Enterpa retorna à coleta de lixo e pretende diversificar negócios

Guilherme Manechini

A segunda geração da família Carvalho Alves acaba de assumir o comando da Enterpa com foco em novos negócios e na retomada de uma especialidade da empresa, a gestão ambiental. Com a presidência executiva ocupada por Claudia de Carvalho Alves, 40 anos, e o conselho de administração sob direção de seu irmão Alberto de Carvalho Alves, 42 anos, o objetivo é dobrar o faturamento da empresa até 2010, atingindo R$ 174 milhões.

Após vender toda a operação de coleta, varrição e aterros de lixo domiciliar para o Grupo Macri, da Argentina, em 1998, a empresa voltou a atuar na área e já comanda, desde agosto de 2005, os serviços de duas capitais brasileiras: Manaus (AM) e Macapá (AP).

Além dos serviços de limpeza urbana, a nova presidente do grupo – filha do fundador Conrado de Carvalho Alves – pretende ampliar a carteira de clientes corporativos nos serviços de dragagem e também ingressar no mercado imobiliário na região Nordeste. Segundo ela, do período em que houve a venda para os argentinos até este ano, a Enterpa passou por uma reestruturação na diretoria e em suas áreas de atuação.

O contrato inicial firmado com o Grupo Macri previa que a empresa deixaria a gestão ambiental por 20 anos. No entanto, em meados de 2004 ainda havia pendências financeiras entre os dois grupos e o contrato foi reformulado. “Retiramos a cláusula de não competição”, afirmou Claudia, frisando que “o relacionamento com os argentinos continua ótimo”. Mesmo com a retirada da barreira, existe um “acordo de cavalheiros” para as empresas não competirem nas mesmas cidades.

De acordo com dados da Enterpa, o faturamento alcançou R$ 88,76 milhões no ano passado, o que representa um crescimento de aproximadamente 20% em relação ao exercício anterior. A Enterpa Engenharia, subsidiária da empresa para serviços de dragagem e engenharia, respondeu por 50,5% do resultado; seguida pela gestão ambiental (coleta, varrição e aterros) com 45,5%; e pelo braço imobiliário que completa a receita.

“Fora a gestão ambiental, temos buscado clientes privados na área de dragagem e investido em tecnologia para sermos competitivos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)”, disse a presidente.

Os alvos da Enterpa no programa de crescimento do governo federal e nas Parcerias Público Privadas (PPPs) são as licitações de hidrelétricas, portos e rodovias. “As empresas precisarão estar estruturadas economicamente para atender este desenvolvimento que o país precisa. E uma das nossas estratégias têm sido alianças com empresas estrangeiras”, afirmou.

Presente na maior parte dos portos do país, a empresa tem trabalhado em conjunto com a SDC do Brasil, subsidiária da Chec-China Harbour Enginering Company, e com a holandesa Boskalis na dragagem de rios, lagoas, portos públicos e privados.

Dentre os principais clientes estão a Companhia Vale do Rio Doce, Aracruz, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Cosipa e Alcoa. No setor de obras públicas, a última atuação de grande porte foi no aprofundamento da calha do rio Tietê, em São Paulo. O trecho de 6,5 quilômetros sob responsabilidade da Enterpa foi orçado em R$ 200 milhões.

Existem investimentos da ordem de R$ 12 milhões para o “curtíssimo” prazo, conforme informações do diretor da empresa, Marcelo Diniz de Paula Rocha. “Aprovamos com o Fundo da Marinha Mercante a construção de duas barcaças para dragagem portuária”, explicou. O financiamento será fornecido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Segundo Rocha, a empresa investe, em média, 10% do faturamento na modernização e aquisição de equipamentos.

A última licitação que o grupo participou, e que ainda está em curso, é a da transposição do rio São Francisco. “Entramos com mais um parceiro na disputa de cinco dos 14 lotes possíveis”, confirmou Claudia.

No segmento de incorporação imobiliária e edificação, a subsidiária Estilo terá um parceiro europeu para atuar, principalmente, nas classes de baixa renda do Nordeste. Entretanto, os empreendimentos existentes não contemplam estes objetivos. Atualmente, a Estilo possui um prédio no bairro do Panamby, com ticket médio de R$ 400 mil, e um condomínio de casas no valor de R$ 120 mil, ambos em São Paulo.

Os planos da Enterpa e a mudança de comando ocorrem no ano em que a empresa completa meio século. O fundador, Conrado de Alves Carvalho, de 80 anos, passa o bastão aos filhos e espera “que eles tenham competência para fazer a Enterpa completar 100 anos”. “Nunca fui empregado. Sempre fui empresário”, afirmou Carvalho. Para ele, o grande destaque de sua companhia foi a atuação na coleta de lixo.

Os filhos ressaltam que o fundador não deixará de participar das decisões da empresa. “O Conrado tem auxiliado tanto na parte do conselho, na qual sou responsável, quanto na presidência que está com a Claudia”, disse Alberto.

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