Credit Suisse dirige atenção a PPPs

Assis Moreira

O presidente do conselho de administração do grupo Credit Suisse, Walter B. Kielholz, prevê boas oportunidades de negócios e investimentos no Brasil com as Parcerias Público-Privadas (PPP).

O Credit Suisse estima que as economias emergentes precisarão fazer investimentos de mais de US$ 1 trilhão nos próximos cinco anos em infra-estrutura (abastecimento de água, estradas, transporte público etc.), diante do aumento da produção industrial e da propagação de megacidades. Também as economias industrializadas precisarão recuperar e expandir suas estruturas decadentes, criando oportunidades de negócios e investimentos de US$ 500 bilhões nos próximos cinco anos.

Para Kielholz, os projetos de infra-estrutura no futuro vão demandar novos meios de financiamento e as PPP são o caminho mais eficiente’. Ele cita estudos que mostram que, quando o setor privado desenvolve e financia projetos de infra-estrutura, a eficiência melhoraria entre 10 a 25%.

Sua expectativa é de que a emergência das finanças públicas numa nova classe de ativos levará as instituições financeiras a definir novos modelos de negócios – e bem lucrativos. Acha que esses projetos serão amplamente dominados por investidores institucionais. Primeiro, por causa de seu tamanho e complexidade. Segundo, porque a nova classe de ativos reduzirá o risco dos portfolios e oferecerá proteção maior.

Ele espera um aumento da demanda por produtos de investimentos para essa categoria de ativos por parte de clientes privados. E para torná-la mais atrativa para fundos de pensão, os bancos de investimento vão estruturar as transações para incluir grandes companhias de seguros. Com isso, tenta reduzir o risco dos bancos com as PPP, já que os privados dominam ao invés do Estado.

Nesse cenário, ele aposta que os ganhadores serão os bancos com um modelo integrado, combinando banco de investimento, private banking e gestão de ativos – sem coincidência, o modelo que o Credit Suisse adotou globalmente.

“Não sei quanto o Brasil vai precisar para infra-estrutura, mas sei que a confiança dos mercados no país cresceu de forma importante”, disse, em entrevista. “E no Brasil já somos o maior banco de investimentos, vamos muito bem”, avisou.

O principal executivo do grupo, Oswald J. Grueble, também reiterou que os planos de crescimento mundial passam pelo reforço da posição de banco integrado. “Já estamos entre os líderes na Europa e na América do Norte, assim como em mercados em rápido crescimento como Brasil, México, China, Russia e Oriente Médio”, afirmou.

Em conferencia organizada pelo Centro Internacional para Estudos Monetários e Bancários, em Genebra, o dirigente helvético explicou porque o futuro dos mercados emergentes vai formatar o ambiente econômico e de negócios em que os bancos vão operar cada vez mais.

Para dar idéia da ascensão dos emergentes e mudança na oferta e demanda global, Keilholz apoiou-se em recente estudo da consultoria PricewaterhouseCoopers. O estudo prevê que em 2050 o Produto Interno Bruto (PIB) do chamado E-7 – China, India, Brasil, Rússia, Indonésia, México e Turquia – vai superar o PIB do G-7 (as nações mais ricas do planeta, atualmente) em 25%. Para se ter uma idéia da mudança, hoje o PIB do E-7 é apenas 20% daquele do G-7.

O banqueiro constata maior diversificação da poupança privadas dos industrializados em direção de mercados emergentes. Mas essas economias não apenas recebem capitais, transferem liquidamente recursos para o exterior como resultado do acumulo de reservas oficiais. Com isso, os emergentes se tornam “uma força com grande influência” nos mercados financeiros globais, avalia Kielholz.

Outro aspecto é a internacionalização dos serviços bancários nos mercados emergentes. Um exemplo é a parte dos estrangeiros nos ativos dos bancos na República Tcheca, México, Hungria e Polônia, que superam os 65%. O fosso entre emergentes e países ricos diminui, e o fluxo de capitais cresce entre os próprios emergentes.

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