Descaso – Mauá segue sem solução há 18 meses.

Viaduto tem anomalias que alteram substancialmente as condições iniciais de instabilidade, aponta laudo do IPT

O viaduto Mauá, interditado há um ano e meio, é o retrato da lentidão e da burocracia do poder público. Entre amarras municipais e estaduais, ainda não se sabe o que fazer com ele. Só no final do ano, na melhor das expectativas, a prefeitura terá ciência se a melhor opção será demoli-lo ou recuperá-lo. Obra mesmo, só em 2011.

Como ocorre com o usuário do Sistema Único de Saúde (SUS), ele aguarda há aproximadamente oito meses a indicação de um tratamento por parte de um especialista. A espera pode levar outros sete meses. Conforme o JC veiculou no início deste mês, a prefeitura já fez duas licitações para contratar a empresa que receitará a recuperação estrutural da obra ou sua destruição (indicando custos para as duas opções). Porém, não apareceram interessados (licitações desertas).

Em 20 dias, um outro processo licitatório será aberto. Se o desinteresse voltar a imperar, a administração municipal fará uma contratação direta. “Estou tentado descobrir qual é o problema. Muitas empresas alegaram falta de documentação (para não participarem do processo)”, informa o secretário municipal de Obras, Eliseu Areco Neto, que fez contato com cerca de seis delas – nenhuma de Bauru.

De acordo com ele, o cuidado em abrir licitação três vezes antes de fazer a contratação direta, se esse for o caso, contempla questões jurídicas. Areco não quer que nenhuma insegurança paire sobre o processo. “Passamos seis meses estudando uma formatação de processo de licitação. É demorado por ser obra de engenharia com tanta complexidade”, conta. Paciente é paciente, nos vários sentidos literais da palavra.

O diagnóstico do problema também foi lento. Na noite de 19 de setembro de 2008 o viaduto Mauá foi interditado com base num relatório técnico preliminar elaborado pelo Ministério Público. Uma semana depois, o então prefeito Tuga Angerami solicitou ao secretário-adjunto de Estado da Casa Militar, coronel Aléssio da Silva Júnior, auxílio do Governo do Estado para a avaliação técnica do viaduto Mauá.

Na oportunidade, ficou definido que um técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), órgão do Governo do Estado, faria uma avaliação (diagnóstico). A inspeção foi feita praticamente 10 dias após o tráfego ser interrompido. O laudo, no entanto, começou a ser oficialmente feito quatro meses depois, após intervenção política. Foi uma determinação do secretário estadual de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin. A pasta pagou R$ 33 mil pelo serviço.

Entre a exigência e o primeiro contato na gestão de Tuga, o convênio entre o IPT e o governo do Estado chegou a ser cancelado e, depois, restabelecido, informa Areco. Apenas no final de junho do ano passado é que o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) teve acesso ao laudo técnico. Decidiu, então, licitar os projetos de execução – que, numa analogia simples, apontará o tratamento a ser seguido, após o diagnóstico do IPT. A discussão sobre a ‘operação’ ficará só para o final do ano ou em 2011.

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Danos sérios

Os laudos do IPT não sugerem a demolição das estruturas, nem a interdição do viaduto 9 de Julho, mas os danos apontados pelos técnicos foram considerados sérios. Conforme o JC veiculou, o viaduto Mauá apresenta deslocamento horizontal, que provocou desaprumo dos pilares de cerca de 5 centímetros. Os muros que ligam dois pilares, por exemplo, foram rompidos.

Segundo o laudo, as anomalias descritas alteraram substancialmente as condições iniciais de instabilidade, comprometendo a estrutura. Por essa razão, os técnicos afirmam que a interdição do viaduto deve ser mantida até que as anomalias existentes, como também o deslocamento de concreto, armaduras expostas e corroídas e a infiltração de água, sejam reparadas.

Além disso, o IPT constatou infiltração de água em vários pontos de pilares, vigas, lajes e a ausência de furos para drenagem na plataforma de escoamento de água, o que possibilita empoçamento. O laudo apresenta ainda danos no pavimento asfáltico e afundamento em regiões das calçadas.

Quanto ao viaduto 9 de Julho, os funcionários do IPT informam que a estrutura não corre risco de interdição. Na análise, foram identificadas anomalias relacionadas ao desaprumo dos pilares, deslocamento e trincas, possivelmente ocasionadas pela ação do solo, que são significativas e devem ser reparadas.

Em função da interdição do viaduto Mauá, que reduziu as faixas disponíveis para o tráfego local, mas proporcionou a continuidade do uso das duas faixas do viaduto 9 de Julho, os técnicos recomendam à Prefeitura de Bauru o monitoramento periódico da estrutura por meio de implantação de instrumentação adequada.

Embora o acesso da Vila Falcão à avenida Pedro de Toledo aparente ser uma obra única, as quatro pistas de interligação são formadas por dois viadutos, o Mauá e o 9 de Julho. As duas pistas no sentido bairro-Centro totalmente bloqueadas pertencem ao primeiro. Já as pistas do sentido contrário, que passaram a funcionar em mão-dupla e recebem sozinhas o tráfego de veículos nos dois sentidos, são do 9 de Julho.

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Manifestação e
abaixo-assinado

O aniversário de um ano e meio da interdição do viaduto Mauá será lamentado com manifestação e abaixo-assinado. A informação partiu do vereador Fabiano Mariano (PDT), que tem sido procurado por vários moradores, especialmente da Vila Falcão. De acordo com ele, o ato pacífico para marcar o descontentamento dos munícipes está previsto para ocorrer na primeira quinzena de abril.

“As pessoas estão colhendo assinaturas para pedir mais empenho e que providências sejam tomadas mais rapidamente”, diz o parlamentar. A interdição atinge diretamente 80 mil pessoas, dificultando o acesso a escolas, hospitais, pronto-socorro, creches e universidades. Causa ainda lentidão ao Centro da cidade, que nos horários de pico supera 1.500 veículos por hora.

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Para prefeito, laudo do IPT demorou

No dia em que o viaduto Mauá ‘rachou’, a prefeitura poderia ter feito um contrato de emergência, se tivesse encontrado uma empresa. A informação é do prefeito Rodrigo Agostinho, segundo quem, atualmente, já não é mais possível tomar a mesma providência.

“Não tem mágica nessa história. O IPT demorou muito para entregar o laudo. Depois, fomos atrás das empresas que trabalham com isso. Quase todas as empresas já estão trabalhando em obras novas no Brasil. É difícil uma grande empresa de engenharia parar o que está fazendo para vir cuidar de um viaduto pequeno (com baixa rentabilidade)”, diz o chefe do Executivo.

Ele acredita que nos dias de hoje o principal problema é o mercado. “Tem mais ou menos 150 viadutos em obras no País só cruzando linhas férreas, isso é dado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Em São Paulo, quase todas as empresas de viaduto estão trabalhando no Rodoanel, então está difícil”, comenta. Rodrigo ainda destaca que, apesar do viaduto Mauá estar interditado, o 9 de Julho está funcionando e o tráfego está liberado no trecho. Ainda assim, garante tratar-se de um assunto prioritário em sua gestão.

“É um trabalho altamente especializado, que só algumas empresas sabem ou aceitam fazer. Se a empresa faz a recuperação e, no dia seguinte, o viaduto rachar, será responsável. O engenheiro vai para o ‘pau’. Temos poucas empresas no mercado e estão cheias de serviço”, conclui.

Luciana La Fortezza

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