Governo de SP muda discurso e colocará dinheiro público no Itaquerão

Após passar dois anos dizendo que não colocaria dinheiro público em estádio, o governo de São Paulo voltou atrás e anunciou, ontem, que bancará a ampliação do estádio do Corinthians para receber a abertura do Mundial.

O clube paulista e a empreiteira se comprometeram a construir uma arena para apenas 48 mil pessoas, ao custo de R$ 820 milhões. Mas para estrear o evento da Fifa um estádio deve ter ao menos 65 mil lugares. É esta diferença que sairá dos cofres estaduais.

O secretário de Planejamento e Desenvolvimento Regional e coordenador da Copa em São Paulo, Emanuel Fernandes, calcula que o aluguel dos cerca de 20 mil assentos provisórios do Itaquerão custará R$ 50 milhões. Já o diretor superintendente da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, diz que a ampliação não sairá por menos de R$ 70 milhões.

Com isso, o preço da arena de Itaquera já bate na casa dos R$ 890 milhões –o segundo mais caro da Copa, atrás apenas do Maracanã (R$ 932 milhões). O custo da construção está mais próximo do R$ 1,07 bilhão orçado pela Odebrecht em abril e rejeitado pelo Corinthians.

Fernandes diz que o envolvimento do estado nas obras do Itaquerão se trata de um “apoio”, semelhante ao que é dado à Fórmula-1, também realizada na capital paulista.

“O que o estado vai fazer é dar apoio logístico ao evento de abertura da Copa e não ao estádio do Corinthians. Após a realização dos jogos, essa estrutura será retirada. Nenhum parafuso ficará com o Corithians”, disse.

Fernandes afirma que o custo do aluguel não sairá necessariamente dos cofres públicos, pois o governo pode arrumar parceiros para isso. Deverá haver licitação para contratar as estruturas.

Mesmo com a confirmação do coordenador paulista e da Odebrecht, o Corinthians negou a informação e disse que a ampliação do estádio com arquibancadas provisórias está incluída no orçamento de R$ 820 milhões.

Antes de anunciar a verba pública para o estádio de Itaquera, o governado Geraldo Alckmin havia se comprometido apenas com obras de mobilidade urbana para melhorar o acesso à arena. Mas pressões do clube, da empreiteira e da Fifa levaram São Paulo a comprometer verbas do orçamento com o palco do Mundial.

O anúncio de dinheiro público estadual no Itaquerão aconteceu no mesmo dia em que o prefeito paulistano, Gilberto Kassab, sanciou lei que dá R$ 420 milhões para as obras do estádio. Os recursos virão por meio de Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento (CIDs), que permitem abatimento de ISS e IPTU da Odebrecht e outras empresas.

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