Governo investe em estádios particulares

RODRIGO MATTOS
DE SÃO PAULO

O Ministério do Esporte quer gastar com equipamentos de segurança para 18 estádios privados, cujos donos são clubes brasileiros.

Pelo Estatuto do Torcedor, a responsabilidade pela segurança da torcida é dos clubes, que devem investir em monitoramento das arenas.

O investimento faz parte de programa para criar um sistema único de controle de torcedores para jogos das Séries A e B do Brasileiro. No total, 35 arenas receberão investimento, 17 públicas.

Há uma previsão de despesa de R$ 64,1 milhões –outros R$ 9,1 milhões estão previstos para assistência técnica. A despesa está prevista em licitação lançada pela pasta no final de 2010.

É a segunda tentativa do ministério de emplacar o projeto. A primeira concorrência foi revogada em 2010 após empresas questionarem exigências do seu edital. Então, o valor pedido pelo serviço era de R$ 80 milhões.

A nova licitação lista os 35 estádios que receberão a cessão dos equipamentos. Entre eles, 12 têm previsão de receber maior aparato eletrônico, segundo a listagem elaborada pelo ministério.

A maioria recebe jogos de times na Série A. Desses 12 estádios, nove são privados. São o Couto Pereira (Coritiba), Vila Capanema (Paraná), Arena da Baixada (Atlético-PR), Olímpico (Grêmio), Beira-Rio (Inter), Barradão (Vitória), São Januário (Vasco), Morumbi (São Paulo) e Vila Belmiro (Santos).

Outros três são públicos: Pituaçu, Pacaembu e Engenhão (da Prefeitura do Rio, cedido ao Botafogo).

Os equipamentos serão cedidos em regime de comodato aos clubes proprietários.

“Já temos um sistema de segurança. Mas eles querem unificar para criar um padrão e identificar os torcedores”, disse o diretor de marketing do São Paulo, Adalberto Baptista, sobre o Morumbi.

Um levantamento mostrou que o estádio são-paulino tem 75 câmeras.

Está prevista a instalação de mais 143 câmeras na arena paulistana. A ideia é que as antigas sejam conectadas ao novo sistema digital.

O gasto total com captação de imagens será de R$ 21 milhões. Com esse dinheiro, serão compradas 1.656 câmeras, além de itens como monitores, servidores de gerenciamento e gravadores.

Também haverá reforço nos controles de entrada nos estádios. O investimento previsto é de R$ 20,3 milhões. Serão instaladas 668 catracas nas arenas escolhidas.

A rede de comunicação do sistema consumirá o restante do dinheiro a ser liberado.

OUTRO LADO

Ao justificar investimento em sistemas de segurança em arenas de clubes, o Ministério do Esporte afirmou que “o estádio é privado, mas a segurança é pública.”

A assessoria da pasta afirmou que será gasto dinheiro com equipamentos e sistemas “que serão cedidos aos proprietários dos estádios em contrato de comodato”.

O ministério declarou que o gasto com os sistemas de acesso e monitoramento dos estádios atende a um termo de cooperação técnica para “implantar uma política nacional de segurança e prevenção da violência nos espetáculos de futebol”.

Em março de 2009, o acordo foi assinado pelas pastas do Esporte e da Justiça, pela CBF, pelo Conselho Nacional de Justiça e por procuradores de Estados e da União.

Nesse processo, “coube ao Ministério do Esporte a responsabilidade de criar mecanismos para desenvolver um sistema nacional de cadastro, controle de acesso e monitoramento de torcedores em estádios interligando-os à rede Infoseg [sistema que reúne dados de segurança pública no Brasil] do Ministério da Justiça”.

Segundo a pasta, o projeto faz parte do Torcida Legal, programa que tem como objetivo dar segurança e conforto para os torcedores.

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