Governo inicia licitações para obras no Rio Maranguapinho

Obras do Projeto do Rio Maranguapinho já apresentam avanços e devem ser concluídas até o fim de 2010
O governo do Estado acaba de divulgar uma lista de editais de licitação, na qual estão inclusas as obras de urbanização do sistema viário no entorno do Rio Maranguapinho. Trata-se da última etapa do Projeto Maranguapinho, que pretende acabar com uma das regiões com maior concentração de áreas de risco em Fortaleza. Somadas, as extensões das duas margens do rio a serem beneficiadas chegam a 30 quilômetros.

As obras, de acordo com o titular da Secretaria das Cidades, Joaquim Cartaxo, devem ser concluídas até o fim do ano que vem. “A urbanização é a última etapa, mas enquanto a respectiva licitação acontece, estamos avançando nas demais frentes de trabalho”, afirmou.

O projeto está orçado em cerca de R$ 500 milhões, dos quais R$ 350 são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, e o restante do Estado. Apenas com saneamento, os gastos estão estimados em R$ 80 milhões, sendo R$ 60 milhões oriundos do governo federal.

As ações estão divididas em quatro frentes de trabalho: esgotamento sanitário, habitação, urbanização e prevenção de enchentes. As obras de construção do Lago de Amortecimento de Cheias já começaram, em Maracanaú. “Isso vai evitar que o rio transborde nos períodos de chuva, como ocorre há décadas, prejudicando as centenas de famílias que vivem perto dali”, justificou. “A água represada ali só terá essa função, não será utilizada para consumo humano”.

As obras de saneamento também já começaram em diversos bairros. Ao todo, 17 serão beneficiados. A dragagem do Maranguapinho terá início já no próximo mês. Os conjuntos habitacionais que abrigarão as famílias removidas das áreas de risco também já estão sendo construídos. Serão beneficiadas 9.422 famílias. Todas já foram cadastradas. As que preferirem serão indenizadas.

Reunião

Joaquim Cartaxo esteve na Assembléia Legislativa reunido, na tarde de ontem, com deputados que compõem uma comissão formada para fiscalizar o andamento das obras do PAC, no Ceará. A princípio, o secretário deveria falar especificamente sobre as intervenções no Maranguapinho, mas sugeriu que fosse marcado um outro encontro para isso.

Os deputados assistiram, então, a uma explanação do presidente da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece), Henrique Vieira Lima, sobre as obras de saneamento em andamento ou previstas para todo o Estado. “Não daria para falar sobre esses dois temas com a riqueza de detalhes necessária numa mesma reunião”, explicou Cartaxo.

Indenizações: Começa abordagem às famílias

As placas às margens do Maranguapinho anunciam que grandes intervenções estão prestes a acontecer por ali. Enquanto as máquinas não chegam, os moradores da região vivem dias de expectativa. É que já tiveram início as abordagens para negociação das indenizações dos imóveis que precisarão ser demolidos para dar lugar às intervenções previstas pelo Projeto Rio Maranguapinho.

No bairro Bom Jardim, já é possível encontrar casas parcialmente demolidas e outras com portas e janelas lacradas. Placas de madeira colocadas nas fachadas indicam que os imóveis foram adquiridos pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece). Elas estão se multiplicando na vizinhança.

Todos concordam quanto aos benefícios das intervenções para a comunidade. Contudo, as opiniões sobre a remoção das famílias estão divididas. Grande parte dos moradores não se importa em deixar as casas em que residem, desde que recebam um valor que julguem aceitável pelos imóveis. Outros, porém, não estão felizes com a idéia de precisar sair do local onde nasceram e cresceram.

Para o gari Francisco Nogueira Neto, a maior preocupação é que pelo imóvel onde vive com a família seja oferecido um valor inferior ao valor que acreditam ser justo. No caso dele, a explicação está no fato de que seu imóvel possui um terreno nos fundos, onde são cultivadas frutas e verduras.

Parte da produção é consumida pela própria família e o restante vendido. “Não é só a casa. Tem o terreno e o que ele gera pra gente”, ressaltou Nogueira Neto. “Será que vamos conseguir comprar algo parecido em outro lugar com o que eles pretendem pagar pra gente?”.

Já a diarista Lúcia de Fátima da Silva acredita que nada paga o transtorno da mudança. Ela, que é mãe de um menino, vive há cinco anos numa casa que precisará ser demolida devido ao projeto e aguarda ser procurada pelo governo do Estado.

“Ouvi dizer que eles vêm. Já veio na vizinha”, contou. “Por mim eu não sairia daqui. Gosto dos vizinhos, tem ônibus perto de casa. Não sei se com o que eles vão pagar vai dar pra continuar por aqui”.

O que você pensa da remoção das famílias por conta do Projeto Rio Maranguapinho?

“Moro há 44 anos aqui, mas não me importo em sair pelo bem da comunidade. Só quero receber o justo”
Antônia Tieta Monteiro da Silva (73 ANOS – Aposentada)

“Na minha casa moram três famílias. Vamos sair, mas a gente precisa poder comprar outra do mesmo jeito”
Maria das Dores Nascimento Nogueira ( 74 ANOS – Pensionista)

“Já queria sair mesmo. Vou aproveitar o dinheiro para comprar um carro. Quero trabalhar com o que é meu”
Antônio José Ferreira (48 ANOS – Motorista)

Fonte: Diário do Nordeste

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