Construtoras doaram quase metade do dinheiro para campanha do PT ao Planalto.

Tiago Pariz

Empresas que prestam serviços para o governo federal contribuíram com quase a metade das doações recebidas pelo Diretório Nacional do PT durante a campanha eleitoral. Dos R$ 113,9 milhões que entraram no caixa do partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, R$ 51,1 milhões vieram de 43 empresas que mantêm contratos com a administração pública neste ano.

A maior parte do dinheiro veio de empreiteiras que participam de grandes obras estruturantes do país, como a Ferrovia Norte-Sul, as hidrelétricas do Rio Madeira, recuperações de favelas no Rio de Janeiro, construção de estádios para a Copa de 2014, habitações do programa Minha Casa, Minha Vida e projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Não por acaso, os dois últimos foram as principais bandeiras da presidente recém-eleita, Dilma Rousseff, durante a corrida pelo Palácio do Planalto.

As 43 empresas faturaram R$ 2,1 bilhões do governo federal neste ano e doaram menos de 2,5% do total. Dessas, 23 são empresas de construção civil que abasteceram o caixa petista com R$ 32,3 milhões. A maior doadora é a Andrade Gutierrez, responsável pela Ferrovia Norte-Sul, que aplicou R$ 10 milhões no Diretório Nacional do partido. Em seguida aparece a Queiroz Galvão, que desenvolve obras de agricultura irrigada, com R$ 5,8 milhões. Juntas, as duas receberam, só neste ano, R$ 363,8 milhões em dinheiro federal. “As doações a partidos políticos realizadas pelo Grupo Andrade Gutierrez foram feitas de forma oficial, de acordo com a legislação vigente e com as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, disse, por meio da assessoria de imprensa. As empresas negaram irregularidade nos repasses com fins eleitorais (leia abaixo).

A Delta Construções, a maior beneficiada por repasses federais, doou R$ 1,15 milhão ao PT. Até outubro, a empreiteira recebeu R$ 467,5 milhões. A maior parte dos recursos vem do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) para a recuperação, a manutenção e a construção de trechos rodoviários. A empresa também realiza obras da transposição do Rio São Francisco, sob responsabilidade do Ministério da Integração Nacional.

As empreiteiras são historicamente as maiores doadoras das campanhas eleitorais ao lado das instituições financeiras. Na reeleição do presidente Lula em 2006, por exemplo, os dois setores contribuíram com pouco menos de 30% do total recebido. Na época, a Camargo Corrêa foi a maior doadora da campanha. Executivos da empresa foram alvo da Operação Castelo de Areia, da Polícia Federal. Grampos gravados com autorização judicial mostraram que havia um suposto esquema de doação “por fora” para políticos e partidos. Dessa vez, a Camargo Corrêa injetou no Diretório Nacional petista R$ 4,5 milhões, ficando atrás de concorrentes e de outras instituições financeiras.

Cartas
No começo da corrida eleitoral deste ano, o tesoureiro da campanha de Dilma, José Filippi Júnior — o mesmo da reeleição de Lula —, encaminhou cartas aos maiores doadores de 2006 para pedir que voltassem a contribuir com o partido. Parte do dinheiro arrecadado pelo Diretório Nacional serviu para bancar R$ 12 mil mensais referentes aos aluguéis da casa que Dilma mora no Lago Sul desde que saiu da Casa Civil. O restante dos recursos arrecadados, R$ 112,6 milhões, foi distribuído nas campanhas estaduais e na presidencial.

Amparo na legalidade

Empresas que receberam dinheiro do governo federal e contribuíram com campanhas eleitorais do PT por meio de repasses financeiros ao Diretório Nacional disseram que as doações estão de acordo as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Andrade Gutierrez e a Odebrecht informaram não haver nenhuma ilegalidade nos repasses. “A Odebrecht realiza suas doações dentro de uma visão republicana e em prol da democracia e do desenvolvimento econômico e social do país”, informou a assessoria de imprensa da empresa. A Queiroz Galvão alegou que seguiu as determinações da legislação eleitoral e que as doações estão registradas no TSE. “A Queiroz Galvão informa que todas as doações de campanha foram realizadas conforme determina a legislação eleitoral e registradas no Tribunal Superior Eleitoral”.

A Suzano Papel e Celulose afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que apoia o processo democrático e que as contribuições estão disponíveis para consulta no TSE. “A Suzano Papel e Celulose apoia o processo democrático eleitoral e todas as suas doações seguem, rigorosamente, a legislação vigente.”

O vice-presidente da Construcap, Roberto Ribeiro Capobianco, esclareceu que doou também para o PSDB e para o PV em quantia equivalente à repassada ao PT. “A empresa exercita dentro da mais absoluta legalidade a atitude cívica de fazer doações aos partidos políticos”, disse o executivo. Segundo ele, os contratos com o setor público decorrem de “licitações das quais a empresa participou conforme os preceitos legais”. A assessoria da Carioca Engenharia preferiu não dar declarações. As assessorias da Cooxupe, Egesa, ARG, B2Br, CR Almeida, Caramuru, Aterpa e Barbosa Melo não responderam ao pedido do Correio. Os representantes das outras empresas não foram localizados. (TP)

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