Eleições adiam aumento das passagens e licitações das linhas de ônibus

Em ano de eleição perde todo mundo. Principalmente se a política for determinante para viabilizar projetos e mudanças relevantes. A eleição interfere em tudo e no setor de transporte parece que ela tem ainda mais força. Isso porque o transporte afeta diretamente a opinião pública, já que o povo anda de ônibus. Em Pernambuco, a eleição já deixou sequelas. Colocou na gaveta pelo menos dois projetos. O primeiro é o aumento das passagens, para felicidade da população e desespero dos empresários. O segundo é a licitação das linhas de ônibus, prevista para acontecer desde o fim do último governo Jarbas Vasconcelos.

Nos bastidores do governo o comentário é que o governador Eduardo Campos não quer nem ouvir falar de reajuste tarifário. O discurso de majorar as passagens pelo IPCA, como vinha acontecendo nos últimos dois anos, mesmo a contragosto dos empresários, foi esquecido. O assunto virou proibido no Palácio das Princesas. Nem mesmo o fato de que no fim do semestre haverá a anual briga de reajuste dos motoristas e cobradores está sendo considerado pelo governador, de olho na reeleição. Sendo assim, caberá ao Grande Recife Consórcio de Transporte (ex-EMTU) administrar o déficit do sistema e acalmar os ânimos dos empresários e rodoviários.

A postura confiante de Eduardo Campos se deve, segundo pessoas do setor, ao fato de que o governo está viabilizando pelo menos três grandes projetos estruturadores para o transporte público, nunca feitos no Estado. São eles: o Corredor Norte-Sul, com 45 quilômetros de via exclusiva ligando o Norte ao Sul da Região Metropolitana do Recife; a adaptação do Corredor Leste-Oeste ao modelo proposto do Corredor Norte-Sul; e a construção da nova Avenida Norte, prevista para ganhar uma pista elevada para ônibus. A perspectiva de eles serem viabilizados estaria mantendo os empresários quietos.

As eleições também vão adiar, mais uma vez, a licitação das linhas de ônibus em operação na Região Metropolitana do Recife. Prevista em lei, por se tratar da prestação de um serviço público, a licitação estava para ser lançada no início do ano. O presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte, Dilson Peixoto, argumentou na semana passada que a rede terá que ser novamente revista para considerar a entrada dos três futuros corredores de transporte. Oficialmente, o motivo seria esse, mas não convence para quem conhece o setor. A cada ano as desculpas mudam e sempre existe um novo corredor que precisa ser considerado, embora eles não saíam do papel. Se o governo quisesse, a licitação poderia ser realizada por partes, bastava querer. O problema é que, como aconteceu nas últimas duas eleições, é muito arriscado lançar uma concorrência pública agora, em ano eleitoral. Sabe-se que a licitação poderia virar moeda de troca, o que comprometeria a qualidadade do futuro sistema de transporte. Sendo assim, só nos resta esperar por 2011.

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