Eletrobrás definirá complexo nuclear do Nordeste em 2010.

RIO DE JANEIRO – O segundo complexo de geração de energia nuclear, como é hoje o de Angra que abrigará a terceira central (até maio de 2015), deverá estar definido até o próximo ano para que o programa governamental de uso de energia termonuclear como complemento ao regime de chuvas das hidroelétricas brasileiras esteja em operação até o final da próxima década. A previsão é de que sejam construídas duas centrais nucleares na região nordeste. Em seguida será a vez do Sudeste que receberá mais duas usinas em um novo complexo, ambos os projetos fazem parte do Plano de Desenvolvimento Energético (PDE) 2030.

Técnicos do Ministério de Minas e Energia e do sistema Eletrobrás – controladora da Eletronuclear – adiantam que o próximo complexo nuclear do País deverá ser construído na região de Recife, próximo a Suape. Na verdade, os Estados de Alagoas, Pernambuco e Rio Grande do Norte também estão na disputa pelo novo complexo que deverá abrigar cada um de 3 a 4 unidades coligadas de energia baseada em urânio enriquecido nacionalmente, como na central de Angra dos Reis.

“A retomada das obras de Angra 3 representa a opção do governo brasileiro por eleger mais uma fonte limpa de energia, como a nuclear, para complementar o fornecimento das hidroelétricas , que têm regime de chuva variável com restrição de produção em anos secos”, explicou o ministro Edison Lobão, sexta-feira no Rio de Janeiro durante o Seminário “Eletronuclear: Desmistificação e Desenvolvimento”, realizado pelo DCI, onde assinou a contratação das obras da usina de Angra 3 que será erguida pela construtora Andrade Gutierrez.

O próximo passo, dentro de quatro meses, segundo o ministro é a licitação e contratação da montagem industrial e colocação em funcionamento dos equipamentos que estão estocados por 20 anos ao lado do complexo de Angra. Esses equipamentos fazem parte do megacontrato assinado com a Alemanha no governo Geisel, cuja intenção era a construção de oito usinas nucleares no País que garantissem uma escala de enriquecimento do urânio nacional para a produção do concentrado de urânio, chamado no jargão nuclear de yellowcake. Isso sem contar a escala para obter o combustível para os submarinos nucleares projetados no Complexo de Aramar próximo, a Sorocaba, no interior paulista. Hoje a fornecedora , ex-KWU da alemã Siemens, pertence à francesa Areva, que acompanha a nova negociação de tecnologia sensível para submarinos atômicos do Brasil com a França.

O outro complexo nuclear deverá ser construído na fronteira das Regiões Centro-Oeste e Sudeste, mas a sua licitação ficará para depois do complexo nordestino , que ocorrerá em 2010.

O custo total de uma usina nuclear hoje no País está na casa dos US$ 3 milhões por MW instalado, segundo projeção da Eletronuclear. Como Angra 3 já tem os equipamentos ficará na casa dos R$ 8,2 bilhões.

Lobão disse ainda que o ideal para o País é colocar pelo menos uma nova usina em operação por ano a partir de 2030 até 2060. Para o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva, essa meta não é impossível de ser alcançada, pois é o mesmo que a França fez cerca de 20 anos atrás. “É perfeitamente factível pensar que é possível fazer essa inclusão da energia nuclear no Brasil, a França já fez isso e em um momento em que não havia a tecnologia e o conhecimento que temos”, concluiu Pinheiro da Silva.

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