Norte. A via foi leiloada em maio pelo governo baiano. Trata-se do sistema viário BA093 que liga as principais áreas industriais, como Camaçari, ao aeroporto de Salvador e o Porto de Aratu ao complexo industrial de Aratu. A malha tem 125 quilômetros.

A Invepar está de olho em novas concessões rodoviárias como o terceiro lote de concessões em São Paulo, no interior. Pretende também operar no Nordeste em projetos de vias urbanas. No Rio, por exemplo, a empresa está trabalhando num projeto público da Prefeitura, a Transolímpica, para os Jogos Olímpicos de 2016, que ligará a Barra da Tijuca a Deodoro. Em Pernambuco está disputando um projeto de complexo viário no porto de Suape.

O projeto do trem-bala está fora do orçamento de investimento para o ano. “Dependendo do investimento e da nossa participação no consórcio vencedor pode ser necessário aportar recursos dos acionistas para entrarmos no trem-bala”, informou Rocha. Ele reforça que na agenda da companhia está prevista uma capitalização no mercado de capitais que poderá acontecer já em 2012, se as condições estiverem favoráveis. “Estamos atualmente no Bovespa Mais, não temos ainda ações negociadas na Bolsa, mas depois do Bovespa Mais nosso caminho é o IPO (sigla de abertura de capital em inglês).”

A estrutura acionária da Invepar tem a Previ como maior acionista com 40%. Funcef e Petros detêm 20,30% cada e a OAS, 19,40%.

Apesar da polêmica que vem despertando por causa do seu custo (avaliado inicialmente em R$ 33 bilhões no edital), o projeto do trem-bala é defendido por Rocha. “Impossível olhar o eixo Rio, São Paulo, Campinas e São José sem um transporte sobre trilhos de alta velocidade e qualidade. Do ponto de vista de país, de solução de transporte e mobilidade acho que é um projeto que tem tudo para dar certo. Hoje, em uma distância de menos de 500 quilômetros, só tem no mundo um projeto trem-bala ligando duas cidades da importância do Rio e São Paulo. É o trecho Tókio/Kioto, no Japão.”

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