Eletronuclear acelera licitação para Angra 3.

RIO DE JANEIRO – A Eletronuclear planeja para os próximos três ou quatro meses uma licitação para a escolha da empresa que vai fazer a montagem da usina de Angra 3, que terá as obras civis iniciadas em dezembro. A informação é do presidente da companhia, Othon Luiz Pinheiro da Silva, em entrevista exclusiva ao DCI.

A expectativa, segundo Pinheiro da Silva, é de que a concorrência seja aberta somente para o mercado interno. “Temos empresas capazes de fazer este trabalho com grande eficiência. Não há porque fazer essa contratação fora do País”, disse.

Ainda segundo o executivo, a reestruturação do Sistema Eletrobrás, do qual a Eletronuclear faz parte, vai dar destaque à subsidiária cujos projetos ficaram anos estagnados e que agora voltam a ganhar projeção. A Eletronuclear faz planos para atender ao Plano Nacional de Energia, que projeta a produção até 2030.

BNDES e capitação

Até esta data, estão previstas no mínimo mais quatro usinas nucleares, de capacidade de cerca de 1 MW, cada, além da própria Angra 3, cujo início de operações está previsto para 2015.

Apesar de os prazos estarem definidos e as licenças ambientais iniciais já terem sido concedidas, ainda falta fechar a equação financeira de Angra 3. As atividades já realizadas no local representam cerca de 30% do total da implantação do empreendimento, mas ainda serão necessários investimentos da ordem de R$ 7,3 bilhões.

Os cerca de 70% deste montante que serão utilizados me moeda nacional deverão ser tomados com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa do presidente é de que este empréstimo seja tomado até o final do ano que vem, prazo em que a companhia utilizará somente o empréstimo-ponte já concedido pelo Sistema Eletrobrás.

Os 30% restantes deverão ser tomados no mercado privado internacional, com o aval de bancos de desenvolvimento locais dos países que fornecerão a instrumentação para a usina.

Com o crescimento dos centros urbanos, a demanda por energia tende a crescer. Segundo Pinheiro, o Brasil vai precisar criar em geração elétrica algo em torno de 3 a 4 mil megawatts por ano, nos próximos anos. Por isso, a energia nuclear será estritamente necessária, não para tomar o lugar das fontes renováveis, mas para garantir a estabilidade do sistema nacional de geração. “O combustível que melhor compensa a descontinuidade das fontes renováveis é o urânio, porque ele não tem outra utilidade melhor que a geração de energia elétrica. O gás, por exemplo, pode ser utilizado para o aquecimento industrial. E a eficiência do urânio é superior à queima de óleo, por exemplo, que tem perda de quase 70% na geração de eletricidade”.

É por isso que o programa nuclear brasileiro prevê a criação de uma central nuclear no Nordeste e outra no Sudeste, sendo cada central com capacidade de até seis usinas de 1MW cada unidade, sendo que inicialmente apenas duas serão construídas. Ainda não foi definido se as usinas serão só da Eletronuclear ou se terão participação privada.

O local do Nordeste que vai abrigar a central será escolhido pelo governo, mas a Eletronuclear é quem vai indicar os pontos mais adequados. Serão apontadas cinco localizações em cada um dos quatro estados: Bahia, Sergipe, Alagoas e Pernambuco. A entrega do estudo será feita dentro de três ou quatro meses.

A central nuclear no Nordeste será construída em parceria com a Chesf, outra subsidiária da Eletrobrás. “A participação da empresa local facilita a logística e evita ciúmes”, acredita o presidente.

Em 2010, a empresa vai realizar estudo semelhante para definir áreas no Sudeste que comportem a construção de seis usinas.

Segundo ele, dentro de 50 anos, a participação nuclear no Brasil deverá alcançar nível igual ao americano: entre 19% e 25%.

O DCI promove amanhã (dia 2) o Seminário Eletronuclear “Energia Nuclear: Desmistificação e Desenvolvimento”, que acontece na sede da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

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