Esquema desestabilizou a economia de Brasília

Setores privado e público sofreram não só em descrédito, mas também financeiramente com denúncias da operação, que completa dois anos

PRISCYLLA DAMASCENO

pdamasceno@jornaldacomunidade.com.br Redação Jornal Coletivo

A Caixa de Pandora não só prejudicou a economia e os negócios no Distrito Federal, mas também negativou a ação de empresas que atuam na região em negócios em outras partes do Brasil. Danielle Moreira, presidente da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF), confirma a retração na economia do DF no pico da operação e os efeitos negativos nos negócios privados. Inclusive, Daniele revela que durante a crise, o Distrito Federal perdeu grandes empresas que estavam dispostas a investir na região e poderiam trazer benefícios como empregos, giro de capital, entre outros.

“Alguns empresários ficaram com receio de ter que admitir funcionários. Ouvi até falar de pessoas que trabalhavam no governo que estavam com medo de consumir e não ter uma poupança depois. Muitas dessas eram cargos comissionados e de confiança do governo, que não são poucas pessoas em Brasília”, ressalta Danielle Moreira. Ela conta que pessoas menos esclarecidas chegaram a retirar seu capital dos bancos, “com medo, sem entender se aquela crise política poderia ter impacto na economia nacional e local”, comenta.

Ela conta que no auge das denúncias, enquanto se falava em intervenção, as entidades do setor privado se mobilizaram junto à população do Distrito Federal em um abraço simbólico ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a intervenção na capital do país. “À época, a Associação, o Sindicato da Construção Civil (Sinduscon), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) e outras entidades preferimos acreditar que Brasília tinha solução”, diz a dirigente. “Mas infelizmente, essa demora nas investigações é uma tristeza muito grande para a população do DF. Começam toda uma investigação, mas no final das contas isso não termina de ser apurado e a corrupção continua acontecendo”, enfatiza Danielle Moreira.

Antônio Rocha, presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), pontua que já era previsto as denúncias da Caixa de Pandora ocasionarem em dificuldades para o setor produtivo. “Então o ano de 2010 foi muito difícil para o setor produtivo de Brasília como um todo. Obras inacabadas, contratos não cumpridos, licitações canceladas. Em uma unidade federativa que teve quatro governadores em um único ano, não poderia ser diferente. De qualquer forma, a indústria do DF cresceu em 2010 mais do que em 2009, ano em que sofremos não com a crise política, mas econômica”, conta o presidente.

Em 2011, o setor de indústria e comércio espera mais investimentos. “O novo governo chegou para arrumar a casa e, após esses dois anos difíceis, a expectativa é boa, de que veremos o resultado no ano que vem. Nós, inclusive, cobramos isso do governador Agnelo Queiroz em reunião recente do setor produtivo”, afirma Antônio Rocha.

Impacto direto no setor privado

E não só o impacto direto do setor público, mas também a relação público-privada fica prejudicada. As licitações e contratos públicos são o maior exemplo disso. o economista Newton cita, por exemplo, as empresas que têm contratos governamentais e param de receber os recursos públicos por causa das investigações do Ministério Público e da Polícia Federal, ou justificado pela troca de chefe do Executivo quatro vezes em um ano, apenas. “Isso tudo vai causar demissões, endividamentos, a impossibilidade de dar continuidade a obras como a EPTG, o VLT, tudo isso se relaciona indiretamente. Fica tudo parado”, comenta o economista.

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