Empresa vencedora da licitação do Lote 1 da duplicação da BR-280 é barrada pelo Dnit

Maior acionista da Técnica Construtora S/A é a Delta, envolvida em um escândalo de corrupção

Trecho conhecido como Morro da Palha, onde acontecem graves acidentes, está no Lote 1 da duplicação da BR-280
Trecho conhecido como Morro da Palha, onde acontecem graves acidentes, está no Lote 1 da duplicação da BR-280

A Técnica Construtora S/A, primeira colocada entre as empresas que disputavam a licitação para as obras do lote 1 da BR-280, foi barrada pela Comissão de Licitações do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) nesta quinta-feira (18). De acordo com o órgão federal, o motivo é que a maior das acionistas da Técnica é a Construtora Delta, envolvida em um escândalo de corrupção e investigada pela Comissão Parlamentar de Inquérito em 2012.
De acordo com o Dnit, como a licitação ainda está em andamento, a construtora só poderá recorrer após a declaração de uma empresa vencedora. “A Técnica então poderá recorrer na esfera administrativa e na Justiça Comum”, explicou o órgão federal. Com a inabilitação da primeira colocada, é chamada a segunda classificada com a menor proposta de preço. De acordo com Dnit, a Construcap, também de São Paulo, entra automaticamente em análise.
A Amunesc (Associação de Municípios do Nordeste de Santa Catarina) recebeu a notícia com tranquilidade. “Sabemos como funcionam os processos do Dnit em, extraoficialmente, também fazemos nossas análises das empresas envolvidas no processo”, explicou Eleonora Bahr Pessoa, Secretária executiva da Amunesc. De acordo com a secretária, o próximo passo é ter paciência e esperar o cumprimento dos prazos legais. “Se, após os prazos, percebermos que as partes envolvidas estão protelando, vamos voltar às ruas”.
Decisão repercute entre autoridades regionais
Célio Bayer, vice-presidente regional da Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina), entende que o novo entrave seja, além de um grande retrocesso, uma falta de consideração do governo federal com a região. Segundo ele, embora não reste muito a fazer além de esperar, as entidades não devem se conformar, continuando a cobrança por mais atenção. “Estamos cansados de tantas promessas e da falta de respeito por uma região que responde por parcela importante da arrecadação de tributos que vão diretamente para o Estado e União. Nossa comunidade está sendo iludida por tantas idas e vindas sem nada concreto, está na hora de acabar com isso”, desabafou.
O presidente da Acijs (Presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul), Paulo Luiz da Silva Mattos, também não escondeu o descontentamento com a determinação do Dnit. “É lamentável que uma obra tão importante seja postergada sucessivamente por conta de questões que poderiam ter sido previamente identificadas pelo órgão federal. Soa como deboche para uma região que contribui muito com a economia do Estado e onde estão empresas reconhecidas no Brasil e exterior”, assinala. Paulo Mattos diz que uma empresa com suspeição de irregularidades, que tenha como sua principal acionista uma empresa envolvida em escândalos e investigada por uma CPI, não devia sequer concorrer na licitação. “Esse é o tipo de problema que poderia ser resolvido se o sistema funcionasse com mais eficácia”.

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