Empresas ilegais oferecem serviço.

A abordagem é rápida. “Ele cobrou quanto? R$45? Eu levo vocês. Cobro o mesmo preço, só que o meu carro é maior, é uma van. Não, não posso ir até lá porque vai dar problema, não posso trabalhar aqui dentro. Mas se vocês forem até o estacionamento, eu levo vocês”.

Com esses argumentos, um motorista abordou uma família de cinco pessoas que havia acabado de desembarcar na tarde de ontem no Aeroporto Augusto Severo, vindos de São Paulo. A questão é que, como ele mesmo admitiu, ele não deveria estar ali por não se tratar de um agente credenciado junto ao aeroporto.

Enquanto isso, uma agência autorizada a fazer o transporte de turistas até o hotel recebia outros clientes do mesmo vôo interessados no serviço. A van ilegal partiu com cerca de 15 passageiros. A autorizada levou apenas quatro. Concessionárias de locação de veículos e agências de turismo estão sofrendo com a presença de empresas não autorizadas dentro do aeroporto. Elas alegam prejuízos e reclamam da concorrência desleal. Há relatos até de particulares que abordam os passageiros oferecendo o aluguel do próprio veículo.

Bianche Morais, da FLTour, sente os efeitos da atuação dos clandestinos. “Trabalhamos como receptivos, mas notamos prejuízos com esses ilegais. Deveria haver um controle maior”, afirma.

O funcionário da empresa Serra Dourada, Henrique Silva, teme pela segurança dos passageiros. “Buscamos um turismo saudável. Somos credenciados, pagamos seguro. Mas não há critérios para essas pessoas. Os turistas não sabem que eles não podem trabalhar aqui, então eles se aproveitam da situação. Ainda não aconteceu, mas é possível que haja um rapto ou roubo dessa forma, algo que traria inúmeras repercussões”.

De acordo com Willyana Cosme, também Serra Dourada, a presença dos atravessadores aumenta com a demanda por carros. Ela estima uma diminuição de 20% na média de 300 atendimentos por mês.

Alessandro Soares Rosa, sócio da Unidas Rent a Car, que atua há 15 anos no aeroporto, fala sobre os problemas enfrentados pelas concessionárias. Segundo ele, além da concorrência desleal feita pelos atravessadores, as empresas convivem com o encarecimento do preço da locação pelo espaço no aeroporto e com a carência de apoio por parte da Infraero.

“São verdadeiros assediadores que abordam o cliente no momento do desembarque, oferecendo preços desleais, porque não têm nenhum custo. Se esse cliente não tiver feito uma reserva antes, vai procurar pelo serviço, mas não vai chegar até nós, porque não podemos abordá-lo”.

Ele estima os atravessadores causem um prejuízo de 20% a 30% no faturamento mensal da empresa, que deixaria de realizar cerca de 130 contratos a mais por mês. “Não temos respaldo aqui dentro. Já solicitamos providências para a Infraero, mas nada mudou”.

De acordo com o empresário, o último contrato foi renovado com reajuste de 300%. O valor mensal da locação do box de 12 metros quadrados passou de R$ 7 mil para R$ 23 mil. “É um preço exorbitante, tanto para o reajuste em si como em comparação com aeroportos de maior porte. Cobram como se estivéssemos funcionando em São Paulo”.

Por se tratar de uma franquia, os gastos sobem ainda mais. “Hoje nós apenas sobrevivemos. Desde o final de abril o negócio está complicado e notamos realmente o peso da concorrência com os atravessadores e do aluguel”.

A empresa tem direito a uma área de estacionamento de 630 metros quadrados para guardar seus veículos de locação. “Recebemos a área sem qualquer estrutura, não há iluminação ou segurança. Já tive três carros arrombados”. Além de “roubar” seus clientes, os atravessadores também estariam utilizando dependências exclusivas dos locatários.

Infraero afirma que há fiscalização constante

Segundo o superintendente da Infraero no estado, Uziel Vieira, existe fiscalização no aeroporto para conter os serviços irregulares, a cargo de um supervisor com o apoio de um vigilante. “Sempre que é constatada essa prática, há a solicitação para que essa pessoa irregular pare de oferecer o serviço. Não podemos retirá-lo porque se trata de uma área pública, mas se ele insistir na oferta, a polícia militar é acionada”. No entanto, isso nunca chegou de fato a acontecer, porque os irregulares saem do saguão, segundo Uziel.

Sobre a infraestrutura, o superintendente afirma não haver histórico recente de roubos no estacionamento do aeroporto e que a iluminação do local se encontra em funcionamento.

Já o aumento na renovação dos contratos seria causada pela modalidade de licitação. “Os interessados participam do pregão e ganha quem oferecer o maior preço”. Outro método é a média de preços dos aeroportos do mesmo porte como parâmetro para a licitação.

A fiscalização de veículos no entorno do aeroporto seria responsabilidade do Departamento de Trânsito de Parnamirim, a quem caberia coibir a presença de veículos não credenciados.

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