Fornecedores de serviços reforçam bases no país

Por Paola de Moura | Do Rio

Serão R$ 112,8 bilhões de investimentos até 2014. Apenas em obras de infraestrutura serão gastos R$ 22,46 bilhões para que o Brasil possa fazer bonito na Copa do Mundo e nos Jogos Olímpicos. Um volume de investimentos simultâneos que nunca foi visto no país. E é de olho nesses gastos, tantos públicos como privados, que as empresas multinacionais estão abrindo ou aumentando seus escritórios por aqui para garantir acesso a esses recursos. A Aggreko, fornecedora de soluções temporárias de energia, já montou escritório em oito das 12 cidades sede da Copa de 2014, no Brasil, e planeja se expandir. “São eventos em que o país-sede não pode se dar ao luxo de deixar um estádio às escuras ou perder energia necessária à transmissão de televisão”, lembra Diogenes Paoli Neto, diretor-presidente da Aggreko América do Sul.

Presente no Brasil desde 2002, quando começou a operar em Macaé (RJ) focando na indústria de óleo e gás, seus maiores clientes atualmente são as cidades e os Estados. Este ano, a empresa está fornecendo 47 MW de energia emergencial para complementar o sistema elétrico do Amapá, no Norte do Brasil, por exemplo. O motivo é a possibilidade de redução na geração da usina hidrelétrica Coaracy Nunes, que abastece a região e opera a 150 quilômetros de Macapá, capital do Estado.

O contrato, apesar de ser com um Estado, é menor do que a necessidade de uma Copa do Mundo. “Na África do Sul, a Aggreko forneceu ao comitê organizador 56 MW de energia durante um mês. Ao todo, foram utilizados 250 geradores e 500 km de cabos. “A cada ano, a necessidade adicional de energia é maior. Sempre, a última Copa é que consome mais”, explica Diógenes. A empresa também gerou toda energia necessária ao Rock in Rio IV, realizada em setembro deste ano: 22,5 MW em uma semana.

Só para se ter uma ideia, dados da Fifa dão conta que serão 73 mil horas de transmissão na Copa do Mundo, o que equivale a oito anos de um televisor ligado. Metade da população do mundo assiste aos jogos. “Normalmente, as transmissoras de tevê não utilizam as concessionárias. Primeiro vem uma fornecedora independente, depois um “backup” e por último, as concessionárias, que fazem iluminação pública, local. Na Copa de Futebol do Mundo da África, toda a iluminação do estádio era fornecida por geradores. Eles não quiseram correr o risco”, conta Neto.

Outra multinacional que está aumentando seus quadros com foco nos grandes eventos é a Siemens. A empresa criou, em 1º de outubro deste ano, a divisão de Cidades, Infraestrutura e Grandes Eventos. Sérgio Cavina Boanada, diretor da área, conta que serão 80 mil funcionários no mundo trabalhando na divisão, de um total de 400 mil.

Boanada explica que eventos como a Copa ou as Olimpíadas são catalisadores para as grandes cidades. “O mais importante não é o evento em si, mas o que fica permanentemente para depois”. A empresa, que tem outras três divisões – energia, indústria e saúde -, pode fornecer, entre outras, soluções para energia, transporte, água e saneamento. “No estádio Alliance, em Munique, todas as lâmpadas estão sendo substituídas por novas. São entre 300 e 400, que resultarão em um consumo 30% menor que o atual”, conta o diretor, acrescentando que a empresa procura sempre lançar produtos que ajudem na sustentabilidade e que gerem economia.

Apesar disso, há produtos também desenvolvidos para soluções de estádios que facilitam a venda de ingresso, o sistema interno de informações e a venda de produtos, por exemplo. “Não se construía um estádio no Brasil há mais de 50 anos, a não ser o Engenhão, que não é um estádio nos padrões da Fifa”.

A Siemens também quer entrar nas concorrências das reformas e ampliações dos aeroportos. Segundo Boanada, em Munique, as esteiras de mala entregam as bagagens quase simultaneamente à chegada dos passageiros na área de desembarque. “As esteiras do Santos Dumont também são nossas, mas lá a Infraero quis só o mais básico – aquela da qual se retira a mala do caminhão e deposita na esteira. Isso não depende de nós, apenas de quem está fazendo a licitação”.

Multinacionais de hospitalidade se uniram em uma joint venture para competir com mais força nesse mercado de eventos. Empresas como Aramark Corporation, que oferece serviços de alimentação, e gerenciamento de instalações, atende clientes em 22 países e fatura mais de US$ 12 bilhões por ano, se uniu a Küehne Nagel, que também é líder mundial em serviço de logística, como transporte marítimo, aéreo e ferroviário, presente em mais de cem países, participam do grupo que querem oferecer o atendimento em conjunto. Até agora são oito multinacionais que têm o objetivo de vender um pacote integrado de serviços. “A ideia é unir forças para montar um estrutura local, com fornecedores brasileiros, mas com o know-how de empresas que já participaram de dezenas de copas”, explica João Vitor França, executivo da Golden Goal, empresa representante do grupo no Brasil.

Para França, eventos como este geram mais oportunidades além dos jogos oficiais. “Muitas empresas vão promover eventos paralelos de relacionamento com seus clientes ou parceiros. São poucas as que terão camarotes ou ingressos para os estádios. E mesmo estas, abrirão áreas para receber e concentrar antes de jogos. Para empresas de serviços o leque é muito mais amplo que o governo ou o comitê organizador”, revela.

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