Consórcio de Belo Monte assina contrato de R$ 3,6 bi

Josette Goulart | De São Paulo

O consórcio Norte Energia, dono da concessão da usina hidrelétrica de Belo Monte, assinou ontem um contrato de fornecimento de equipamentos de R$ 3,6 bilhões com as empresas Alstom, Voith e Andritz. Esse é um dos primeiros contratos fechados desde que o grupo venceu a licitação há quase um ano. Agora negocia os acertos finais para fechar com o consórcio construtor, que será liderado pela Andrade Gutierrez, e cujo valor se aproxima de R$ 15 bilhões.

A empresa também vai ter fornecimento de turbinas pela empresa argentina Impsa, que tem fábrica em Pernambuco, e o contrato soma R$ 816 milhões. De acordo com as informações repassadas pelo Norte Energia ao BNDES, o total dos contratos de equipamentos soma cerca de R$ 4,5 bilhões. É um valor próximo aos contratos de equipamentos da usina de Santo Antônio, que encomendou equipamentos no valor de R$ 4 bilhões, ou mesmo de Jirau.

Apesar da grande diferença de tamanho das duas usinas – Santo Antônio tem capacidade de gerar menos de 3.500 MW e Belo Monte terá 11.233 MW de capacidade – os valores dos contratos de equipamentos são muito próximos em função do tipo de turbina usada em um e outro empreendimento. O vice-presidente de energia da Alstom, Marcos Costa, explica que o custo varia em função do peso das turbinas que depende da queda da hidrelétrica. As usinas de Jirau e Santo Antônio vão usar turbinas do tipo bulbo, próprias para hidrelétricas com pequena queda de rio. Já a de Belo Monte usa turbinas Francis, que têm queda quase sete vezes maior.

Só o contrato da Alstom, que lidera o consórcio ELM, chegará a R$ 1,35 bilhão ou R$ 1,1 bilhão, se considerado líquido de impostos. A empresa francesa, que tem fábrica em Taubaté, no interior de São Paulo, fornecerá sete das 18 turbinas Francis necessárias em Belo Monte. Apesar de ser um contrato significativo ele é menor do que os fechados com as usinas do rio Madeira, que hoje ajudam a tomar 80% da capacidade instalada da fábrica.

Para Belo Monte, os equipamentos começam a ser produzidos justamente quando terminam os das usinas do Madeira. Pelo contrato assinado ontem com o Norte Energia, as turbinas do sítio Pimental (o projeto de Belo Monte prevê duas barragens com turbinas) devem começar a gerar a partir de 2015. Os primeiros equipamentos, entretanto, já devem chegar a partir de meados do próximo ano.

De acordo com documento do BNDES enviado ao Ministério Público Federal do Pará, o índice de nacionalização ficará próximo a 85%. De acordo com Costa, a Alstom terá 90% dos equipamentos produzidos no Brasil. O índice de nacionalização é importante para garantir o financiamento do banco que criou condições especiais para Belo Monte, com juros de 5% ao ano. “Para sermos competitivos com a indústria internacional precisamos impreterivelmente desse apoio do BNDES”, diz Costa.

Para o fornecimento de equipamentos em Belo Monte, japoneses, chineses e russos estavam na competição e apresentavam propostas de financiamentos internacionais. Os custos com equipamentos e montagem vão representar cerca de 20% do investimento total em Belo Monte. Os donos da usina ainda precisam assinar um contrato previsto de R$ 805 milhões para montagem dos equipamentos.

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