Diagnóstico indicará destino do antigo Clube Primavera

Local passará por estudos ambientais e por reestruturação de áreas degradadas. Audiência pública definirá o futuro do terreno, que pode virar um parque urbano

Moradores de Taguatinga terão uma antiga demanda atendida. O governo de Brasília deu início ao processo que definirá o futuro da área do antigo Clube Primavera, na parte sul da região administrativa. Na quarta (21), o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) entregou à Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap), proprietária do terreno, um termo de referência para a elaboração de um plano de recuperação de áreas degradadas ou alteradas, necessário para a regularização ambiental. A Terracap abrirá licitação pública feita por meio de carta-convite a empresas especializadas.
O diagnóstico, que deve estar pronto até março de 2016, mostrará quais ações devem ser tomadas para recuperar a vegetação nativa e proteger a área de preservação permanente (APP) que integra o terreno de 37.592,62 metros quadrados. Em seguida, a Terracap fará audiência pública para definir o que será feito do espaço.
“Estamos acompanhando o processo de perto e torcemos para que o local vire um parque, com preservação ambiental e lazer”, reforça a moradora vizinha da área Karoline Romero, de 24 anos, integrante da comissão de moradores que tem apresentado demandas sobre o assunto ao governo. Satisfeita com a iniciativa, ela busca atenção do Executivo em relação às necessidades dos moradores das QSCs 13, 15, 17, 19 e 21, em Taguatinga Sul, que ficam nas redondezas do antigo clube. “Queremos segurança, um local para passear, caminhar, aproveitar a natureza.”
De acordo com o superintendente de Áreas Protegidas do Ibram, Leonel Pereira, a criação de um parque ou a integração do terreno ao parque vizinho, o Saburo Onoyama, são saídas possíveis. “O espaço pode ter uma destinação para o lazer da população sem degradar a área que deve ser protegida.”
As instalações do antigo clube ficam na Área de Relevante Interesse Ecológico JK, criada pela Lei nº 1.002, de janeiro de 1996. Com perímetro de 2,3 mil hectares, a área é integrada por partes de Taguatinga, Ceilândia e Samambaia. Abrange microbacias dos Córregos Cortado e Taguatinga e do Ribeirão Taguatinga, até a confluência com os Córregos do Valo e Gatumé. A concessão do uso da terra para a construção do clube ocorreu no fim da década de 1970. Nos anos 1990, a empresa retomou a propriedade.
Etapas
O plano de recuperação vai traçar o diagnóstico de como deve ser feita a reconstituição. “O documento dirá como será delimitada a APP, como deve ser feito o plantio de mudas e a retirada de outras e a recuperação daquele solo para que volte ao estado natural”, detalha o superintendente de Áreas Protegidas do Ibram.
O gerente de Meio Ambiente da Terracap, Felipe Longhi, explica que a área é considerada sensível pelo solo hidromórfico (encharcado). “Esse tipo de solo é extremamente importante devido à capacidade que têm de recarregar aquíferos”, ressalta. De acordo com a Lei nº 12.651, do Código Florestal Brasileiro, as APPs são espaços frágeis e vulneráveis ambientalmente. A proteção delas na cidade é essencial para a qualidade de vida das populações e para reduzir efeitos indesejáveis da urbanização, como o adensamento do solo e a poluição do ar.
Com o diagnóstico do plano, caberá ao Ibram a aprovação da proposta e à Terracap, a execução das diretrizes. “Vamos analisar a mata nativa característica, o quanto há de vegetação exótica, de plantas invasoras e como podemos favorecer a recomposição do solo da melhor forma”, afirma Longhi.
Ações emergenciais
Na manhã de quarta (21), técnicos da Terracap estiveram na área para vistoriá-la e embasar as ações emergenciais que serão tomadas nas próximas semanas. A visita ocorreu no dia seguinte à operação policial que retirou cerca de 80 pessoas do lugar. O grupo, que luta por moradia, estava lá havia um mês, depois de desocupar um hotel no centro do Plano Piloto. Antes, acampou em área pública no Setor Bancário Norte. Desde a saída dos manifestantes, há seguranças contratados pela agência fazendo ronda durante todo o dia e reforço com viaturas da Polícia Militar. Na madrugada desta sexta-feira (23), o grupo, que se intitula Movimento de Resistência Popular, mas não é legalmente constituído, ocupou o antigo Torre Palace Hotel, no Setor Hoteleiro Norte. O esqueleto do prédio está abandonado.
Na área do antigo Clube Primavera, a prioridade agora é a limpeza. “Antes de tudo, vamos retirar restos de construções, lixo e entulho”, informa o chefe da controladoria interna da Terracap, Luiz Cláudio de Freitas, em referência ao material deixado pelos ocupantes. A limpeza externa do local será feita pelo Serviço de Limpeza Urbana, que conta com dez caminhões-caçambas e duas pás mecânicas na operação.
Atendendo a outra demanda dos moradores, a Administração Regional de Taguatinga — com o apoio da Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos — construirá um muro de tijolos entre as Quadras 19 e 15 e o terreno do antigo clube para proteger as áreas residenciais.

Fonte: Agência Brasilia

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