Empresários de 2 estados são indiciados.

Além dos 11 presos pela Polícia Federal, construtores de fora de Mato Grosso estão entre os indiciados no inquérito

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem

Documentos e informações obtidos pelo Diário revelam que, além dos 11 presos na operação Pacenas, foram indiciados pela Polícia Federal (PF) donos de empreiteiras constituídas em outros estados do país e articuladores do esquema.

A operação Pacenas foi deflagrada no dia 10 de agosto, escancarando um verdadeiro escândalo envolvendo fraudes nas licitações de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá e Várzea Grande.

O empresário Júlio Flávio Campos de Miranda, filho do empreiteiro Jorge Pires, é um dos indiciados. O pai foi um dos empresários presos na operação. Júlio Flávio chegou a substituir o empresário Luiz Carlos Richter, também preso na operação, na presidência do Sindicato das Indústrias da Construção do Estado (Sinduscon).

Além de Júlio Flávio, também estão na relação de 22 indiciados os construtores Olinger Gomes e Mariozam Pimenta, donos da empreiteira Costa Gomes, de Goiânia, Edson Marques Chiodarelli e Ricardo Issao Ishitani. O último citado é ligado a uma construtora de Maringá (PR).

Estes empresários, apesar de indiciados, não foram presos pela PF, ao contrário dos construtores radicados em Mato Grosso. Todos, conforme o inquérito da PF, teriam recebido dinheiro em troca da não participação nas licitações, “abrindo caminho” para empreiteiras locais.

Também consta na lista de indiciados pela Polícia Federal como intermediadores na trama do esquema, responsáveis por parte dos contatos com construtoras de fora do Estado, quando eram feitas várias propostas financeiras, conforme apontam as investigações e interceptações telefônicas. No grupo estão os empresários Esper Haddad e Luiz Antônio de Miranda, Nei Busnardo, Guilherme Rezende, Hélio Júnior e Gustavo Caputto Cariello.

A lista enviada pela PF à Justiça Federal se completa com os 11 presos na operação Pacenas: os empresários Anildo Lima Barros, Marcelo Avalone, Carlos Avalone Júnior, Jorge Pires de Miranda, Luiz Carlos Richter Fernandes e José Alexandre Schutze; o então procurador-geral de Cuiabá, José Antônio Rosa; e os servidores Ana Virgínia de Carvalho, Milton Nascimento Pereira, Jaqueline Favetti e Adilson Moreira da Silva, membros das comissões de licitação de Cuiabá e Várzea Grande.

Entre os novos nomes, caberia a Luiz Antônio de Miranda e a Esper Haddad dois importantes papéis. Documento da PF aponta que Miranda, embora tenha sido citado em poucos diálogos em conversas telefônicas, é a figura a quem outros indiciados pediram orientações para saber de qual dos lotes do PAC sairiam pagamentos de recursos. Já Esper Haddad, de acordo com as investigações, sabia da fraude nos certames e participou de reuniões com empreiteiros com o objetivo de identificar construtoras locais interessadas em participar e afastá-las das licitações.

Nei Busnardo e Hélio Júnior surgem na trama como articuladores que agiam em nome do empresário e suplente de deputado Carlos Avalone (PSDB), com o papel de intermediar contatos com concorrentes para que abandonassem as licitações e realizarem as ofertas de ‘acordos’ financeiros. As intermediações também eram feitas, conforme os documentos da PF, por Guilherme Rezende e Gustavo Caputto Cariello.

No caso de Rezende, ele é quem teria feito a ‘ponte’ entre os sócios da construtora Costa Gomes e o Sinduscon de Mato Grosso. O episódio foi confirmado pelos empresários em depoimento à PF. Já o nome de Gustavo, conforme o teor de escutas telefônicas, era frequentemente citado por Carlos Avalone.

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