Falta de fiscalização transforma avenida em palco de tragédias.

Por enquanto, só há promessas de rigor na fiscalização de veículos, dividida pela BHTrans e o Dnit na BR-356, via que inclui a avenida, e mesmo assim em conta-gotas

Luciane Evans – Estado de Minas

Não há radares para punir a alta velocidade dos carros. O controle de veículos de carga está a 137 quilômetros de Belo Horizonte. Entram e saem caminhões na cidade com peso acima de 5 toneladas. As características não são de uma via qualquer da capital, mas da perigosa Avenida Nossa Senhora do Carmo, na Região Centro-Sul, pela qual trafegam 95 mil veículos por dia. É, por isso, considerada uma das mais movimentadas de BH. A solução pode vir em prestações, como se as autoridades só soubessem agora dos problemas que ocorrem há mais de 15 anos.

Há a promessa de, em janeiro, um conjunto de radares ser instalado na avenida, na entrada para o Bairro Belvedere – medida que a BHTrans acredita ser ideal para conter motoristas que abusam da velocidade. Mas é somente em 2011 que começará a restrição de tráfego a caminhões com mais de 5 toneladas de carga. Enquanto isso, a Nossa Senhora do Carmo é atropelada por acidentes, como o de quinta-feira, no qual nada menos do que 30 pessoas ficaram feridas e 16 carros foram arrastados por um caminhão carregado de liga de argamassa que perdeu os freios. Por milagre, ninguém morreu.

O grave acidente desta semana não foi o único e está longe de ser o último. Assim como as soluções prometidas. Mas, para o diretor de Ação Regional e Operação da BHTrans, Edson Amorim, a avenida está bem estruturada e é fiscalizada. “A cidade tem que ser economicamente viável para implantarmos a restrição a veículos com carga pesada”, explica, na tentativa de justificar a espera de pelo menos 15 anos. “Os outros governos deram prioridade a outras questões. Foi nesta gestão que se pensou em soluções para este problema”, vangloria-se.

Sobre os dois radares prometidos para janeiro, a barreira é a burocracia. “Ainda estamos em fase de licitação, mas a fiscalização eletrônica será feita na altura da entrada para o Bairro Belvedere”, diz Edson Amorim. Em relação ao controle de caminhões, ele afirma que não haverá terminal de cargas. “E não vamos proibir a circulação desses veículos. O que faremos é o que já está sendo feito no Hipercentro, com restrição de horário de tráfego. Não será permitida a passagem desses carros das 7h às 20h, de segunda-feira a sexta-feira. Ao sábados, a restrição será das 7h às 15h. Não acredito que essa regulamentação não seja cumprida. Temos como resultado o Centro de BH, mas todo o processo leva tempo”, justifica. Os caminhões que chegam a BH pela BR-356 só passam por balança com limite de carga perto de Carandaí, na Região Central, a 137 quilômetros.

Na Nossa Senhora do Carmo, as funções quanto à fiscalização são divididas. Por se tratar de uma rodovia (BR-356) que começa na Avenida do Contorno e termina no Viaduto do Mutuca, a responsabilidade sobre a via é dividida pela BHTrans e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Fica a cargo da primeira os 4,7 quilômetros da Avenida Contorno até a entrada para o Bairro Belvedere. No trecho, 856 motoristas foram autuados no primeiro semestre por falta de documentos, estacionamento em local proibido, por dirigir ao celular e por não usar cinto de segurança.

Fica a cargo do Dnit punir a alta velocidade e o volume excessivo de carga em todo o trecho. De acordo com órgão, até o fim do mês três radares (lombadas eletrônicas) serão religados. Dois estão perto do Ponteio Lar Shopping e um acima do BH Shopping. Outras 22 lombadas eletrônicas deverão ser instaladas: 10 no Anel Rodoviário e 12 nas BRs 356, 381 e 040.

Avaliação

“É uma discussão que não sai do papel há muito tempo”, destaca o técnico de mobilidade da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte Paulo Rogério da Silva Monteiro. Na avaliação dele, enquanto a cidade não for estruturada, ficará difícil acabar com os problemas nos grandes corredores. “A solução não depende só de BH. Os caminhões vêm de onde? Envolve toda a região metropolitana.”

Segundo ele, falta fiscalização efetiva, não só com radares, mas também dos veículos de carga que chegam à capital. “Há quanto tempo não vemos uma operação para fiscalizar freios, setas e buzinas dos caminhões? O que causa acidente é a certeza da impunidade. As placas avisando sobre radares só servem como redutores imediatos de velocidade. Por isso, deveríamos discutir a regulamentação para que o motorista não fique sabendo dos locais onde há equipamento eletrônico”, diz, acrescentando que na Nossa Senhora do Carmo, assim como em outras grandes avenidas, não só os motoristas correm riscos, mas também os pedestres. “Restringir a circulação dos veículos em certos horários também não é ideal porque haverá riscos da mesma forma, às 5h ou às 21h”, critica.

De acordo com Monteiro, a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana está fazendo um levantamento das alternativas de rotas para caminhoneiros. “A ideia é criar um sistema viário no qual o caminhão não atravesse a cidade, passando apenas pelo seu entorno”, afirma, acrescentando que o veículo pesado passaria por uma rodovia que abrangeria Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Pedro Leopoldo, Lagoa Santa, Santa Luzia e Sabará, o chamado Rodoanel, que também não sai do projeto.

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