Deloitte e KPMG buscam ganhos no esporte

SÃO PAULO – Na mira da modelagem financeira das licitações voltadas ao segmento de eventos esportivos de grande porte, como a realização da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil, as consultorias Deloitte e KPMG aumentam o interesse em divisões focadas na geração de negócios direcionados ao segmento esportivo e no assessoramento a governos e empresas interessadas em investimentos nessa área.

Depois de preparar, para o consórcio Odebrecht/OAS, o projeto de reconstrução do estádio Fonte Nova, na Bahia, e outros 20 projetos voltados à Copa do Mundo no Brasil, para empresas privadas de setores-chave para a infraestrutura dos eventos, como telecomunicações e tecnologia, a Deloitte aposta em sua experiência anterior em 40 eventos esportivos internacionais, como a Copa do Mundo da Alemanha e, mais recentemente, os Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver e a candidatura das cidades de Pretória, Joahnnesburgo e Bloemfontein, na África Sul. Atualmente, está trabalhando no projeto dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres.

Segundo Robson Calil, sócio da Deloitte e integrante da equipe que trabalha na organização das cidades-sede de Manaus e Cuiabá para a Copa de 2014, a expectativa é que o faturamento da área corresponda a 7% do resultado total da filial brasileira em 2010. “Definimos um plano e acreditamos que iremos crescer na área de eventos esportivos. Estamos construindo um time para dar suporte a esta demanda e entendemos que diversos setores do mercado, como a indústria do futebol, irão se profissionalizar e gerar negócios”, estima o executivo.

A expectativa da filial brasileira segue o posicionamento mundial da Deloitte de adotar uma divisão permanente para o atendimento de negócios voltados aos grandes eventos esportivos internacionais. Atualmente, existem quase 1,7 mil sócios envolvidos em projetos das Olimpíadas de Londres (1,2 mil), África do Sul (400) e Copa do Mundo no Brasil (80). “A experiência da Deloitte em Londres e Vancouver criou necessidade de criar estrutura 100% envolvida com os eventos esportivos”, diz John Auton, responsável por projetos relacionados à Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, que aguarda a criação do comitê brasileiro para prospectar projetos.

A prospecção de negócios para a Copa do Mundo no Brasil começou com um road show da consultoria entre os governos das cidades brasileiras candidatas a sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Deloitte conquistou os contratos de consultoria às candidaturas das cidades de Manaus e Cuiabá, que acabaram sendo escolhidas pela Federação Internacional de Futebol (Fifa).

A consultoria atuou na preparação dos cadernos de apresentação da viabilidade econômico-financeira da candidatura das duas cidades à Fifa, em que elaborou um planejamento estratégico para quesitos como mobilidade urbana, tecnologia e turismo.

“Usamos a experiência que tivemos na África do Sul e chegamos a uma análise de aderência em relação ao que a cidade oferecia e as exigências da Fifa. O estudo concluiu que a deficiência que as duas cidades apresentam não difere muito das outras sedes, que são lacunas nas áreas de segurança, saúde, infraestrutura urbana e até mesmo hotelaria, guardadas as devidas proporções e acho que, por isso, tivemos sucesso”, diz Robson Calil.

De acordo com Calil, o planejamento estratégico deve servir para definir o que pode ser capitalizado com os eventos. “A pergunta principal a ser feita pelas cidades que querem sediar o evento é qual é o grande benefício que ele pode trazer a elas, o que elas querem capitalizar, priorizando quesitos como turismo, indústria. Depois disso, definir de que forma estes objetivos podem ser capitalizados para, em seguida, oferecê-los ao mercado”, opina.

Estádios

Com uma equipe de 15 pessoas dedicadas a projetos da Copa 2014 nos 10 escritórios que a tem no Brasil, a KPMG espera que os negócios da área atinjam 15% do faturamento da empresa este ano, que prevê ampliar em até 20% o faturamento de R$ 492 milhões registrado em 2009. “Isso depende de como o governo vai trabalhar na gestão da Copa, ou seja, se eles terão apoio de consultorias para o assunto”, pontua André Coutinho, sócio da KPMG responsável pelos projetos voltados à Copa do Mundo.

Os primeiros projetos da consultoria nesta área foram fechados junto ao setor privado. A firma assessorou o consórcio Odebrecht/OAS na modelagem financeira da parceria-publico-privada para a reconstrução do Estádio Fonte Nova na Bahia, vencedor da licitação. Também assessorou a Odebrecht no projeto para a disputa pela Cidade da Copa, em Recife (PE), projeto que prevê investimentos de R$ 1,6 bilhão para a construção de um estádio, um conjunto habitacional, um centro comercial, hotéis e outros investimentos privados.

“Temos nos posicionado diante destes estados e municípios e este movimento continua forte, pois boa parte deles não tem plano definido. Nossa expectativa é que a contratação de serviços de consultorias deve ser definida, por conta das eleições.”

Atrasos

Apesar do otimismo das consultorias, até o momento, todos os projetos relacionados a construções, demolições ou reformas de estádios para a Copa de 2014 estão atrasados. O prazo da Fifa para o início das construções, demolições ou reformas terminou na semana passada, em 1º de março.

As cidades com estágios em fase mais adiantada são Curitiba, São Paulo e Porto Alegre, com estádios privados. Porém há impasses em relação a financiamento na Arena da Baixada e Beira Rio, que pertencem ao Paraná Clube e ao Internacional, e o Morumbi, do São Paulo Futebol Clube, enfrenta restrições com a Fifa. Entre os estádios públicos, a única cidade a iniciar obras é Belo Horizonte (MG), que aguarda detalhe do projeto e dará início às intervenções mais complexas após 12 de junho. Em Salvador (BA), primeira a concluir a licitação, a reconstrução da Fonte Nova aguarda a liberação de licenças ambientais e alvarás. Natal e Rio de Janeiro ainda aguardam editais.

As consultorias Deloitte e KPMG aumentam o interesse em divisões enfocadas na geração de negócios direcionados à área esportiva e no assessoramento a governos e empresas interessadas em investimentos nessa área.

Depois de preparar para o consórcio Odebrecht/OAS o projeto de reconstrução do Estádio Fonte Nova, na Bahia, a Deloitte está com 20 projetos voltados para a Copa do Mundo no Brasil, para empresas privadas de setores-chave na infraestrutura dos eventos, como telecomunicações e tecnologia. Segundo Robson Calil, sócio da Deloitte, a expectativa é de que o faturamento da área corresponda a 7% do resultado total da filial brasileira em 2010.

Na semana passada, a Andrade Gutierrez venceu a licitação da Arena Amazônia em disputa com a Odebrecht.

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