Estudo avalia condições de 235 mil árvores da capital.

Junia Oliveira – Estado de Minas
Publicação: 24/03/2010 08:01 Atualização: 24/03/2010 08:30

onhecer bem as árvores de Belo Horizonte para tratá-las melhor e evitar transtornos e tragédias, principalmente em dias chuvosos, quando o número de ocorrências relativos às quedas preocupa a população e as autoridades. A partir do segundo semestre, engenheiros e técnicos da Secretaria de Municipal de Meio Ambiente e da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) farão, durante 18 meses, um inventário inédito no país sobre a situação dos exemplares plantados na capital. O levantamento não será apenas quantitativo e abordará também os aspectos qualitativos da vegetação. Mais de 40 quesitos serão avaliados em cada uma. A expectativa é gerar um banco de dados com mais de 10 milhões de informações, referentes a, pelo menos, 235 mil árvores. O projeto está em fase de elaboração de parâmetros e de termos de referência para a licitação de equipamentos e contratação de mão de obra.

Apenas nos primeiros meses deste ano, pelo menos 185 árvores caíram na capital. Em 2008 e 2009, foram registradas 3.085 quedas de galhos e troncos pelas regionais Oeste, Barreiro, Nordeste, Leste, Pampulha e Venda Nova. Os números referentes à Centro-Sul e à Noroeste não foram considerados, pois as administrações dessas regiões repassaram somente os dados sobre podas e supressões, sem destacar as quedas.

A maioria das ocorrências foi em períodos chuvosos, quando tempestades, raios e vendavais tornaram-se a mistura perfeita para o caos na cidade. Na Região Leste, por exemplo, 38 árvores tombaram em janeiro, quando os temporais castigaram a capital, superando a quantidade registrada no mesmo período de 2009 (32) e 2008 (29). Foi também em janeiro que três pessoas – uma criança de 2 anos, a mãe dela, de 22, e um homem, de 62 – foram esmagadas por uma árvore, enquanto tentavam esconder-se das chuvas numa guarita na portaria do Hospital Júlia Kubitschek, no Bairro Milionários, na Região do Barreiro.

O gerente de áreas verdes e arborização urbana da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Hélio Araújo Campos, ressalta que o inventário será importante não só para evitar situações perigosas, como também indicará as regiões da cidade que têm pouca arborização, direcionando os novos plantios. Mas, será necessário saber onde e o quê se pode plantar e, por isso, uma série de fatores será observada, como a largura do passeio, o tipo de fiação da rede de distribuição de energia elétrica, a presença de hidrante, se há garagem ou lixeira nas calçadas.

“Um exemplo de região crítica é o Bairro Anchieta, na Região Centro-Sul de BH. A estimativa é de que 70% das calçadas do bairro não comportam o plantio de árvores. Para a secretaria não cortar tudo e haver um agravamento do microclima da cidade, a ideia é incrementar o plantio em outras regiões antes de tirá-las”, destaca. “A legislação federal de acessibilidade exige 1,5m de calçada para o pedestre e isso está contemplado no novo código de obras, aprovado recentemente. Para podermos plantar, precisamos de uma calçada com largura de 2,1m. Teremos de localizar onde há essa calçada e onde tem possibilidade de plantar mais árvore”, diz.

Em paralelo ao inventário, a cidade já colhe os primeiros frutos do Programa Especial de Manejo Integrado Árvores e Redes (Premiar), feito pela Cemig também em parceria com a prefeitura. A identificação de exemplares em contato com a rede elétrica está sendo feito em três regiões – Pampulha, Centro-Sul e Noroeste – e, a partir do dia 1º de abril, será implementado na Oeste. Até agora, quase 2 mil árvores receberam o diagnóstico de supressão. A surpresa ficou por conta da Pampulha, onde 545 plantas foram identificadas com algum grau de comprometimento. “Tínhamos uma tendência de aumento de queda de árvores e, nas áreas identificadas como de risco ou de conflito, conseguimos equilibrar essa curva e inverter o prognóstico, resultado da prevenção”, afirma o coordenador do Premiar, Carlos Alberto de Sousa.
Prejuízos
Além de deixar rastros de caos na cidade, a queda de árvores causa também muitos prejuízos financeiros à população. A quem teve o carro esmagado ou a casa danificada só resta arcar com os danos, pois não há responsável, a não ser a natureza. O coordenador do Procon da Assembleia Legislativa, Marcelo Barbosa, conta que nunca viu uma sentença na Justiça contra o poder público municipal. “O Código Civil é claro: força maior, como fenômenos da natureza, são situações não-indenizáveis. Cabe a cada cidadão a responsabilidade de fazer a denúncia às autoridades e, a elas, a verificação do caso e supressão da árvore”, diz.

O pedido de vistorias em árvores plantadas em áreas públicas deve ser feito pelo telefone 156 ou no site www.pbh.gov.br. Em terrenos particulares, a requisição deve ser feita nas gerência de atendimento das regionais, mediante comprovação de que o solicitante é proprietário ou representante legal do imóvel. Em caso de emergências, com risco iminente de queda, o cidadão deve ligar para o Corpo de Bombeiros (193) ou para a Defesa Civil (199).
Olhar cidadão
A exemplo do Você Repórter, a TV Alterosa e o Portal UAI lançam esta quarta-feira o projeto Olhar Cidadão, serviço de utilidade pública que incentiva a colaboração dos telespectadores e internautas desses veículos de comunicação dos Diários Associados em Minas Gerais a enviar vídeos, fotos e textos revelando os problemas da cidade onde mora. As denúncias podem ser feitas no endereço www.alterosa.com.br/comunidadeja. A participação dos leitores pode virar uma reportagem nos veículos dos Diários Associados. Nesta quarta no Jornal da Alterosa 1ª edição, confira reportagem completa sobre árvores que oferecem riscos a motoristas e pedestres de Belo Horizonte.

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