Infraestrutura terá 20% mais do BNDES.

Embora o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tenha projetado redução de 8% no volume total de desembolsos em 2010, após recorde de R$ 137,3 bilhões no ano passado, os recursos para infraestrutura vão aumentar em pelo menos 20%. Em entrevista ao Estado, o diretor de Infraestrutura e Insumos Básicos do banco, Wagner Bittencourt de Oliveira, avisa que a estimativa é apenas inicial.

Com a perspectiva de crescimento da economia acima de 5%, a demanda na sua área deve ser ainda maior.

Em 2009, as operações diretas, que financiam os grandes projetos, somaram R$ 21,23 bilhões, 43% acima do montante de 2008. Entusiasta do trem-bala São Paulo-Rio, ele defende maior atenção ao setor de transporte e logística.

A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como vai ser o desempenho do BNDES em infraestrutura em 2010?
O crescimento do desembolso do banco para infraestrutura aumentou vertiginosamente nos últimos anos e tende a continuar crescendo. Hoje, esperamos que o número de 2010 seja pelo menos 20% maior do que o de 2009. Mas o País deve crescer mais de 5% e a infraestrutura deve ir atrás, com novos projetos. Certamente o crescimento será ainda maior.

A crise não atrasou os investimentos do setor?
Os projetos de infraestrutura não foram afetados. Têm lógica de longo prazo. Não se faz um investimento numa hidrelétrica olhando o mercado de hoje. É um planejamento de anos. Estamos num volume de desembolsos que eu chamaria de fenomenal. E a curva de aprovações é maior do que a de desembolso, o que sinaliza liberação maior à frente.

O blecaute do ano passado levantou dúvidas sobre a capacidade do País de atender à demanda da retomada da atividade econômica…

Apoiamos 178 projetos entre 2003 e agosto de 2009, que significaram quase 25 mil MW de capacidade instalada. Financiamos 12 mil Km de linhas de transmissão nesse período, além de distribuição e racionalização. Significa que o banco tem financiado cerca de 4 mil MW por ano, que é mais ou menos o crescimento da demanda brasileira. Uma coisa é um problema pontual. Outro é ter lagos vazios faltando três meses para voltar a chover. Estruturalmente, não vai faltar energia porque os investimentos estão acontecendo. Obviamente é preciso que aconteça o leilão de Belo Monte, que vai botar 12 mil MW no mercado. Em seguida, há outros projetos importantes, como Tapajós, Angra 3, eólicas, biomassa.

Impasses como o licenciamento ambiental de Belo Monte dificultam concretizar os projetos?
Temos que nos preocupar mesmo com questões ambientais, promover uma discussão aberta. Não existe empreendimento no mundo sem impacto. O problema é como mitigá-lo. É um ajuste fino. E aí atrasa. No caso do Madeira, aconteceu a mesma coisa. Acho que o bom senso vai prevalecer. É um problema, mas nada que não seja superável. Até porque o objetivo maior é ter energia. Estamos discutindo o trem de alta velocidade Rio-SP. Provavelmente, vai ter questionamento também. É normal.

Dá para ficar pronto até a Copa?
Não. Pode até uma pequena parte estar funcionando em 2014. A ideia é fazer a licitação agora no primeiro semestre para que esteja em condições de começar a operar na Olimpíada de 2016. O tempo de implantação ainda será recorde.

Já está fechado o financiamento máximo do BNDES ao projeto?
Até 70% do investimento (previsto em R$ 34,6 bilhões).

O custo para o usuário não vai ficar muito alto?
Nunca mais vou de avião para São Paulo. O eixo entre Rio e São Paulo será uma coisa só daqui a 50 anos. Será possível morar em qualquer lugar nesse trecho de 400 Km e trabalhar numa das cidades. Será paradigmático, vai mudar nossa lógica de mobilidade. Depois, há previsão de ter em Curitiba, Belo Horizonte.

Que outras áreas da infraestrutura terão destaque para o banco em 2010?
Em ferrovias, temos financiado modernização e todos os novos projetos. Uma delas é a Norte-Sul. A Transnordestina este ano deve acelerar o ritmo, porque as dificuldades de desapropriação e licenciamento foram superadas. Temos financiado todas as rodovias que estão sendo concedidas, eixos muito importantes do Sul ao Nordeste. Temos apoiado a construção de navios e conversado com muitas empresas interessadas em investir em portos. Estamos ajudando no estudo de uma ferrovia entre o Atlântico, em São Paulo, e o Pacífico, no Chile. É importante que tenhamos empresas de logística que integrem os modais. Estamos trabalhando nisso também.

Em que setores na área de infraestrutura existem empresas com mais fragilidade, que poderiam ser alvo da entrada do banco em seu capital para fortalecê-las?
Em todos os setores, nós participamos. No caso de logística, talvez o banco tenha que dar uma atenção maior porque você precisa de mais musculatura. Em logística, às vezes, os investimentos são muito grandes. Às vezes, são empresas que não têm capacidade de fazer aquele investimento todo ou são ainda embrionárias do ponto de vista de gestão, então faz sentido você entrar.

A área de insumos básicos sofreu com a crise. Recuperou os investimentos?
Temos visto anúncios de uma série de novos empreendimentos. Existem sinais fortes no setor de papel e celulose. Em siderurgia, há parcerias sendo formadas para novos projetos. Em petroquímica, a mesma coisa. São setores cíclicos. Essa crise pode ter dado uma barrigada no ciclo, mas as empresas já estão reavaliando. O próprio investimento em infraestrutura gera demanda para esse setor.

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